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Mieloma múltiplo: o que você precisa saber sobre a doença

Investir no tratamento multidisciplinar e redobrar os cuidados na quarentena são alguns passos importantes para enfrentar a doença

Por Natália Chagas | Abril Branded Content - Atualizado em 23 jul 2020, 11h52 - Publicado em 3 jul 2020, 11h00

Todo o mundo vem enfrentando a pandemia e lidando com o fato de que o melhor a fazer é ficar em casa para se proteger e proteger todos que amamos. Para pessoas que possuem comorbidades ou doenças que deixam o sistema imunológico fragilizado, o assunto fica ainda mais sério. É o caso, por exemplo, de pacientes com mieloma múltiplo. O câncer afeta diretamente a medula óssea – uma fábrica de sangue que se localiza no interior dos ossos – e é causado pelo crescimento descontrolado das células de defesa do organismo, chamadas de plasmócitos.

No Brasil, não existem dados de prevalência da doença, mas, para se ter ideia, em 2015, nos Estados Unidos, foram diagnosticados 24 000 novos casos. “Apesar de ser considerado um câncer raro, ele é o segundo mais comum dentro da hematologia”, explica Erica Ottoni, hematologista no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Além disso, a doença tem incidência maior em homens entre 60 e 65 anos e seus sintomas podem ser confundidos com alterações relacionadas ao envelhecimento, tais como cansaço, fraqueza e dor óssea. “Normalmente, essas queixas sinalizam sintomas iniciais da doença. Já o diagnóstico de emergência, quando o câncer está avançado, pode apresentar complicações como anemia, fraturas em ossos, níveis altos de cálcio no sangue e perda da função renal. Diversos pacientes também apresentam infecções porque o mieloma os deixa imunodeprimidos, ou seja, com seus mecanismos naturais de defesa comprometidos”, explica Erica.

A importância do diagnóstico precoce

Justamente por ter os primeiros sintomas confundidos com doenças como a osteoporose ou até como manifestações típicas do envelhecimento, o mieloma múltiplo costuma ter um diagnóstico difícil, que não deve ser negligenciado, pois é justamente a descoberta precoce que amplia o tempo de vida do paciente e evita consequências mais graves. “O mieloma múltiplo não tem cura, mas, com o avanço da medicina, as opções terapêuticas ajudam no aumento do tempo e na qualidade de vida do paciente’, explica Erica. Por isso, é essencial nunca tratar com normalidade sintomas que aparecem sem motivo aparente e que não cessam poucos dias depois.

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Tratamento e medicina multidisciplinar

Logo após o diagnóstico, o primeiro passo é definir o tratamento com o médico responsável. “Esse tratamento normalmente engloba uma combinação de terapias que pode ser dada via oral, endovenosa ou subcutânea. Tudo depende do paciente, e até a capacidade física e de deslocamento a um centro de tratamento é levada em consideração”, explica a doutora.

Também é de extrema importância que uma equipe multidisciplinar esteja envolvida em todo o processo. “A equipe de enfermagem, nutricionista, hematologista, psicólogo e o cuidador que acompanha de perto a trajetória de tratamento são importantes desde a etapa de descoberta do mieloma múltiplo. Além de fazerem o manejo correto dos medicamentos indicados, a família ou o cuidador auxiliam a equipe médica com informações essenciais”, explica Erica.

Por fim, também é importante que o paciente e a família inteira entendam as expectativas do tratamento e todo o processo com o auxílio de um psicólogo. A alimentação do paciente com mieloma múltiplo também requer cuidados especiais, uma vez que influencia na evolução do tratamento. “Uma dieta balanceada, feita por um nutricionista, principalmente para manter a massa muscular do paciente, aliada à prática de exercícios físicos, com acompanhamento de um fisioterapeuta ou educador físico,é essencial para garantia da qualidade de vida do paciente”, conta Erica.

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O paciente com mieloma múltiplo durante a pandemia

A maioria dos pacientes com mieloma múltiplo faz parte do grupo de risco porque são idosos e também imunodeprimidos e imunossuprimidos. Eles podem ser infectados como qualquer outra pessoa, mas o problema é que as complicações podem ser mais graves.

Por essas razões, os pacientes e seus familiares precisam permanecer em isolamento social. O que muitos pacientes não sabem é que a quarentena, tão necessária para eles, não é sinônimo de confinamento. “É importante entender a diferença porque o paciente não pode deixar de tomar sol, fazer seus exercícios e, principalmente, seguir seu tratamento”, explica Erica. Por isso, listamos seis alertas essenciais que devem ser levados em consideração para que o novo coronavírus não traga problemas para o portador de mieloma múltiplo:

  • Converse com seu médico sobre as melhores opções terapêuticas no período de isolamento. O risco de talvez ser contaminado pelo novo coronavírus não é maior do que o risco de parar de tratar uma doença já existente.
  • Entenda quais as possibilidades de rever seu tratamento oncológico. “Vale analisar se seu caso é passível de mudanças e combinar a melhor forma de seguir com ele de maneira adaptada”, explica Erica.
  • Normalmente, pacientes com a doença em estágio avançado não podem ter o tratamento modificado, mas diversos centros de referência têm pensado em maneiras de reduzir visitas e proteger seus pacientes. O importante é continuar fazendo o tratamento indicado pelo médico.
  • Estude todas as maneiras certas de se proteger do vírus. O uso correto da máscara, a técnica de lavagem das mãos e o distanciamento social devem ser levados muito a sério.
  • Pacientes e familiares com sintomas da Covid-19 devem notificar o médico imediatamente.
  • Pense e repense a possibilidade de usar a telemedicina a seu favor. A opção é importante e deve ser feita porque, muitas vezes, a consulta é uma conversa e a atuação do médico à distância é essencial.
  • Não se esqueça: saídas necessárias para tratamento ou consulta não devem ser negligenciadas.

Material destinado ao público geral e imprensa. Em caso de dúvidas, ligue gratuitamente – SAC: 0800 771 0345. BR/IXA/2006/0053 – Junho de 2020.

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