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O que os zoológicos podem nos dizer sobre o coronavírus em animais

Nosso colunista comenta o papel de estudos como o trabalho que investiga a presença do coronavírus em felinos selvagens em um zoológico brasileiro

Por Dr. Mario Marcondes
Atualizado em 23 jul 2020, 18h47 - Publicado em 23 jul 2020, 14h43

Como já contei aqui na coluna, sabemos que, entre os animais, os felinos e os furões são os mais suscetíveis a uma infecção pelo coronavírus. Mais recentemente, dois gatos foram diagnosticados com o vírus nos Estados Unidos. No Brasil, até o momento não há relato de animal de companhia infectado.

O que se tem notícia por ora é que todos os animais que contraíram o Sars-CoV-2 pegaram o patógeno dos humanos, e não o contrário. Mesmo assim, muitos estudos são desenvolvidos para avaliar o potencial zoonótico do vírus, isto é, sua capacidade de “pular” entre as nossas espécies.

De modo semelhante ao que foi feito no Zoológico de Nova York, nos EUA, uma força-tarefa do setor de ciências biológicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) investigou a presença do coronavírus em 12 felinos selvagens do Zoológico Municipal de Curitiba. Para testá-los, os cientistas utilizaram o método RT-PCR, que detecta o agente infeccioso por meio da presença de material genético dele nas amostras colhidas dos bichos.

A pesquisa mostrou que todos os animais testaram negativo para o Sars-CoV-2, diferentemente do que ocorreu em Nova York, onde alguns dos bichos tiveram resultado positivo. O trabalho brasileiro contemplou quatro onças, três gatos-do-mato, uma jaguatirica, um puma, um gato-maracajá, um leão e um tigre.

A ideia do projeto é acompanhar a possível presença e comportamento do vírus na população de felinos selvagens. Por isso, os animais serão retestados em alguns meses. No estudo também foram colhidas amostras de 39 tratadores. Nesse caso, um deles, que não lidava diretamente com os animais, teve resultado positivo. Os demais foram negativos.

São extremamente importantes as pesquisas nacionais focadas no coronavírus na nossa população de animais. Com elas conseguiremos ter um monitoramento mais sensível e entender que espécies estão mais sujeitas ao patógeno.

Os casos de animais infectados revelam-se geralmente brandos e autolimitantes. Embora sejam raros, merecem ser estudados para obtermos uma melhor compreensão da doença. No Brasil, repito, não há indícios de animais infectados pelo Sars-CoV-2. Mas isso não significa que devemos desviar nossos olhos dessa questão. Trabalhos como o do zoológico de Curitiba são cruciais para visualizar se e como o coronavírus afeta nossos animais.

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