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Bicicleta elétrica faz tão bem quanto a convencional?

À primeira vista, parece que o equipamento elétrico não exige esforço do usuário. Mas uma pesquisa refuta essa ideia e mostra que ele traz vantagens

Se você encara a bicicleta elétrica como uma moto mirradinha, hora de rever esse conceito. Em estudo da Universidade da Basileia, na Suíça, 17 sedentários com sobrepeso usaram esse meio de transporte para ir ao trabalho pelo menos três vezes na semana. Enquanto isso, 15 voluntários fizeram o mesmo, mas com magrelas convencionais. Após um mês, a primeira turma teve um ganho cardiorrespiratório similar ao do segundo grupo.

“Essa medida tem se mostrado um importante fator para mensurar a mortalidade por doenças cardíacas e outras causas”, explica Cristoph Höchsmann, autor do trabalho. Ele lembra que há diferentes níveis de assistência do motor à pedalada. Isto é, a chamada e-bike não faz tudo pelo usuário.

“E, mesmo que o motor esteja no máximo, só para mover as pernas já há gasto energético”, nota o educador físico Rodrigo Bini, da Universidade La Trobe, na Austrália. Sem falar no trabalho corporal apenas para manter o equilíbrio.

Porém, ele diz que o resultado suíço não pode ser extrapolado para pessoas que já são ativas. “Em estudo recente, observamos uma redução de 24% no gasto energético quando carteiros usaram a e-bike no lugar da convencional”, conta.

Ou seja, se o indivíduo tem um nível mais avançado de condicionamento, a bicicleta elétrica não é a melhor escolha para manter esse preparo físico em alta.

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Nesse sentido, elas seriam mais interessantes mesmo para quem está acima do peso e idosos, uma vez que exigem um pouco menos de esforço – diante de possíveis limitações, isso é importante. Outra parcela da população que sairia ganhando é aquela que precisa pedalar em trechos com mais subidas. “Principalmente se carrega uma carga adicional, como carteiros e entregadores em geral”, exemplifica Bini.

As e-bikes se mostram excelentes pedidas para esse pessoal não só por facilitar o trajeto, mas também por reduzir o risco de certas encrencas. “Com elas, a sobrecarga nas articulações é potencialmente menor em relação à bicicleta convencional”, frisa Bini. Devido a essa característica, cai o risco de lesões osteomusculares em longo prazo.

O expert da Universidade La Trobe só pede cuidado adicional com o uso de bicicletas elétricas em cidades sem ciclovias ou faixas dedicadas a esse meio de transporte. Afinal, elas atingem velocidades mais elevadas e, quando se compartilha espaço com pedestres, todo cuidado é pouco.

Para cada estilo, uma bicicleta

Alguns serviços e modelos de bike ajudam a incorporar essa atividade no dia a dia. Veja:

Bicicleta dobrável: você pode pedalar e, quando necessário, recorrer ao metrô ou ônibus para chegar ao destino. Fora que é fácil de guardar em casa.

Bicicleta elétrica: com ela, é mais tranquilo encarar subidas (ainda mais se carregar mochila e afins). “E há menor sobrecarga nas articulações, o que pode evitar lesões”, observa Bini.

Bike compartilhada: chegou ao Brasil um serviço que permite ao usuário deixar a bike em qualquer canto. Mas fique de olho no estado dela. E não se esqueça do capacete!