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De onde vem o herpes-zóster?

Veja as causas e como é feito o tratamento dessa infecção comum na terceira idade, cuja incidência aumentou na pandemia

Por Chloé Pinheiro 15 out 2021, 14h28

Estima-se que até um terço da população acima dos 75 anos possa apresentar o herpes-zóster, também conhecido como cobreiro, que faz pipocarem lesões na pele e provoca dores intensas, mesmo depois que vai embora. Veja como o problema aparece e como lidar com ele:

Quem é o culpado?

Na infância, quase todos temos contato com o vírus varicela-zóster, causador da catapora, mesmo que a doença em si e suas típicas manchas vermelhas não apareçam. Depois desse primeiro encontro, o invasor se esconde no sistema nervoso, mais especificamente nos gânglios dorsais — uma espécie de raiz dos nervos localizada na medula espinhal. Ali, o patógeno fica adormecido, controlado pelo nosso sistema imune.

O (re)despertar

Quando acontece uma queda expressiva na imunidade, seja pela idade, seja por uma doença ou por estresse, o vírus encontra um terreno fértil para voltar a se replicar. As cópias caminham dos gânglios dorsais para os nervos sensoriais, que se conectam com a pele. O processo afeta a circulação sanguínea dos arredores e dá início a uma inflamação. Daí vêm as dores típicas — nas costas, no rosto etc.

como surge o herpes-zoster
Ilustração: Rodrigo Damati/SAÚDE é Vital

O arrastão viral

Logo, o vírus chega ao dermátomo, a zona da pele logo acima do nervo. Na derme, a inflamação faz surgirem vesículas que se assemelham a bolhas com pus, além de trazer mais dor e vermelhidão. Geralmente, essa lesão tem formato de faixa mesmo — daí seu nome popular, cobreiro — e ocorre em um só lado do corpo (direito ou esquerdo). A região da coluna, os membros superiores e a face são os locais mais atingidos.

Dias antes da lesão, podem surgir dor e sensibilidade no local. Se a pessoa for idosa, fique de olho e procure o médico assim que as bolhas pintarem. O tratamento é feito com antivirais orais. O uso de pomadas não é recomendado.

Aumento na pandemia

aumento de casos de herpes-zóster na pandemia
Ilustração: Rodrigo Damati/SAÚDE é Vital

Tem vacina!

  • Para quem?

Pessoas a partir dos 50 anos, exceto imunodeprimidos graves ou alérgicos a compostos da fórmula.

  • E se eu já tive?

Deve tomar mesmo assim. A recorrência é rara, mas acontece. Só é preciso esperar cerca de três anos.

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  • Onde encontrar?

A dose está disponível somente em clínicas da rede particular de saúde, a um preço médio de 500 reais.

+LEIA TAMBÉM: Herpes-zóster: conheça a vacina contra esse vírus

  • Como é feita?

Composta do vírus vivo atenuado, a vacina desperta a imunidade previamente adquirida na infância.

  • Precisa reaplicar?

Não. O imunizante é dose única. Mas se estuda a possibilidade de uma dose de reforço nos mais velhos.

Fatores de risco

O que eleva a probabilidade de as lesões aparecerem:

  • Coluna: Passar por cirurgias ou ter sofrido traumas na coluna vertebral também eleva o risco.
  • Doenças: Diabetes, condições autoimunes e outros males abrem caminho para o zóster.
  • Estresse: O estado emocional é ligado ao sistema imune. Períodos tensos podem levar a ataques do vírus.
  • Idade: A partir dos 50 anos de idade, o crescimento do risco é exponencial. Aos 75, é mais alto.

+LEIA TAMBÉM: Herpes zóster: o que é, os sintomas, a vacina e o tratamento

A dor que fica, mas poderia nem chegar

Além de causar cegueira e sequelas cerebrais, a depender do nervo acometido, uma das principais preocupações dos médicos em relação ao herpes-zóster é a neuropatia pós-herpética. “O nervo fica com uma espécie de cicatriz, o que causa dores intensas na região”, conta a médica Maísa Kairalla, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

O quadro compromete a qualidade de vida e é atenuado com o uso de medicamentos específicos. Pode durar meses para se resolver ou até se tornar crônico. Quanto mais cedo o tratamento começa, melhor. Aliás, a prevenção da dor é mais um motivo para tomar a vacina. “Um dos principais objetivos dela é reduzir o risco dessa complicação”, aponta Maísa.

Fontes: Moacyr Silva, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein (SP); Egon Luiz Rodrigues Daxbacher, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)

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