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elie fiss respirar e preciso Respirar É Preciso Do nariz aos pulmões, dos pulmões ao nariz... Percorrendo o sistema respiratório, o pneumologista Elie Fiss, professor da Faculdade de Medicina do ABC e médico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, desmistifica tudo que pode tirar nosso fôlego.

O que gripe e Covid-19 podem aprontar nos pulmões?

Nosso colunista explica como as duas infecções respiratórias chegam até os pulmões e que estragos podem promover ali

Por Elie Fiss 11 fev 2022, 16h33

Nos últimos dois anos, temos lidado diariamente com uma infecção respiratória que mudou completamente nossa rotina, a Covid-19. E, mais recentemente, voltamos a conviver com um velho conhecido circulando em nosso meio em uma época não habitual, o vírus da gripe.

Ora, ambas são doenças virais respiratórias com sintomas semelhantes e muitas vezes é difícil diferenciá-las clinicamente. Febre, tosse, falta de ar, dor no corpo e indisposição estão entre as principais manifestações dessas infecções. Só a realização de exames específicos permite identificar o patógeno e chegar ao diagnóstico correto.

Mas e os pulmões, até que ponto podem ser comprometidos nesses casos? Sabemos que a Covid-19 pode, em suas formas mais graves, deixá-los em apuros. Será que a gripe também? Como é que fica?

A porta de entrada dos vírus é a mesma: o nariz e as vias aéreas superiores. É a partir daí, batendo de frente com nossas defesas, que a infecção pode se espraiar, ou não, até os pulmões. Vários fatores influenciam essa evolução: idade, imunidade, problemas de saúde concomitantes, se o indivíduo foi vacinado ou não…

Neste momento, a maioria dos casos de Covid-19 pela variante Ômicron se resume a um quadro de inflamação dos brônquios e da garganta. Há poucos sinais de acometimento dos alvéolos (as pequenas estruturas onde ocorre a troca de gases nos pulmões), como vimos nos surtos anteriores.

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Daí que temos menos pacientes com sensação de falta de ar e mais pessoas com queixas de tosse seca e dor de garganta mais intensa − tem paciente relatando que nunca sentiu nada igual anteriormente.

Nas outras ondas de Covid-19, presenciamos inúmeros casos graves nos quais houve comprometimento pulmonar decorrente da chamada cascata inflamatória. Como reação à infecção, o organismo entra num estado de inflamação sem controle que provoca danos aos alvéolos e compromete o fluxo de oxigênio dos pulmões até o sangue.

Houve casos em que esses órgãos ficaram rígidos e espessos, com marcas de fibrose. A isso ainda se somaram episódios de trombose e sangramento, contribuindo para a gravidade da situação.

Um estudo recente mostrou detalhes de como o coronavírus consegue se espalhar nos pulmões, manipula nosso sistema imunológico e impede as células pulmonares de repararem as lesões na região.

O processo é diferente com o vírus influenza. O causador da gripe, ao invadir o organismo, busca entrar principalmente nas células dos brônquios, onde se replica e liberta cópias para se disseminar. Ocorre também um processo inflamatório, mas de intensidade menor que aqueles primeiros casos de Covid-19 (a exceção fica por conta de versões diferentes do influenza por trás de epidemias).

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Após o segundo dia de infecção, a replicação viral vai diminuindo, mas a inflamação ainda não atingiu seu pico e pode durar em torno de sete a oito dias.

As complicações principais, nessas circunstâncias, são as infecções bacterianas secundárias, responsáveis por sinusite, otite ou pneumonia. Elas acontecem sobretudo em crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas (diabetes, DPOC, obesidade etc.). Repare que são as mesmas condições que propiciam maiores estragos na infecção pelo coronavírus.

Na gripe, não vemos habitualmente evoluções para fibroses pulmonares ou fenômenos trombóticos nos pulmões nem tantos quadros de insuficiência respiratória, comparando com esses dois últimos anos de Covid-19. Não se iluda, porém: a gripe também pode ficar grave e progredir para fatalidades.

Nestes tempos, vimos até situações inusuais com a infecção ao mesmo tempo por influenza e coronavírus. São quadros que, até pela novidade, exigem controle e acompanhamento rigorosos.

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Para o vírus da gripe, a depender do momento, podemos recorrer a um antiviral, o oseltamivir (e ele se aplica a qualquer subtipo, não só o H1N1, como já ouvi por aí). Para o coronavírus, ainda aguardamos a chegada de algum tratamento antiviral efetivo e aprovado para uso.

Assim, não podemos descuidar da prevenção. Isso exige vacinação para ambas as doenças, higiene das mãos, distanciamento social e testagem e afastamento das pessoas infectadas.

Também não se deve deixar para depois o controle dos problemas crônicos. E, sentindo sintomas gripais piorando, já sabe, procure um serviço médico. Vamos ficar atentos, pois respirar é preciso!

 

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