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Brasileiros negligenciam hábitos que ajudam a prevenir o câncer

No Dia Mundial de Combate ao Câncer, pesquisa mostra que muita gente ainda desconhece ou subestima fatores que facilitam o surgimento de tumores

Por Ingrid Luisa 4 fev 2022, 14h48

Pesquisas estimam que 38% das pessoas enfrentarão algum tipo de câncer em certo momento da vida. No Brasil, a incidência da doença vem numa crescente: segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), nosso país registrou mais de 626 mil novos casos em 2020 – um aumento significativo em relação aos 489 270 diagnósticos de 2010. 

O surgimento de um tumor é resultado de mutações genéticas que, entre outras coisas, levam à multiplicação desordenada de células. Ocorre que essas alterações não dependem apenas de uma predisposição gravada em nosso DNA: elas podem ser causadas por nossos hábitos de vida.

Mas, um novo levantamento da farmacêutica Sanofi Genzyme, em parceria com o Instituto Ipsos, mostra que grande parte da população ainda negligencia o papel do estilo de vida nesse enredo.

A pesquisa avaliou a percepção dos brasileiros sobre a influência dos hábitos na incidência do câncer, trazendo um foco específico para quatro tipos de tumores: pele, pulmão, mieloma múltiplo e mama. Foram ouvidas 1 500 pessoas de todas as regiões.

+ Leia também: Quando a Covid-19 e o câncer se encontram

Segundo a investigação, o câncer é uma preocupação do brasileiro: 88% conhecem alguém que já teve o diagnóstico e 82% têm medo de desenvolver a doença.

Um dado crítico é que 31% dos entrevistados concordaram (totalmente ou em partes) com a seguinte frase: “Hábitos de prevenção ao câncer são pouco efetivos, porque a maior causa do câncer é genética”. Além disso, 25% não souberam opinar sobre o assunto. Mas, como já contamos, isso não é verdade.

“O câncer é influenciado tanto por fatores herdados, que a gente não consegue modificar, como por fatores externos, do cotidiano, que podem acabar desencadeando um processo de transformação genética que dá início a tumores”, reforça Thiago Chulam, oncologista e head do Departamento de Prevenção e Diagnóstico Precoce do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo.

Aliás, essa não é a única impressão torta que a população demostrou ter em relação ao impacto dos hábitos de vida no surgimento da doença: no que diz respeito ao câncer de mama, 28% acreditam que recorrer a métodos contraceptivos hormonais é um perigo, o que não é bem assim.

“A exposição excessiva a hormônios pode, sim, elevar o risco desse tumor, mas isso não está relacionado à utilização de contraceptivos indicados por médicos especializados. Até porque a dose hormonal encontrada neles é baixa”, diferencia o médico do A.C.Camargo.

Ainda sobre prevenção, 31% não souberam opinar sobre a relação entre o sobrepeso e o risco de câncer. Mas esse é um fator importantíssimo, ligado a mais de 10 tipos de tumores (e a outras doenças).

De acordo com Chulam, em primeiro lugar, a obesidade causa um estado de inflamação crônica no organismo. Fora que a gordura acumulada contribui para a liberação de substâncias capazes de incitar aquele processo de proliferação celular – o pano de fundo para o surgimento de um tumor.

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“Além disso, esse contexto gera circulação excessiva de hormônio, situação ligada ao aumento no risco dos cânceres de endométrio e mama, entre outros”, acrescenta o médico.

Alguns conceitos certos, por outro lado, já parecem estar mais consolidados. Na pesquisa, uma boa parte da população mostrou ter consciência de que fumar, não passar filtro solar e utilizar drogas ilícitas aumentam a probabilidade de enfrentar um câncer.

Cuidados no dia a dia deixam a desejar

Não ter absoluta clareza sobre o impacto dos hábitos de vida no desenvolvimento do câncer tem suas consequências. Veja: um gargalo revelado na pesquisa é que, apesar de manifestarem medo da doença, poucas pessoas adotam uma rotina saudável.

Para ter ideia, apenas 50% têm uma alimentação balanceada, 39% praticam atividades físicas regularmente e 37% evitam a exposição solar entre 9 e 16 horas. Todas essas atitudes são comprovadamente aliadas na prevenção de tumores.

Para Chulam, do A.C.Camargo Cancer Center, tem outro aspecto relevante envolvido aí: mesmo que estejam cientes dos riscos, as pessoas acham que essa situação nunca vai acontecer com elas.

“A prevenção traz um resultado de longo prazo, que só se enxerga lá na frente. Acaba sendo um esforço que muita gente não está disposta a fazer”, analisa o médico.

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De onde vem as informações em saúde?

A pesquisa também apontou que a internet é muito usada pelos participantes como fonte de conhecimento em saúde.

Inclusive, 50% deles já seguiram algum hábito ou tratamento com base em informações que não vieram de especialistas, e 32% assumiram que só “checam a veracidade desses conselhos às vezes”. 

“Algo que me chamou bastante a atenção como pesquisador é a força que a internet tem como mobilizadora das pessoas. Elas se deixam influenciar pelo que leem nas redes, às vezes da mesma forma que acreditam num profissional de saúde”, destaca Cássio Damacena, diretor de healthcare do Instituto Ipsos.

Para Chulam, a velocidade com que a gente compartilha conhecimentos hoje é muito bacana por um lado, mas perigoso por outro.”Porque não há filtro e, aí, chega bastante desinformação, principalmente na área de saúde”, resume.

“Verificar as fontes das informações e só acreditar naquilo que é baseado em ciência é essencial”, recomenda o médico do A.C.Camargo.

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