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Médicos, nutricionistas e outros profissionais da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) explicam as novas (e clássicas) medidas para resguardar o peito

Cocaína pode ser letal ao coração

Um quarto dos casos de infarto em pessoas com menos de 45 anos está associado ao uso da droga

Por Dr. Ibraim Masciarelli Pinto* 1 mar 2017, 14h01 | Atualizado em 3 jul 2026, 23h23
Cocaína pode ser letal ao coração Priorizar nos meus resultados Google

O uso de drogas, em especial as ilícitas, representa um dos principais males do mundo contemporâneo. Essas substâncias subvertem os sentidos e reduzem a consciência dos indivíduos. Dessa forma, comprometem a interação social e a convivência familiar, bem como o desempenho na escola e na vida profissional. Além de todos esses danos, já muito graves, há riscos diretos à saúde, que não são poucos. O coração é uma das muitas vítimas tanto das drogas ilícitas como do tabagismo e do abuso das bebidas alcoólicas.

Dentre os psicotrópicos, a cocaína — utilizada por cerca de 17 milhões de pessoas em todo o mundo, com idades que variam entre 15 e 64 anos — é a maior inimiga quando assunto é doença cardiovascular. Seu uso é a causa de um quarto dos ataques cardíacos em pessoas com idade inferior a 45 anos, e esse tem sido um crescente problema de saúde pública. Cerca de dois terços dos infartos ocorrem em até três horas após o consumo, variando de um minuto a quatro dias — 25% acontecem no prazo de 60 minutos.

O quadro tende a ser ainda mais terrível com a disseminação do crack, cocaína em forma de cristal, mais barata, adaptada para ser fumada (a fórmula tradicional da droga é em pó, habitualmente inalada), que causa muita dependência e leva a consequências gravíssimas, com risco muito elevado de comprometer o coração. Some-se a isso o fato de que muitos usuários também fumam cigarros tradicionais de tabaco ou usam outras substâncias ilícitas, o que potencializa a probabilidade de desenvolvimento de doenças cardíacas.

O pior cenário para o coração dá-se com o consumo simultâneo de cocaína e álcool, que gera uma substância chamada cocaetileno, aumentando em três vezes os riscos de arritmias e ataques cardíacos.

O problema toma dimensões maiores quando se considera o fato de muitas vezes o usuário de drogas ser jovem e não buscar ajuda quando surgem os sintomas, já que não se considera como pertencendo ao grupo de risco para doença cardíaca. Outras vezes, esses indivíduos negam o uso das substâncias proibidas por medo das consequências legais e da exposição social e familiar.

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Por isso, é crucial que todos saibam que o sigilo médico é absolutamente garantido. Nenhum profissional denunciará uma pessoa após socorrê-la em caso de uso de drogas ilícitas. O objetivo dos profissionais de saúde é defender a vida! Por isso, é fundamental que as pessoas que consumam cocaína ou qualquer outra substância contem esse fato ao médico em qualquer consulta, pois essa informação será relevante até para evitar o uso de medicamentos que possam interagir com a droga, o que traz sérios problemas adicionais.

Por todos esses motivos, a melhor escolha é evitar o uso de cocaína e todo tipo de droga. Além de preservar a saúde mental, escapar do vício ajuda a impedir que numerosos jovens tenham problemas cardíacos e possam ferir de modo irreversível o coração daqueles que mais os amam.

* Dr.Ibraim Masciarelli Pinto é cardiologista e presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp)

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