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Leishmaniose: como combater a doença que afeta os cães e a gente

Veterinária explica o que levar em conta para a prevenção — algo que protege o animal e toda a família

Por Silvana Badra, veterinária* 29 ago 2021, 16h54 | Atualizado em 4 jun 2026, 22h52
leishmaniose visceral
Prevenção da leishmaniose inclui uso de coleiras inseticidas e vacina. (Foto: iStock/iStock)
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A leishmaniose visceral é uma doença grave, presente no Brasil e a segunda enfermidade causada por parasitas que mais causa mortes no mundo. Embora tenhamos regiões endêmicas para a moléstia, como Norte, Nordeste, Centro-Oeste e o interior de São Paulo, sabemos que ela vem se dispersando territorialmente ao longo dos anos e hoje temos casos reportados em todo o país.

A leishmaniose afeta tanto cães como humanos, mas a boa notícia é que podemos preveni-la. A principal forma de contrair a infecção é por meio da picada do mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis). Isso quer dizer que o cão não é o culpado, pois ele não é transmissor e, sim, apenas o maior reservatório da doença. Em geral, o mosquito pica o animal infectado e, posteriormente, pica outro cachorro ou humano, transmitindo o protozoário causador do problema.

A doença é séria e pode causar, nos animais, uma diversidade de sintomas, como vômitos, diarreia, apatia, lesões de pele (principalmente em focinho, face e pontas das orelhas), sangramentos (principalmente nasais), aumento do abdômen e crescimento exagerado das unhas.

tratamento, com a melhora dos sinais clínicos, mas não existe uma cura, isto é, um jeito de eliminar totalmente o parasita do organismo. Daí que o cachorro pode continuar sendo um reservatório da enfermidade.

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É por isso que ressaltamos tanto o papel da prevenção. Quando falamos de leishmaniose, é importante abordarmos o conceito de “Saúde Única”, que interliga saúde humana, animal e ambiental. Dessa forma, podemos destacar duas frentes de prevenção. A primeira é o controle do vetor.

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Algumas medidas são essenciais nesse sentido, como usar inseticidas no ambiente, evitar passear com o cão ao crepúsculo e à noite, quando o mosquito é mais ativo, colocar telas nas janelas e portas e manter o ambiente sempre limpo, pois a proliferação do vetor acontece com a abundância de matéria orgânica (folhas, frutos em decomposição, fezes de animais e lixo acumulado).

A segunda frente de prevenção são os cuidados com o cão, que incluem o uso de produtos como coleiras inseticidas e repelentes e a manutenção da vacinação contra a doença. Vale lembrar que os produtos tópicos, como as coleiras inseticidas e repelentes, ainda são os meios mais eficazes de prevenir o problema. Estudos realizados no Brasil e em outros países comprovam que, em uma região onde a população canina faz uso dessas coleiras, há redução também nos casos humanos de leishmaniose.

Outro ponto importante é que, ao notar qualquer sintoma relacionado à doença, o tutor deve levar o animal para uma consulta veterinária, uma vez que os casos tratados precocemente têm mais chances de sobrevivência. Por fim, mantenha as visitas periódicas ao veterinário, pois essa é a melhor forma de zelar pela saúde do seu animal e da sua família.

* Silvana Badra é veterinária e gerente de produto pet da MSD Saúde Animal

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