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Combater a asma grave exige fôlego do paciente

Diagnóstico preciso e tratamento contínuo são essenciais para prevenir as crises dessa versão mais intensa da doença respiratória

Por Roberto Stirbulov, pneumologista* 12 mar 2019, 18h06 | Atualizado em 3 jul 2026, 18h37
tratamento da asma grave
A asma grave atinge de 5 a 10% dos pacientes (Foto: Csheezio/iStock / Ilustração: Ana Cossermelli/SAÚDE é Vital)
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A asma é uma doença respiratória que afeta cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo. Estimativas apontam que, da população com esse problema crônico, entre 5% e 10% apresentam a forma mais grave, que causa falta de ar, inúmeras idas ao hospital e perda da qualidade de vida. Esse quadro severo também é marcado por episódios constantes de crises (as chamadas exacerbações), mesmo com o tratamento adequado, que inclui altas doses de corticoide inalatório e oral diariamente.

Vale ressaltar que o diagnóstico preciso é de extrema importância para distinguir uma asma tratada inadequadamente de outra realmente grave, que inclusive possui maior propensão de levar à morte.

Compete a nós, médicos envolvidos diariamente com o tema, fazer um diagnóstico preciso para chegarmos ao tratamento mais eficaz. Na outra ponta, o paciente deve entender e exercer, na prática, o papel de comprometimento com o tratamento que lhe cabe. Ou seja, ser fiel ao que lhe foi prescrito.

Isso porque é comum a interrupção dos medicamentos nos períodos sem sintomas. O raciocínio é simples. Como estou bem, não preciso me cuidar mais – pois é exatamente aí que mora o perigo.

Não podemos nos esquecer que o controle preventivo, que permite uma vida sem sustos e longe das perigosas exacerbações causadas pela asma, só é possível graças ao tratamento determinado pelo médico. E o uso dos remédios e de outras táticas requer disciplina e continuidade, mesmo durante os períodos em que a doença, teoricamente, não apresenta manifestações.

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Essa prática deve ser adotada no ano inteiro – seja no frio, com as baixas temperaturas, ou no calor, quando o clima é mais seco.

É justamente quando a pessoa entra numa certa “zona de conforto” e deixa de tomar o medicamento por achar que está segura que surgem as crises e as internações, aumentando o risco de óbito. Ao falarmos sobre asma, ainda mais de sua forma grave, a adesão contínua e ininterrupta à terapia indicada é essencial.

Seguir essa estratégia aumenta a chance de uma rotina normal, diminui as idas emergenciais ao hospital e reduz possíveis complicações. Aliás, a versão grave da asma é responsável por mais de 50% do custo total dos investimentos em tratamento com essa enfermidade.

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A boa notícia: recentemente, tivemos um avanço significativo com a chegada de terapias modernas que até devolver uma rotina normal de atividades ao paciente. A evolução no manejo da asma grave passou a contar com tecnologias seguras que auxiliam no controle da doença.

Um desses exemplos é o anticorpo monoclonal humanizado que pretende suprir uma necessidade não atendida, impactando positivamente na qualidade de vida do indivíduo. De acordo com os estudos clínicos, essa medicação pode diminuir em 50% o uso de corticoides orais e 60% o número de internações hospitalares e as visitas à emergência causadas pelas exacerbações.

Apesar dessas ferramentas, a adesão ao tratamento no Brasil ainda é ruim, porque não se tem a noção de que a asma pode matar. A pessoa melhora e deixa a terapia de lado.

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Como já reforçamos, o indicado é seguir prolongadamente as indicações médicas para que o indivíduo tenha uma vida mais próxima do normal possível.

*Roberto Stirbulov, médico pneumologista, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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