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Em primeira pessoa

Numa parceria com o CDD (Crônicos do Dia a Dia), esse espaço dá voz a pessoas que vivem ou viveram, na própria pele, desafios e vitórias diante de uma doença crônica, das mais prevalentes às mais raras
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‘’Diziam que eu estava brava e com o olhão arregalado’’

Dentista relata os desafios de ter a doença ocular da tireoide (DOT). Mas também mostra como conhecer a própria condição a ajudou a superar desafios

Por Lilian Burbam Vogel, cirurgiã-dentista*
25 Maio 2023, 09h38

Dúvidas, incertezas e medo. Esses são sentimentos que invadem qualquer pessoa diagnosticada com uma doença rara.

A vida ganha novos caminhos, e o futuro parece ser inalcançável. Foi assim que eu me senti ao descobrir que tinha o mesmo diagnóstico que a minha mãe: a doença ocular da tireoide (DOT).

Eu sou cirurgiã dentista e os meus primeiros sintomas foram coceira e secura nos olhos. Eles também doíam toda vez que eu os tocava.

Depois, passei a ter dificuldades para enxergar a tela do computador e a ficar com os olhos irritados por causa da claridade.

Aliás, a DOT pode causar diversos outros sintomas, como vermelhidão e sensibilidade à luz.

Ela também promove inflamação, crescimento de gordura na região e inchaço dos músculos extraoculares, o que pode dar a impressão de que os olhos estão saltados, ou arregalados.

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+ LEIA TAMBÉM: O que é hipertireoidismo: causas, sintomas, prevenção e tratamento

Um certo dia, uma sobrinha que é médica comentou que meus olhos estavam grandes e me orientou a procurar um especialista. Por eu usar óculos de grau para tratar miopia, não tinha reparado nessa característica.

Na época, estava fazendo um tratamento para hipertireoidismo com uma endocrinologista e optei por me consultar com ela. Ainda bem. Essa profissional logo suspeitou da doença ocular da tireoide e me encaminhou para um oftalmologista.

Aí o palpite da endocrinologista foi confirmado. Eu recebi o diagnóstico de DOT por meio de um exame clínico detalhado e da ressonância dos olhos.

Durante a consulta, o médico perguntou como estava o grau dos meus óculos e achou que esse era o motivo para eu enxergar duas TVs, duas garrafas d’água, dois copos.

Foi quando ele constatou a diplopia, popularmente conhecida como visão dupla, mais um dos sintomas da DOT.

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+ LEIA TAMBÉM: Tireoide em equilíbrio

Essa sensação acontecia apenas quando olhava para cima. Ao olhar para baixo – como eu faço para verificar a saúde bucal dos meus pacientes –, eu conseguia enxergar normalmente.

Talvez por não comprometer tanto a minha vida profissional, eu tenha adiado buscar respostas para meus sintomas.

Mas ainda assim era um tormento. Ver as coisas em duplicidade me causava dores, cansaço, irritabilidade e uma confusão mental grande. Imagine ter que forçar a visão para tentar enxergar direito, principalmente ao dirigir.

Após o diagnóstico, iniciei um acompanhamento multidisciplinar com oftalmologista e endocrinologista para tratar a doença, que em 90% dos casos está associada ao hipertireoidismo.

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O tratamento consistiu no uso de um colírio diário, em dormir com óculos de natação após aplicar uma pasta nos cílios para manter os olhos hidratados e em tomar algumas medicações.

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Também fiz a pulsoterapia, que geralmente é indicada para pacientes com doenças crônicas autoimunes.

Eu venho seguindo o tratamento à risca e, até por isso, a resposta é positiva – por enquanto não preciso de cirurgia, por exemplo.

Atualmente, estou em um processo de desmame das medicações. De forma geral, os sintomas desapareceram e minha visão está normal.

Aceitação

No começo, não contei sobre o meu problema de saúde para quase ninguém. Entre outras coisas, tinha medo que meus pacientes não quisessem mais se tratar comigo por receio de eu não enxergar bem ou fazer algum procedimento errado.

Acontece que os meus olhos ficaram saltados e arregalados, o que dificulta mascarar minha condição.

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Tirar fotos era algo que me incomodava muito – tanto quanto escutar de familiares que eu estava “brava e com o olhão arregalado”. Eu não estava brava, mas essa era a impressão que as pessoas ao meu redor tinham.

Diante disso, eu resolvi me abrir. Acabei explicando para os meus pacientes e familiares sobre a DOT. E isso foi enriquecedor.

Antes da doença ocular da tireoide, eu vivia no automático, no modo ‘preciso trabalhar e ganhar dinheiro’. Já a partir desta jornada, tenho aprendido a enxergar e a valorizar as coisas simples da vida.

Todos os dias agradeço a Deus por respirar, ver, ouvir, falar, andar, comer. Em resumo, agradeço por estar viva e com saúde. Sim, eu tenho saúde!

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*Lilian Burbam Vogel, tem 58 anos, e é cirurgiã-dentista

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