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Herpes zóster: o que é, os sintomas, a vacina e o tratamento

O mesmo vírus da catapora pode, anos depois, ser reativado e causar dor, feridas na pele e até sequelas mais graves

Por Da Redação, Thaís Manarini, André Biernath
Atualizado em 13 abr 2023, 12h01 - Publicado em 20 mar 2018, 16h28

Conhecido popularmente como cobreiro, o herpes-zóster é uma doença causada pelo vírus varicela-zóster. Na infância, quase todos temos contato com ele, só que nessa fase da vida, desenvolvemos a famosa catapora.

Depois desse primeiro encontro, e mesmo com a catapora curada, o vírus permanece no organismo. Ele se esconde no sistema nervoso, mais especificamente nos gânglios dorsais — uma espécie de raiz dos nervos localizada na medula espinhal.

Ali, fica adormecido, controlado pelo nosso sistema imune.

Quando acontece uma queda expressiva na imunidade (seja pela idade, por uma doença ou pelo estresse), o vírus encontra terreno fértil para voltar a se replicar.

Leia também: Além da dor, herpes-zóster é ligada a risco de infarto e AVC

As cópias caminham dos gânglios dorsais para os nervos sensoriais, que se conectam com a pele. O processo afeta a circulação sanguínea dos arredores e dá início a uma inflamação.

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Surgem, então, lesões em uma região específica do corpo – como costas, rosto ou pernas – e uma dor latejante.

Se não houver tratamento adequado, a dor pode se tornar crônica. Sem medidas preventivas, o quadro pode voltar diversas vezes e até ser gatilho para mais problemas, como comprometimento da visão e doenças cardiovasculares.

Qual a relação do herpes-zóster com a Covid?

Houve um aumento de casos de herpes-zóster após o início da pandemia.

Especula-se que isso tenha acontecido porque mais gente ficou debilitada com a infecção pelo coronavírus e, aí, o vírus da varicela-zóster tirou proveito da situação.

Ainda não há dados científicos que relacionem as duas doenças, mas a alta de casos em pessoas que tiveram Covid é evidente.

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Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Montes Claros (MG) comparou os diagnósticos de herpes-zóster feitos entre março e agosto de 2020, e no mesmo período em 2017 e 2019, antes da pandemia.

Leia também: Diabetes e herpes-zóster: do controle da glicose à vacinação

O estudo brasileiro, que usou dados do Sistema Único de Saúde (SUS), teve a intenção de demonstrar a alta dos casos no Brasil, visto que levantamentos semelhantes já identificaram o aumento na incidência de herpes-zóster em outras partes do mundo.

Sintomas do herpes-zóster

Alguns sinais podem denunciar a doença. Na dúvida, é sempre importante buscar a opinião de um profissional de saúde.

● Aparição de erupções cutâneas com a sensação de formigamento
● Algumas fisgadas, que parecem choques no local da pele que foi acometida
● Dor na região e possível mal-estar.

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Não confunda o herpes-zóster com herpes labial e genital

Tanto o herpes labial como o genital são causados por outro vírus, o herpes simplex. Ainda não há vacina contra ele.

Embora sejam micro-organismos diferentes, o herpes simplex é da mesma família do zóster.

Eles têm em comum a latência, ou seja, o fato de o patógeno não ir embora totalmente do organismo após a primeira infecção. O zóster, no entanto, é mais perigoso.

Enquanto 99% da população contrai o herpes simplex também na infância, muita gente não chega a desenvolver as lesões.

Já o vírus da varicela raramente passa incólume, e desata a catapora logo de cara — felizmente, temos vacina destinada às crianças.

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Herpes-zóster é contagioso?

Se alguém que nunca se infectou com o vírus varicela-zóster (e não se vacinou) entrar em contato com as lesões ou os objetos de uma pessoa doente, pode desenvolver a catapora, e não o herpes-zóster.

Lembrando que o herpes-zóstes é uma recidiva do vírus, ou seja, uma segunda manifestação dele – nunca a primeira.

Mesmo assim, o ideal é que pessoas com zóster se isolem para evitar a dispersão do patógeno.

Qual é o tratamento?

Quanto antes o zóster é diagnosticado, maior a eficácia do tratamento e menor o risco de consequências graves.

O recomendado é que, assim que surgir a dor decorrente do ataque aos nervos — e, convém frisar, ela geralmente aparece como umas pontadas —, deve-se procurar um profissional de saúde. Essa dor é o sintoma inicial do zóster, e não as lesões na pele.

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O tratamento é baseado em dois pilares: uso de antivirais e analgésicos.

A primeira classe, se administrada em até 72 horas após as primeiras bolhas, consegue diminuir a disseminação viral, a gravidade e a duração das dores, além de promover uma cicatrização mais rápida das lesões e prevenir a formação de novos machucados.

Já os analgésicos dão uma força no alívio da dor. Alguns médicos ainda prescrevem corticoides para inibir a inflamação, mas não há estudos robustos que comprovem um papel aqui. Se tudo correr bem, o tempo médio para as bolhas murcharem é de até dez dias.

A melhor forma de lidar com o vírus, no entanto, é impedindo que ele “acorde” no organismo. Para isso, vale a pena adotar um estilo de vida equilibrado, que ajuda a manter as defesas a postos, e se vacinar contra o herpes-zóster.

Quem pode tomar a vacina?

Atualmente, há dois imunizantes disponíveis no mercado – mas só nas clínicas particulares.

A vacina mais nova, chamada Shingrix, é indicada a qualquer pessoa acima de 50 anos, e a adultos imunossuprimidos ou que já tiveram zóster e desejam prevenir uma segunda infecção.

A Zostavax, por sua vez, tem como indicação apenas os maiores de 50, e não pode ser usada por imunossuprimidos – não há comprovação de segurança para esse público.

E a vacina contra a catapora?

Ela mira o mesmo vírus (ou seja, o varicela-zóster), mas tem uma formulação diferente.

Esse imunizante só começou a fazer parte do Plano Nacional de Imunizações (PNI) em 2012. Ele faz parte da injeção tetra-viral (que protege ainda contra sarampo, caxumba e rubéola).

A esperança é que as crianças vacinadas não desenvolvam o zóster na idade adulta. Mas só o tempo pode comprovar esse fato.

O que a síndrome de Ramsay Hunt tem a ver com o herpes-zóster?

Essa síndrome é uma versão do herpes-zóster marcada pelo ataque da infecção aos nervos da face.

Ela é mais rara e pode gerar comprometimentos só resolvidos com cirurgia e sessões com o fonoaudiólogo.

As perguntas dos leitores sobre herpes-zóster

A Veja Saúde convidou o infectologista Luis Fernando Aranha Camargo, do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), para tirar as principais dúvidas sobre essa doença.

No segundo trecho da entrevista, Camargo discute particularidades do herpes-zóster, como sinais mais raros da doença e situações específicas onde a vacina exige uma avaliação pormenorizada antes de ser aplicada. Ele ainda aborda o tratamento da doença.

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