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Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

Nem só de médico é feito um diagnóstico (e sua saúde)

Virar parte ativa da busca pela própria saúde e pela detecção precoce de doenças é uma tendência irreversível

Por Jimmy Cygler* 21 jul 2019, 11h29 | Atualizado em 3 jul 2026, 18h38
Empoderar o paciente
A relação dos profissionais de saúde com os pacientes está mudando. (Ilustração: Veridiana Scarpelli/SAÚDE é Vital)
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Nem só de médico é feito um diagnóstico (e sua saúde) Priorizar nos meus resultados Google

Sempre acreditei que minha vida chegaria ao fim antes que eu completasse 49 anos. Sou americano de origem judaica, radicado em Israel e, quando vim morar no Brasil, aos 41 anos, tinha dinheiro suficiente para comer e dormir por 30 dias. Minha crença baseava-se no fato de que não cheguei a conhecer minha mãe e a família inteira de meu pai havia sido exterminada durante o Holocausto – ele, inclusive, morreu aos 48 anos, quando eu tinha 13.

Quando cheguei aos 45 (do segundo tempo), tive meu quinto filho, Israel. Na época, minha qualidade de vida era tão ruim que eu não conseguia brincar com ele no chão e chegava a precisar fazer compras no mercado em um carrinho elétrico.

Aí uma chave mental começou a virar. Eu não tinha como conceber a possibilidade de faltar para o meu bebê – meus filhos mais velhos estavam encaminhados.

Quatro anos e pouco depois, nascia meu sexto filho, Gabriel. Com ele, veio uma nova mentalidade que tomou espaço em minha vida. Compreendi que era necessário segurar as rédeas da minha saúde para, de fato, superar com folga os 50 anos de idade.

Daí mudei radicalmente meus hábitos: comecei a comer bem, a fazer exercícios, a realizar exames médicos, a manejar o estresse etc. E cá estou eu, aos 70, com muita vitalidade, bem-estar e qualidade de vida. Estou melhor do que há 25 anos.

Tudo isso me fez refletir sobre a importância de sermos protagonistas da nossa saúde. Será que todos entendem o que isso significa?

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Antigamente, o médico possuía uma posição inquestionável no que diz respeito ao diagnóstico médico. Ele dizia o que deveríamos ou não fazer, prescrevia medicações e cabia a nós seguirmos suas recomendações sem grandes questionamentos.

Já hoje, o acesso à informação explodiu. Mesmo que muitos profissionais repitam jocosamente o termo “Dr. Google”, o inegável fato é que todos estamos aprendendo cada vez mais sobre nossas condições médicas. E esse é um processo irreversível. Digo mais: quando o rolo compressor do progresso vem para cima de você, ou você fará parte do rolo ou… da estrada.

O Brasil está chegando em 210 milhões de habitantes, mas somente 47 milhões têm acesso a um plano de saúde – esse número já ficou acima de 50 milhões em 2014, conforme a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Ou seja, aproximadamente 160 milhões de brasileiros dependem do SUS, o que muitas vezes é uma sentença de morte, porque as consultas chegam a demorar até sete anos para serem realizadas em alguns estados. Esse é o caso do Mato Grosso do Sul, de acordo com dados da Controladoria Geral da União local.

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Dentro dessa realidade, acredito que as pessoas devem se tornar mais responsáveis pela própria saúde. Não há ninguém melhor do que você para conhecer a si próprio.

O médico, obviamente, tem todo o preparo e conhecimento para apontar caminhos e alternativas. Mas ele pode fazer muito pouco por um paciente que entra na consulta mudo e sai calado.

Percebo essa necessidade e a gradual mudança de comportamento por parte da população na experiência de mais de 20 anos no relacionamento com pacientes de grandes laboratórios farmacêuticos na Proxis, empresa a qual presido. Essa bagagem, inclusive, nos motivou a realizar em 2015 uma spin off, a Proxismed, com foco total em saúde.

Ao longo desses anos, a consciência do leigo vem crescendo: há uma busca por empoderamento por parte do paciente, que estuda, ouve opiniões, questiona e pede orientações. Assim, compreendi que o indivíduo possui um papel cada vez mais relevante na melhoria de sua própria saúde e bem-estar.

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É preciso confiar nos médicos, sim! Porém, somos nós que estamos conosco 24 horas por dia. Esse é um ponto de partida importante para ajudarmos os especialistas a chegarem num diagnóstico mais preciso e rápido, o que culmina em uma conduta mais adequada.

Acredito que a tecnologia tenha espaço preponderante na saúde pelos avanços que já vêm sendo apresentados. Hoje, embora a nova regulamentação da telemedicina tenha sido suspensa (temporariamente, acredito), já existem plataformas de interação com o paciente, que envolvem vídeos e outros meios onde é possível orientar e aconselhar. Isso permite que a medicina chegue a milhões de pessoas sem acesso a serviços de saúde.

Há ainda projetos específicos, como Patient Support Program na Proxismed, no qual ajudamos nossos pacientes a administrarem da melhor maneira possível a doença que têm. O desejo é o de que eles alcancem uma vida mais tranquila e com menos intercorrências, considerando a condição da doença crônica ou suas limitações físicas. Não faltam novidades.

Esse é o futuro, até porque o modelo atual não é capaz de atender a todos.

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Por isso, a melhor forma de garantir não apenas a cura para doenças, mas também a longevidade e o bem-estar, é estudar e buscar informações. É preciso evoluir e sair da abordagem paternalista do cuidado com a saúde: busque a mudança, tome a iniciativa e mude o rumo da sua vida.

Lembre-se que o autor mais fiel e dedicado a sua história é você.

*Jimmy Cygler é presidente institucional da Proxismed, empresa especializada em jornada de relacionamento em saúde. Foi durante 13 anos professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) em disciplinas relacionadas à gestão de relacionamento com clientes.

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