Creatina pode melhorar sintomas da menopausa? Entenda de onde vem essa história
Possíveis benefícios da creatina na menopausa têm despertado interesse da ciência, mas é preciso cuidado para não exagerar o que ela realmente é capaz de fazer
Uma velha conhecida de quem busca melhorar a performance na atividade física, a suplementação de creatina tem entrado no radar da ciência como uma potencial aliada da saúde feminina, especialmente durante o climatério, o período da vida no qual ocorre a menopausa.
Novos estudos têm repercutido na imprensa ao afirmar que, além de dar um apoio à saúde geral nessa fase, a creatina poderia inclusive aliviar os sintomas tipicamente associados à menopausa, como as flutuações de humor.
Mas é importante ressaltar: pesquisas nesse sentido ainda são iniciais, e o verdadeiro potencial da creatina frente aos sintomas precisa ser analisado mais a fundo.
Veja o que realmente se sabe sobre o efeito do suplemento diante da menopausa.
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O que a ciência já sabe sobre a creatina na menopausa
Em média, mulheres têm menos reservas de creatina endógena, aquela produzida pelo próprio corpo, do que homens, uma diferença que pode chegar a até 70% a 80%.
Por isso, os potenciais benefícios de suplementá-la ao longo da vida têm sido um foco de interesse científico, não só na menopausa, mas também em relação a outras fases marcadas por variações hormonais, como a menstruação, a gravidez e o puerpério.
Na menopausa, a suplementação de creatina tem demonstrado benefícios principalmente diante dos impactos sistêmicos que se intensificam após a última menstruação, como a perda muscular e óssea.
Só que os principais estudos a apontarem benefícios para a saúde feminina no climatério tem falhas metodológicas ou são feitos de forma que não permitem fazer afirmações conclusivas sobre benefícios. Além disso, eles são assinados por pesquisadores ligados a empresas que vendem o suplemento.
Em relação à depressão, que pode surgir nessa fase, a creatina também tem sido estudada, mas as evidências ainda são contraditórias. Clique aqui para ler mais.
Para sintomas, evidência é mais tênue
Em geral, os trabalhos que avaliam os benefícios da suplementação de creatina frente aos impactos das flutuações hormonais têm conseguido demonstrar vantagens na pós-menopausa. Em relação à perimenopausa, ainda faltam estudos para afirmar com certeza se o suplemento faz diferença – e em que doses.
Essa distinção não é supérflua: embora o senso comum chame tudo de “menopausa”, esse termo se refere especificamente à fase final do processo, quando a menstruação é interrompida de forma definitiva (entenda os termos).
Na verdade, é principalmente na perimenopausa que ocorrem os sintomas mais perceptíveis e tipicamente associados à menopausa. Esse processo pode durar anos, e é justamente para essa fase que os estudos ainda precisam avançar mais.
Em resumo: faltam pesquisas para cravar que a creatina pode ajudar com sintomas como os fogachos, as alterações de humor ou as disfunções no sono, por exemplo.
Um dos estudos mais recentes a destacar o potencial da creatina para minimizar os sintomas da menopausa foi publicado no último mês de agosto por um grupo de pesquisadores sérvios. Ao longo de oito semanas, eles dividiram mulheres na perimenopausa e menopausa em quatro grupos (três tomaram diferentes dosagens de creatina e um usou um placebo) e relataram que uma dose de 1.500 miligramas por dia demonstrou potencial para conter as variações de humor.
O problema: o estudo acompanhou apenas 36 participantes, um número ainda muito pequeno para considerá-lo uma evidência robusta. A ciência segue precisando de mais trabalhos com achados similares antes de comemorar.
Mesmo onde há benefícios, como em relação à perda óssea e muscular, os estudos também são claros: essas vantagens são intensificadas quando algum treino de resistência é inserido na rotina. A creatina ajuda, mas, sozinha, não faz milagres. Nunca use a suplementação sem orientação, nem para substituir um tratamento indicado pelo seu médico.







