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Novas perspectivas para o tratamento da leucemia

Especialista analisa estudos recentes que testaram com sucesso novas abordagens terapêuticas contra dois tipos de leucemia

Por Angelo Maiolino, hematologista* Atualizado em 25 set 2020, 18h06 - Publicado em 25 set 2020, 13h32

A cada ano no Brasil são diagnosticados 10 800 casos de leucemia, como apontam dados do Instituto de Nacional de Câncer (Inca). Falamos de um conjunto de doenças do sangue que podem atingir pessoas em diferentes faixas etárias. E temos boas notícias para pacientes com dois tipos dessa enfermidade: a leucemia mieloide aguda (LMA) e a leucemia linfocítica crônica (LLC). Estudos publicados em duas das mais importantes revistas científicas do mundo, a americana The New England Journal of Medicine e a inglesa The Lancet Oncology, revelam que o uso combinado de certos medicamentos aumenta o tempo e a qualidade de vida de quem enfrenta as doenças.

O primeiro desses trabalhos analisou 433 pacientes recém-diagnosticados com leucemia mieloide aguda. A doença ocorre quando as células indiferenciadas da linhagem mieloide, que formam os glóbulos brancos, vermelhos e as plaquetas, apresentam uma anormalidade. A LMA é um dos tipos de câncer no sangue mais agressivos. Apenas 28% dos portadores sobrevivem pelo menos cinco anos.

Além de agressiva, essa leucemia é um dos cânceres mais difíceis de tratar, porque nem todos os pacientes podem se submeter à quimioterapia em função de idade mais avançada ou presença de comorbidades. E este era o caso dos pacientes incluídos no estudo batizado de Viale-A.

Publicada no New England, a pesquisa mostrou que o uso combinado de dois medicamentos, o venetoclax e a azacitidina, reduziu em 34% o risco de morte dos pacientes quando comparado à utilização conjunta de azacitidina e placebo (remédio sem princípio ativo, empregado para controle do estudo). A azacitidina é considerada o medicamento padrão-ouro no tratamento de pacientes com leucemia mieloide aguda inelegíveis para quimioterapia. E a aliança com o venetoclax se mostrou bem-sucedida.

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Já o trabalho publicado no The Lancet Oncology trouxe os bons resultados de uma nova abordagem terapêutica para pacientes com leucemia linfocítica crônica. Esse câncer no sangue e na medula óssea tem progressão lenta e ocorre quando algumas células brancas do sangue, os linfócitos B, se tornam anormais e se multiplicam de forma desenfreada. A LLC é a forma mais comum de leucemia no Ocidente, sendo responsável por cerca de um terço de novos casos da doença.

O trabalho demonstrou que pacientes com a enfermidade que receberam por um período fixo uma combinação de medicamentos (venetoclax e obinutuzumabe) apresentaram taxas maiores de sobrevida livre de progressão de doença, avaliadas após 24 meses da suspensão do tratamento, em comparação a um grupo de pacientes que recebeu um tratamento-padrão com clorambucil e obinutuzumabe.

Os pesquisadores acompanharam por três anos  432 pessoas com leucemia. Durante o período, a taxa de sobrevida livre de progressão estimada da doença foi de 81,9% nos pacientes tratados com venetoclax e obinutuzumabe, ante 49,5% no grupo que recebeu a combinação de clorambucil e obinutuzumabe.

No Brasil, o medicamento venetoclax está aprovado para leucemia linfocítica crônica e leucemia mieloide aguda. A indicação mais recente foi para LLC, tendo sido aprovada em janeiro deste ano. Assim, temos boas notícias para compartilhar com os brasileiros que precisam tratar essas doenças.

* Angelo Maiolino é professor de hematologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador de Hematologia do Américas Oncologia, no Rio de Janeiro

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