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O que a ciência diz sobre os remédios para Covid-19

Nova edição de VEJA SAÚDE investiga o que funciona e o que não merece crédito no tratamento. E mostra os avanços e as perspectivas contra a doença

Por Diogo Sponchiato Atualizado em 19 mar 2021, 14h28 - Publicado em 19 mar 2021, 13h45

A crítica literária americana Michiko Kakutani publicou, em 2018, um ensaio que tem como pano de fundo a ascensão de Donald Trump nos Estados Unidos e o domínio das redes sociais no consumo e na troca da informação. O título é bem sugestivo: A Morte da Verdade (Editora Intrínseca – clique para comprar).

E tem tudo a ver com o que estamos vivendo na pandemia do coronavírus. Michiko argumenta que, aproveitando-se do relativismo cultural e refutando a ciência e o consenso, uma legião de pessoas passou a ignorar ou derrubar qualquer noção de certeza e a professar suas verdades privadas (e mentiras públicas) pelos quatro cantos da internet.

A dúvida é sempre bem-vinda: a humanidade avança questionando e aperfeiçoando ideias. Mas como viver diante da erosão das verdades tangíveis e demonstráveis? Cada um fala e compartilha o que bem entender: a terra é plana, vacinas é que causam doenças e são instrumentos de controle populacional, as letras desta página são vermelhas — só você não enxergou direito!

O alerta da crítica americana que mais remete ao contexto brasileiro atual é o da desconfiança e da guerra dirigidas à ciência. Ciência não é sinônimo de verdade, mas não inventaram ainda nenhum método mais fidedigno para chegarmos a ela.

Na medicina, a sensibilidade e a experiência do profissional contam muito. Contudo, o juiz soberano para sentenciar se um tratamento funciona ou não é Sua Excelência, a Ciência. Ainda mais quando estão em jogo a vida de milhões de pessoas e a saúde pública.

E aí deparamos com nosso país castigado pela Covid-19, sem vacinas e leitos de UTI suficientes — e sem a adesão de boa parte da sociedade às medidas de isolamento e prevenção. Sim, estamos todos cansados disso, mas a doença não se cansa de nós. Pior: circulando de forma descontrolada, faz brotar mutações virais que só complicam as coisas.

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Qual é a solução do governo federal, aplaudida inclusive por alguns médicos? Um suposto tratamento precoce — cuja variante é um kit Covid já distribuído por convênios e prefeituras. Qual a evidência científica?

Antes a ideia fosse inofensiva: como mostra a jornalista Chloé Pinheiro na reportagem de capa, pessoas que fazem uso dele não só correm risco de sofrer reações adversas das medicações como ainda podem esperar demais para procurar o hospital, o que reduz as chances de derrotar a infecção. Infecção que deixa sequelas, diga-se.

Muitos leitores e internautas pediram que investigássemos o que funciona ou não no tratamento: as respostas e os avisos da ciência, sem ideologia ou crença no meio, estão nesta edição de VEJA SAÚDE. Verdades podem ser transitórias, claro. Mas são bem diferentes de mentiras.

Ovo redimido

Ele se tornou o símbolo do vai e vem na nutrição: já foi vilão da saúde, virou herói, recebeu pedradas de novo e, enfim, se redimiu… Duas pensatas vêm daí: 1) sim, as verdades da ciência podem mudar com o desenrolar das descobertas; 2) não há alimento bom ou ruim: é a porção, o jeito de consumir e o contexto que fazem a diferença.

O ovo está com tudo! O apelo mais saudável, o crescimento do vegetarianismo e a alta no preço da carne abrem caminho ao seu reinado entre as proteínas animais.

E esse é o mote da matéria escrita pela editora Thaís Manarini, que aproveita para falar das mais quentes recomendações de consumo, seus efeitos no organismo e os macetes para tornar o produto das galinhas — que têm de ser bem tratadas, aliás — o protagonista de refeições balanceadas.

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