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É urgente! Temos que reverter a queda nas mamografias no Brasil

Redução em 40% no número de exames para rastreamento do câncer de mama preocupa especialistas

Por Maria Helena Louveira, médica radiologista*
27 out 2022, 18h08

O câncer de mama é o tumor mais prevalente na população feminina, excetuando-se o câncer de pele não melanoma, e também o que apresenta a maior taxa de mortalidade. No Brasil, são esperados cerca de 60 mil casos da doença a cada ano.

Medidas que identifiquem sinais precoces do problema, viabilizando o diagnóstico quanto antes, representam a principal ferramenta para conter sua evolução, tendo em vista que a doença é multifatorial (envolve aspectos genéticos, hormonais e relacionados ao estilo de vida) e os mecanismos de prevenção primária ainda não estão totalmente estabelecidos.

Com a pandemia de Covid-19 em curso, passamos por uma fase de restrição e isolamento social para impedir a disseminação do vírus. Como efeito colateral, muitas consultas e exames de rotina foram cancelados ou postergados.

Nesse contexto, houve uma significativa redução na realização de mamografias a partir de março de 2020, e isso acabou se estendendo até o final do ano passado. Dados levantados pelo Sistema de Informática do SUS (Datasus), responsável pelo controle dos exames no sistema público de saúde, revelam uma queda de cerca de 40% no número de procedimentos em mulheres sem sintomas visando ao rastreamento do câncer de mama, comparando o período de 2020 com o de 2019. Em pacientes com queixas relativas às mamas, a redução foi em torno de 20%.

+ LEIA TAMBÉM: Próteses de silicone aumentam o risco de câncer de mama?

Esses dados oficiais publicados pelo Datasus se referem apenas às mulheres que buscaram atendimento na rede pública. Porém, a redução na realização de mamografias também ocorreu na rede privada. A queda na busca desses exames deve resultar no aumento na incidência da doença e na maior demanda por métodos de diagnóstico nos próximos anos, refletindo o somatório de casos previstos e represados nos últimos tempos.

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O ponto é que a falta de diagnóstico e de tratamento precoces propicia menores chances de cura e tratamentos mais complexos e agressivos. Provavelmente esse grupo de mulheres com sinais suspeitos do câncer durante a pandemia, e que teve o atendimento atrasado, irá sofrer com a progressão da doença, o que compromete a qualidade e a expectativa de vida.

Isso nos convoca a reforçar a importância da mamografia no rastreamento dos tumores mamários. Quando essa estratégia é incorporada a programas oficiais estabelecidos mundo afora, vemos uma redução de 30% na mortalidade por câncer de mama. Como na maioria das doenças oncológicas, aqui também vale a máxima de que “quanto menor a doença, e mais restrita ao órgão e menos difundida para o restante do corpo, maiores as chances de cura”.

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Por isso campanhas de conscientização como o Outubro Rosa são tão importantes e vêm influenciando positivamente as mulheres na busca por consultas e exames de mamografia, reconhecendo neles a medida mais eficaz para detectar precocemente a doença e instituir rapidamente o tratamento.

Considerando-se o déficit que se criou no diagnóstico e no tratamento do câncer de mama após a pandemia, medidas de incentivo à participação das mulheres nesse processo de autocuidado e prevenção devem ser retomadas já. Assim como precisamos priorizar aquelas pacientes que tiveram seu atendimento prejudicado pelos reveses do período.

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Nesse sentido, defendo que possamos olhar mais para as mulheres que estão ao nosso lado, fortalecer os vínculos e estimular que elas falem o que sentem e procurem o médico se perceberem algo suspeito nas mamas. A orientação e o incentivo fazem diferença. Muitas vezes, uma simples pergunta salva uma vida.

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* Maria Helena Louveira é médica especialista em radiologia mamária e professora de pós-graduação da Escola Brasileira de Medicina (Ebramed)

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