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Estado de saúde de Lula: relembre o histórico médico do presidente ao longo dos anos

Não é verdade que governante teve AVC, mas, ao longo da vida, ele já enfrentou câncer, hemorragia intracraniana e passou por diferentes cirurgias

Por Redação VEJA Saúde 29 set 2026, 17h19 | Atualizado em 29 set 2026, 18h53
Homem idoso, de pele clara, barba e cabelo grisalhos, usando chapéu de palha claro com faixa preta e camisa azul clara, sorrindo e olhando para a direita, com um microfone à frente
Presidente Lula já passou por diversas cirurgias. (Ricardo Stuckert/Reprodução)
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Publicações que começaram a circular nesta segunda-feira, 28, afirmam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria sofrido um derrame cerebral, termo popular para acidente vascular cerebral (AVC), e estaria internado.

A informação, porém, não procede. Na data, o candidato à reeleição para presidência cumpriu agenda em Belém (PA), enquanto nesta terça-feira, 29, ele esteve em uma caminhada em Salvador (BA).

A maior parte das publicações enganosas menciona uma publicação antiga da Revista Oeste, divulgada em maio de 2025, com o título “Lula cancela agenda depois de sentir tontura e permanece no Alvorada”.

O texto se refere a uma ocasião em que o presidente passou por exames no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, após apresentar um quadro de vertigem.

Segundo a própria reportagem informa, os exames de sangue realizados na época mostraram que a saúde do presidente estava dentro da normalidade. Naquele episódio, Lula foi diagnosticado com labirintite e recebeu alta no mesmo dia.

Portanto, não há registro de AVCs no histórico de saúde do presidente. Por outro lado, ao longo de sua vida pública, Lula passou por tratamentos e cirurgias para diferentes condições, algumas delas recentes e que exigiram acompanhamento ou tratamento.

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A seguir, relembre os principais.

Câncer de laringe (2011)

Um dos episódios de saúde mais importantes do presidente ocorreu em 2011, quando Lula foi diagnosticado com câncer de laringe. O tumor, localizado na região da garganta, tinha cerca de 3 centímetros.

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O presidente foi submetido a sessões de quimioterapia e radioterapia, encerrando o tratamento em fevereiro de 2012. Exames realizados posteriormente não mostraram sinais de tumor.

Leucoplasia (2022)

Em 2022, Lula voltou a ser submetido a uma avaliação da laringe, que identificou a presença de leucoplasia nas cordas vocais. O quadro é caracterizado como uma alteração celular que causa o aparecimento de placas esbranquiçadas na mucosa.

O quadro, por si só, não é um câncer, mas merece atenção por seu risco de transformação em carcinoma de células escamosas. O problema, que acometeu a prega vocal esquerda, na região da garganta, também estava relacionado à uma forte rouquidão apresentada pelo presidente.

A lesão foi retirada e analisada, mas não foram encontrados sinais de câncer.

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Câncer de pele (2026)

Em abril de 2026, o presidente Lula recebeu o diagnóstico de carcinoma basocelular, o tipo mais frequente de câncer de pele e também o menos agressivo.

A lesão foi retirada por meio de cirurgia, que transcorreu sem complicações. O presidente teve alta no mesmo dia e iniciou, em maio, um tratamento complementar de radioterapia superficial no couro cabeludo.

Segundo o Hospital Sírio-Libanês explicou à época, as sessões tinham caráter preventivo e não provocaram efeitos colaterais importantes.

O carcinoma basocelular ocorre principalmente devido à exposição aos raios UV do sol ao longo dos anos e predisposição genética, embora outros fatores possam contribuir.

A doença pode ser identificada por meio de sintomas como manchas ou feridas que não cicatrizam, nódulos, lesões avermelhadas ou áreas brilhantes na pele.

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Artrose e excesso de pele nas pálpebras (2023)

Em setembro de 2023, Lula fez uma artroplastia (colocação de prótese no quadril) para corrigir uma artrose, doença degenerativa que causa o desgaste da cartilagem que reveste as extremidades dos ossos nas articulações.

Depois, passou por uma blefaroplastia para retirada de excesso de pele nas pálpebras. 

Hemorragia intracraniana (2024)

Em outubro de 2024, Lula sofreu uma queda no banheiro do Palácio da Alvorada e bateu a parte de trás da cabeça. Inicialmente, foi acompanhado apenas com exames de imagem.

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Semanas depois, em dezembro, apresentou dores de cabeça e os exames identificaram uma hemorragia intracraniana, relacionada ao trauma.

O presidente passou, então, por uma trepanação, procedimento em que os médicos fazem uma pequena abertura no crânio para acessar a região afetada. No caso de Lula, a cirurgia foi necessária para aliviar a pressão sobre o cérebro provocada pela hemorragia.

A pressão excessiva pode comprometer o funcionamento cerebral e, em casos graves, causar danos neurológicos.

Na época, ele também foi submetido a uma embolização da artéria meníngea média, procedimento realizado para reduzir o risco de um novo sangramento.

Em janeiro de 2025, exames mostraram redução progressiva do hematoma, e ele foi liberado para retomar viagens e atividades físicas.

Catarata (2020 e 2026)

O histórico de saúde de Lula também inclui cirurgias para tratar catarata. O presidente passou pelo procedimento no olho direito em 2020 e, em 2026, no olho esquerdo.

A catarata ocorre quando o cristalino, a lente natural do olho, fica opaco, prejudicando progressivamente a visão. A cirurgia substitui essa lente por uma lente artificial.

Problemas mais antigos

Ao longo da vida, Lula também teve outros episódios de saúde já resolvidos. Confira a cronologia dos problemas enfrentados pelo presidente:

  • Amputação de um dedo (1964): na juventude, quando trabalhava como metalúrgico, Lula sofreu um acidente de trabalho e perdeu o dedo mínimo da mão esquerda;
  • Apendicite (1988): então deputado federal, ele foi submetido a uma cirurgia de emergência para retirar o apêndice, órgão que pode inflamar, causando a chamada apendicite, e provocar dor abdominal intensa;
  • Bursite (2000): Lula apresentou dores nos ombros atribuídas à bursite, uma inflamação das bolsas que ajudam a reduzir o atrito entre tendões, músculos e ossos nas articulações. O problema foi tratado com fisioterapia e acupuntura; 
  • Pólipo nasal (2005): o presidente passou por uma cirurgia para retirar um pólipo no nariz, uma formação geralmente benigna da mucosa nasal que pode dificultar a respiração;
  • Crise hipertensiva (2010): Lula foi internado após apresentar uma elevação importante da pressão arterial. Na época, a equipe médica associou o episódio ao estresse e ao cansaço;
  • Covid-19 (2021): Lula foi diagnosticado com Covid-19 durante uma viagem a Cuba e cumpriu o período de isolamento no país.
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