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Afinal, crianças podem pegar peso?

Eis uma dúvida que paira no ar entre diversas famílias. Um expert em atividade física responde

Por Rafa Lund, educador físico e personal trainer* 11 dez 2021, 10h56

Desde muito novo, sempre fiz diversos esportes. Era uma criança ativa, que morava perto da praia, por isso pegava onda, andava de skate, jogava vôlei e futebol… Quando não tinha o que fazer, saía de casa para correr, fazer barras e paralelas. Competi de forma amadora em uma quantidade infinita de esportes, sendo a natação aquele em que mais me sobressaí.

Nunca entendi o motivo de a sociedade ver tanto problema em crianças pegando peso. Eu mesmo adorava testar minha força no cabo de guerra ou na queda de braço.

Por isso, antes de responder à pergunta central do texto, gostaria de convidar o leitor a relembrar as brincadeiras da sua infância. Além daquelas que citei, também subíamos e nos pendurávamos em árvores, brincávamos de luta e fazíamos esportes com salto e contato físico, não?

O que talvez você não saiba é que o termo “pegar peso”, dentro do contexto das ciências do esporte, é chamado de treino de força. Ele é caracterizado por exercer uma resistência contra o corpo de forma sistemática.

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Fazer agachamentos e flexões de braço com o peso corporal é uma forma de treino de força, assim como fazer agachamento e supino com barra na academia. O movimento é o mesmo, a diferença é que em alguns deles você adiciona uma sobrecarga externa (muita ou pouca, dependendo de diversos fatores).

Ao olhar o contexto de forma mais ampla, talvez você já tenha percebido que a expressão “pegar peso”, do ponto de vista do treinamento, não é aquela primeira imagem que vem à nossa cabeça – de uma pessoa levantando uma quantidade absurda de peso, de forma totalmente descontrolada e não quantificável.

Então, quando alguém me pergunta se uma criança pode pegar peso, eu respondo que “sim”, porque isso me remete a movimentos básicos de agachar, levantar um objeto ou suspender o corpo numa barra, que podem ou não estar adicionados de sobrecarga externa. Em todos esses casos, a criança exercita sua força muscular.

Pensando no treinamento de força em si, existem três princípios importantes para que possamos adicionar peso a um movimento:

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1. Domínio da técnica do exercício
2. Consistência (a centésima repetição deve ser exatamente igual à primeira)
3. Sobrecarga progressiva

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Com isso, acho que já fica bem mais claro entender por que não há motivo para proibir as crianças de pegar peso ou mesmo fazer um treino de força.

Raciocinando de uma forma crítica, isso deveria ser até incentivado. E o que faz toda a diferença aqui é contar com o devido acompanhamento profissional. Em um cenário em que o sedentarismo aparece cada vez mais cedo, as crianças precisam se movimentar mais e gastar melhor suas energias.

Ainda existe o mito de que pegar peso poderia ser prejudicial ao crescimento infantil, devido ao impacto na placa epifisária (região do osso responsável pelo crescimento).

Só que o estímulo mecânico de qualquer prática esportiva, incluindo o treino de força, aumenta a densidade mineral óssea, favorecendo o crescimento. O grande erro é querer comparar práticas esportivas excessivas com a prescrição de um treino adequado e supervisionado.

Claro que crianças querem se testar, brincar e, de alguma maneira, vão encontrar formas de competir e se superar. Daí a importância de uma orientação profissional qualificada, que leve em consideração a idade e as necessidades do garoto ou da garota.

Definitivamente, com consciência e sem abusos, esse tipo de atividade é bem melhor do que ficar deitado no sofá.

* Rafa Lund é profissional de educação física e personal trainer, mestre em ciências do desporto pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Portugal, e CEO e coordenador técnico do Studio de Treinamento Personalizado Lund Trainer 

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