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Caso Eriksen: o que aconteceu e como agir se alguém sofrer um mal súbito

Jogador passou por uma morte súbita abortada em partida de futebol. Entenda o quadro e o que fazer se o mesmo ocorrer com alguém perto de você

Por Maria Tereza Santos Atualizado em 21 jun 2021, 14h35 - Publicado em 17 jun 2021, 16h32

No último sábado (12 de junho), uma cena durante a partida de futebol entre as seleções da Dinamarca e Finlândia, pela Eurocopa, chocou o mundo. No final do primeiro tempo, o dinamarquês Christian Eriksen desmaiou enquanto corria em direção à bola. Ele permaneceu inconsciente por alguns minutos, deixando todos aflitos. Depois de ser atendido em campo, foi levado ao hospital de ambulância, já acordado.

Na terça-feira (15), Eriksen tranquilizou seus fãs ao postar uma foto no hospital. O jogador informou que já estava se sentindo melhor. Apesar de ainda não se saber exatamente o que levou ao desmaio, o fato é que o atleta sofreu uma parada cardíaca e ressuscitou devido à compressão torácica e ao uso de desfibrilador, segundo informado pelo médico da seleção dinamarquesa durante entrevista coletiva. Agora, foi confirmado que Eriksen passará por uma cirurgia para implantar um marcapasso, dispositivo que controlará seu ritmo cardíaco.

O que é a morte súbita e por que ela acontece

O cardiologista Agnaldo Piscopo, do Centro de Treinamento em Emergências Cardiovasculares da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), conta que esse foi um caso de morte súbita abortada.

“É um quadro típico de alguém que tem uma interrupção do fluxo sanguíneo ao cérebro. Na maioria das vezes, isso é provocado pelo próprio coração“, explica.

O especialista informa que essa é a principal causa de falecimento de atletas durante a prática esportiva. “É um problema ocasionado por propensão hereditária, condições cardíacas, como arritmia e hipertrofia do coração, e até mesmo excesso de exercícios, chamado de overtraining“, relata.

Ao contrário de outras doenças cardiovasculares, o mal súbito nem sempre está relacionado ao sedentarismo. Isso significa que até mesmo indivíduos considerados saudáveis – como esportistas profissionais –, estão suscetíveis a essa grave situação.

“Quando a pessoa faz atividade física de alta performance, é possível que ela apresente variáveis como inflamação, alterações eletrolíticas e miocardite causada por infecções. Essas condições não são detectáveis em exames clínicos comuns nem dão sintomas”, afirma Piscopo.

A incidência da morte súbita na população geral fica por volta de 0,5%, mas, em atletas, pula para 1%. Já nos esportistas de alta performance chega a 1,5%.

O que fazer quando alguém sofre um mal súbito e como prevenir

A primeira coisa a fazer é checar se a pessoa está acordada. Você pode chamá-la e cutucar para ver se há reação. Em caso negativo ou se ela estiver respirando com dificuldade (ofegante, bufando ou gemendo), pergunte se há um desfibrilador no local e alguém treinado para utilizá-lo.

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Enquanto o aparelho não chega, é necessário ligar para o Samu (no 192), informar o que aconteceu e já iniciar as compressões torácicas. “Ajoelhe ao lado dos ombros do indivíduo e coloque as duas mãos, uma em cima da outra, no meio do tórax, com os braços esticados”, ensina o cardiologista.

Devem ser feitos de 100 a 120 movimentos por minuto. “Compressões muito rápidas são superficiais e enchem mal o coração. Então, elas têm que ser realizadas nesse intervalo para o órgão se encher e esvaziar no ritmo certo”, orienta o expert.

Veja, no vídeo abaixo, como o movimento é feito:

Se houver desfibrilador no local, interrompa a massagem e recorra ao aparelho. Ele detecta de forma automática se a vítima precisa levar choque ou não. Independentemente do resultado, após o uso do equipamento reinicie as compressões até que o sujeito acorde ou o socorro chegue.

Piscopo reforça que não é necessário ser profissional da saúde para manusear o desfibrilador, mas é fundamental ter treinamento. Esse curso é oferecido pela Socesp e outras entidades – se tiver interesse, procure o local mais próximo de você.

Ter acesso a esse recurso é crucial. “Para ter ideia, a cada minuto de atraso no uso do desfibrilador, perde-se 10% de chance de sobrevida. Se passar mais de dez minutos sem atendimento, o indivíduo vai a óbito”, alerta o especialista.

Por isso, checar se há um desfibrilador nos lugares que você frequenta, principalmente onde pratica atividade física, é a melhor forma de evitar a morte súbita.

O profissional pontua que não há como garantir a total prevenção do quadro, já que ele está ligado a doenças nem sempre detectáveis. “Mas ter acesso ao socorro apropriado pode ser o fator decisivo entre a vida e a morte, como o que aconteceu com o Eriksen. No caso dele, o final foi feliz”, conclui.

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