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Uma nova era para as pílulas anticoncepcionais

Formulação inédita de estrogênio, já aprovada fora do Brasil, deve ampliar opções seguras para mulheres e profissionais de saúde na contracepção

Por Achilles Machado Cruz, ginecologista* 26 jul 2021, 10h21

É inquestionável o fato de que a criação da pílula anticoncepcional revolucionou a saúde feminina e trouxe empoderamento para as mulheres em todo o mundo. Há mais de 60 anos, essa classe terapêutica surgiu gerando um impacto social imensurável.

De lá para cá, os métodos contraceptivos evoluíram muito. Outras opções surgiram e doses hormonais diminuíram, sempre com o intuito de minimizar o impacto no organismo da mulher. Mas, no caso dos contraceptivos orais combinados — que, em geral, associam uma molécula da família dos estrogênios a outra de progesterona —, essa evolução ficou um pouco estagnada. Há pelo menos 50 anos não víamos um novo estrogênio sendo explorado para fins contraceptivos.

Agora isso mudou. Recentemente, as agências reguladoras de medicamentos do Canadá, dos Estados Unidos e da Europa aprovaram o primeiro contraceptivo oral baseado no estrogênio bioidêntico estetrol (E4), um tipo nunca antes usado com esse objetivo, associado à drospirenona (DRSP), que pertence à família da progesterona e já é amplamente utilizada em anticoncepcionais disponíveis no mercado.

O grande diferencial dessa molécula inovadora é que o estetrol, identificado na circulação materna somente durante a gravidez, é um hormônio bioidêntico que possui propriedades farmacológicas diferenciadas em comparação aos demais estrogênios. Estudos clínicos apontam que esse produto é diferente de todos os demais contraceptivos orais que existem atualmente: seu efeito em parâmetros metabólicos e no perfil de coagulação das pacientes é neutro ou insignificante.

Os já conhecidos benefícios da drospirenona vão além da contracepção, proporcionando também a redução da retenção de líquidos e da acne, pois é um hormônio sintético com propriedades muito parecidas com a progesterona natural produzida pelo corpo da mulher. Tudo isso resulta numa combinação muito oportuna.

Embora ainda não haja previsão para a chegada desse produto ao Brasil, as aprovações internacionais já inauguram uma nova era na contracepção, com uma opção farmacológica mais próxima do natural e que deve beneficiar uma ampla gama de mulheres.

Esse é mais um exemplo de como a medicina e a ciência rumam em busca de soluções cada vez mais adequadas para todas as necessidades dos pacientes, em seus mais diversos perfis, particularidades e fases da vida. E mostra como a classe médica estará bem munida de opções e alternativas para oferecer o que há de melhor a cada um.

* Achilles Machado Cruz é ginecologista e obstetra, especialista pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e consultor da Libbs Farmacêutica

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