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Dores do crescimento são comuns em crianças?

Médica explica as características dessa dor, quando se preocupar e o que fazer para amenizar o sofrimento dos pequenos

Por Lucia Maria de Arruda Campos, reumatologista pediátrica*
22 out 2022, 09h25

A chamada “dor de crescimento” é uma queixa muito comum nos consultórios de pediatria, sendo a principal causa de dor recorrente nos membros. Ela afeta de 4 a 20% das crianças em idade escolar, entre 5 e 12 anos de vida, sendo mais frequente entre as meninas.

Apesar de não entendermos bem como essa dor se manifesta, parece que não há relação com o crescimento em si. Mesmo assim, o termo se popularizou ao longo do tempo. Os médicos costumam chamá-la de “dor em membros” e ela se caracteriza por episódios de dor aguda nas pernas como um todo.

Tipicamente, a criança não consegue apontar um local específico, mas passa as mãos de modo vago nas coxas, pernas ou atrás dos joelhos.

A dor é bilateral, ou seja, afeta as duas pernas, de modo alternado ou simultâneo, com periodicidade variável – às vezes, o incômodo surge todos os dias.

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Classicamente a dor se manifesta no final da tarde e mais frequentemente na hora de deitar. Ocasionalmente pode até despertar a criança durante a madrugada.

Apesar de poder ser bastante intensa, a criança acorda no dia seguinte bem-disposta e os episódios não atrapalham suas atividades diárias, como sua rotina de escola, brincadeiras e esportes.

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Os pais costumam relatar que os episódios de dor acontecem especialmente nos dias de maior atividade física, mas também podem ser desencadeados pelo frio ou em momentos de estresse emocional.

Cerca de 2/3 dessas crianças queixam-se também de dor de cabeça ou dor abdominal recorrentes. A “dor de crescimento” pode ter um caráter familiar. Para ter ideia, em metade dos casos os pais ou irmãos apresentaram os mesmos sintomas quando crianças.

Como diagnosticar?

O primeiro passo é conversar com o pediatra. Uma história e exame físico bem feitos habitualmente são suficientes para o diagnóstico, uma vez que o quadro costuma ter características bastante típicas.

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Se persistirem dúvidas ou se surgirem sinais de alerta, a criança deve ser encaminhada para o especialista em reumatologia pediátrica para melhor avaliação.

Afinal, quais são os sinais de alerta e as possíveis complicações?

Apesar de sua cronicidade, podendo os episódios recorrer por meses a anos, e de preocupar bastante os pais, a “dor de crescimento” é uma situação bastante benigna. Ela não causa limitações físicas nem deixa deformidades ou sequelas.

No entanto, existem alguns sinais de alerta que podem ser indicativos de situações mais graves, diferentes da “dor de crescimento”, e que precisam ser excluídas. São eles:

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• Dor pontual (quando a criança consegue indicar um ponto específico e persistente da dor)
• Dor muito intensa, com despertares noturnos frequentes
• Dificuldade de caminhar ou impedimento de realizar as atividades cotidianas
• Presença de manifestações sistêmicas, como febre, falta de apetite e perda de peso
• Alterações ao exame físico, como dor à palpação dos ossos ou dos músculos, fraqueza muscular, inflamação das articulações, claudicação, entre outras.

Na presença de algum desses sinais, a Sociedade Paulista de Reumatologia orienta que a criança deve ser encaminhada a um especialista em reumatologia pediátrica.

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São necessários exames laboratoriais ou de imagem?

Habitualmente, não. Mas, quando realizados, os exames são normais.

No entanto, se houver algum dos sinais de alerta acima descritos, a investigação deve prosseguir com a realização de exames complementares, como hemograma, provas inflamatórias ou radiografia dos membros, assim como outros procedimentos a serem solicitados de acordo com as suspeitas diagnósticas.

Há tratamento ou medidas preventivas?

O primeiro passo é tranquilizar os pais e o próprio paciente quanto à natureza benigna do quadro e quanto ao bom prognóstico da “dor de crescimento”.

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No momento da dor, a criança se beneficia de calor local, massagens e alongamentos nas pernas, que devem ser orientados pelo médico.

Analgésicos comuns, como paracetamol ou dipirona, até podem ser utilizados, mas, normalmente, as dores são de curta duração e se resolvem com as medidas locais – normalmente elas amenizam o desconforto antes mesmo do remédio fazer efeito.

Muitas crianças apresentam melhora da frequência dos episódios dolorosos com a prática de massagens diárias pelos cuidadores, promovendo aquecimento da musculatura das pernas no final do dia e acolhimento da criança. O resultado é uma melhora na qualidade de vida da família toda.

*Lucia Maria de Arruda Campos é membro da Sociedade Paulista e Sociedade Brasileira de Reumatologia, médica responsável pela Unidade de Reumatologia Pediátrica do Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas (FMUSP), membro também da Paediatric Rheumatology International Trials Organisation (PRINTO) e Pan American League of Associations for Rheumatology (PANLAR).

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