Assine VEJA SAÚDE por R$2,00/semana
Imagem Blog

Com a Palavra

Por Blog
Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde
Continua após publicidade

Hemocromatose hereditária: a doença do excesso de ferro no sangue

Condição genética ficou em evidência após diagnóstico do youtuber Felipe Neto. Especialista conta como identificar e tratar o problema

Por Juliane Musacchio, hematologista*
23 jul 2021, 09h44

Recentemente, foi noticiado que o youtuber Felipe Neto recebeu o diagnóstico de hemocromatose hereditária, uma doença pouco conhecida que leva ao aumento dos níveis de ferro no sangue. Por causa dela, o apresentador se autodenominou o “Homem de Ferro”.

A hemocromatose hereditária é uma doença transmitida de uma geração a outra. Mutações genéticas levam a um aumento da absorção intestinal de ferro por toda a vida, com a sobrecarga desse mineral pela circulação e possíveis danos aos tecidos do corpo. Suas manifestações clínicas geralmente não ocorrem antes dos 40 anos de idade em homens e após a menopausa em mulheres.

Alguns sintomas inespecíficos, como fadiga, cansaço e apatia, são comuns, assim como manifestações atribuíveis ao depósito de excesso de ferro em órgãos específicos. O fígado, o coração e a glândula pituitária (no cérebro) são os locais onde mais ocorre o acúmulo da substância.

Se não forem tratados, e dependendo da gravidade, os pacientes podem desenvolver cirrose, câncer hepático, insuficiência cardíaca e arritmias, diabetes, alterações cognitivas e articulares, além de ficar com a pele bronzeada.

Continua após a publicidade

Cada vez mais os indivíduos com hemocromatose estão sendo identificados ainda assintomáticos, o que é muito bom. Afinal, diagnosticar a condição de maneira precoce é extremamente importante, porque o tratamento é bastante eficaz e seguro e pode prevenir as principais complicações da doença.

Na maioria dos casos, o teste inicial consiste na dosagem da quantidade de ferro no sangue. A ferritina e a saturação de transferrina são exames de sangue simples, geralmente cobertos pelos convênios, e que, quando apresentam níveis aumentados, sugerem que o paciente possa ter excesso de ferro no organismo e, consequentemente, hemocromatose.

Continua após a publicidade

O tratamento inicial baseia-se na flebotomia, que é a principal intervenção para remover o excesso de ferro. O procedimento é essencialmente o mesmo que doar uma unidade de bolsa de sangue e, normalmente, é realizado uma vez por semana até que o nível ideal de ferritina seja alcançado.

A sobrecarga de ferro é extremamente rara em indivíduos heterozigotos, aqueles que herdam a alteração genética apenas de um dos pais. Ainda assim, com frequência observamos um nível moderadamente elevado de ferritina nos exames, caso do youtuber.

O prognóstico para a hemocromatose depende da quantidade de ferro no momento do diagnóstico e da devida remoção do excedente do mineral. Além do tratamento, algumas medidas são bem-vindas, como evitar bebida alcoólica, associada a agravamentos. Felizmente, detectando e acompanhando desde cedo, cai consideravelmente o risco de complicações.

Continua após a publicidade

* Juliane Musacchio é chefe da hematologia da Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.