Assine VEJA SAÚDE por R$2,00/semana
Imagem Blog

Com a Palavra

Por Blog
Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde
Continua após publicidade

O impacto da violência psicológica em mulheres

Psicóloga explica as características desse tipo de abuso e a importância de uma rede de apoio para identifica-lo

Por Camila Puertas, psicóloga*
10 out 2022, 09h34

A violência contra a mulher ainda é um problema social e de saúde pública no Brasil. A Lei Maria da Penha, de 2006, descreve diversas formas de agressão que podem ser praticadas contra a mulher – entre elas está a violência psicológica, inserida no código desde 2021.

Trata-se de um abuso de difícil identificação, e que pode causar danos à vida das mulheres por um longo período. Por isso, neste Dia Mundial da Saúde Mental e Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, é importante ressaltar as múltiplas formas de violência psicológica e como identificá-las.

Uma das suas características é o curso gradual das agressões, que escalam à medida que o relacionamento acontece. A vítima interpreta comentários e provocações como sutis e, no decorrer da relação, as palavras ganham peso e mais emoção, transformando-se em poderosas armas de manipulação e controle. É nesse momento que a vítima ocupa um lugar de submissão.

Compartilhe essa matéria via:

Outra particularidade é que as ações violentas são comumente interpretadas como ciúmes, excesso de cuidado e temperamento forte – especialmente quando o relacionamento é amoroso, com potencial de gerar a dependência afetiva da vítima ao parceiro.

Por ser praticada, muitas vezes, de uma forma velada, a violência psicológica precisa ser compreendida para que possamos identificá-la. Ela inclui, por exemplo, atos de humilhação, desvalorização moral ou deboche público, bem como atitudes que abalam a autoestima da vítima.

O agressor psicológico tem um forte poder de manipulação, e a distorção de fatos ou o gaslighting é uma estratégia para deixar a vítima confusa sobre a realidade.

Continua após a publicidade

O abuso se popularizou recentemente nas redes sociais e consiste na deturpação de acontecimentos, conversas e memórias para implantar dúvidas na cabeça da vítima. Desse modo, ela passa a acreditar que a percepção dele está correta, desconsiderando os seus próprios julgamentos.

Para não ser agredida repetidas vezes, seja por manipulação ou xingamentos, a vítima cede às vontades do agressor e tenta criar uma convivência harmoniosa, mesmo que isso signifique sabotar a sua própria felicidade. Consequentemente, ela se anula e se isola de pessoas queridas, que são fundamentais na hora de buscar ajuda.

Outro impacto é a perda de motivação para atividades que antes eram prazerosas e recompensadoras, como o seu trabalho. É comum também que a vítima deixe de cuidar da saúde e da aparência e abandone planos. Assim, passa a viver isolada para “servir” o agressor.

Em longo prazo, essa violência pode causar diversos transtornos mentais severos, como ansiedade, síndrome do pânico, estresse pós-traumático e depressão. Como o estado emocional da vítima é fragilizado, a ponto de ela duvidar de seu próprio valor como pessoa, há muita dificuldade em deixar o relacionamento abusivo ou cortar relações com o agressor psicológico.

+ Leia também: Como superar um trauma?

Um fator importante para se reconhecer como vítima dessa violência é avaliar os sentimentos diante de falas “inocentes” vindas do potencial agressor. Na maior parte das vezes, é possível notar sentimentos intensos de vergonha, medo e tristeza.

Continua após a publicidade

As vítimas de agressões psicológicas devem procurar o apoio de amigos e familiares para conseguir deixar o relacionamento abusivo.

A orientação de um psicólogo também é extremamente útil para fortalecer a autoestima e, consequentemente, cortar laços com o agressor.

São maneiras de capacitar a vítima para reconhecer esses elementos sozinha, incentivando a reflexão sem julgamentos e acusações.

Camila Puertas é psicóloga, com especialização em Psicoterapia Clínica e Saúde Mental, mestre em Ciências e pós-graduanda em neurociências e comportamento. É membro associada da Sociedade NEUROVOX e da Interligas – Muzy University. Atua em consultório particular em São Paulo.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.