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Quem são os “genéricos” do Ozempic que devem chegar ao mercado brasileiro com o fim da patente

Queda da patente da semaglutida, prevista para 20 de março, vem provocando corrida de empresas concorrentes para fabricar o "Ozempic brasileiro"

Por Maurício Brum
11 mar 2026, 10h22 • Atualizado em 12 mar 2026, 09h30
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Semaglutida é princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy (Foto: David Petrus Ibars/Getty Images)
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  • A iminência do fim da patente da semaglutida no Brasil vem gerando grande expectativa no mercado farmacêutico nacional. Se a fabricante não conseguir uma extensão da exclusividade sobre o princípio ativo de produtos como Ozempic e Wegovy, a concorrência também poderá produzir e comercializar a molécula a partir de 20 de março.

    Consumidores aguardam a novidade ansiosos pela possível redução nos preços.

    Embora a Novo Nordisk venha pleiteando na Justiça uma prorrogação do prazo da patente, outros laboratórios já investem para abocanhar essa fatia do gigantesco mercado de canetas emagrecedoras: estima-se que esses remédios já movimentem R$ 10 bilhões por ano no Brasil, e algumas projeções sugerem que o número poderia até dobrar em 2026.

    Veja como a concorrência se mobiliza e o que a fabricante original alega para estender a patente do medicamento análogo de GLP-1, usado para o tratamento de diabetes e obesidade.

    +Leia também: Canetas emagrecedoras já são mais buscadas que dieta no Brasil

    Quem são os “Ozempics brasileiros”? Quando chegam ao mercado?

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já recebeu ao menos 14 pedidos de análise para produtos concorrentes à base de semaglutida. Empresas como EMS, Hypera Pharma, Cimed e Biomm têm solicitações em andamento.

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    Vale dizer que a Eurofarma já lançou, em outubro de 2025, duas versões da semaglutida em parceria com a Novo Nordisk, Poviztra (voltada para obesidade e sobrepeso) e Extensior (focada em diabetes tipo 2).

    Mas é importante diferenciar: embora a previsão seja de queda da patente em 20 de março, isso não significa que o “Ozempic brasileiro” vá chegar ao mercado no dia seguinte.

    Nenhum dos remédios concorrentes teve o nome comercial anunciado até o momento, e também não está claro se todos eles serão produzidos já em 2026, como as fabricantes esperam.

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    Isso porque o processo de análise e aprovação tende a ser feito aos poucos: a expectativa é que, se a queda da patente não for revertida, ainda assim seja preciso esperar até 2028 para que todos os produtos tenham passado pelo crivo da Anvisa.

    Aliás, outro ponto para moderar a expectativa em relação à queda dos preços: embora venham sendo chamados de “genéricos” de Ozempic, a tendência é que todos esses concorrentes cheguem ao mercado como medicamentos similares, que usam o mesmo princípio ativo, mas têm nome comercial e podem ser vendidos a um valor mais elevado do que um genérico de verdade (que só pode ser comercializado com o nome do princípio ativo; entenda as diferenças).

    A EMS, que fez investimentos bilionários para entrar nesse mercado, promete ser uma das concorrentes com maior capacidade produtiva em um primeiro momento: desde o ano passado, a farmacêutica já produz fármacos baseados na liraglutida, outra molécula da Novo Nordisk cuja patente foi quebrada mais cedo (vendidos originalmente como Victoza e Saxenda, eles passaram a ser comercializados pela EMS como Olire e Lirux).

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    Fabricante contestará fim da patente

    A data oficial para a queda da patente é 20 de março, e a Novo Nordisk já foi derrotada na Justiça tentando prorrogar o prazo. No entanto, a empresa promete recorrer, como já fez anteriormente no imbróglio em torno da liraglutida.

    Caso a fabricante original tenha sucesso, a produção e a venda do “Ozempic brasileiro” por farmacêuticas concorrentes podem acabar interrompidas. No entanto, também não há um prazo para isso acontecer. Tudo vai depender do tempo de análise na Justiça, e não existem garantias de que a Novo Nordisk sairá vitoriosa ao final do processo.

    O argumento da empresa que desenvolveu e lançou a semaglutida é que seria necessário recuperar os anos perdidos aguardando o registro da patente. Pela lei brasileira, o tempo de 20 anos até o final da exclusividade começa a contar no momento em que a patente é solicitada, não quando ela é efetivamente concedida. A lógica é que, a partir da divulgação da solicitação, a fabricante já poderia explorar o produto e processar quem tentasse copiá-lo.

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    Mas, em casos nos quais a concessão demora excessivamente, é possível questionar na Justiça em busca de uma prorrogação do prazo, como a empresa faz neste momento. A Novo Nordisk alega que teria direito à exploração da molécula de Ozempic e Wegovy sem concorrência por mais 12 anos, o que estenderia o prazo até 2038.

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