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Com a Palavra Por Blog Neste espaço coordenado pelo jornalista Diogo Sponchiato, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

Na escola ou não, crianças e adolescentes precisam se exercitar

Um dia a dia ativo e com muitas brincadeiras é importante para a saúde. Mas como alcançar as metas preconizadas para jovens durante a pandemia de Covid-19?

Por Fabio Ceschini, profissional de educação física* Atualizado em 20 abr 2021, 19h21 - Publicado em 20 abr 2021, 13h55

Aulas online de educação física para crianças e adolescentes durante a pandemia de Covid-19 ajudam, mas elas não são o bastante para mantê-los suficientemente ativos. Fora que muitos alunos não têm acesso ao ensino remoto.

A herança do coronavírus para os jovens é séria do ponto de vista educacional, mental e, sobretudo, físico. A falta de exercícios regulares nessa faixa etária pode gerar disfunções de saúde lá na frente. O sedentarismo está associado ao desenvolvimento de doenças como obesidade, diabetes e hipertensão, mesmo em idades precoces.

Além disso, exercícios são diretamente ligados ao fortalecimento do sistema imune, que é a nossa barreira de defesa para qualquer vírus.

Um estudo brasileiro divulgado pela Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde mensurou o impacto da pandemia no comportamento de crianças de 5 a 10 anos de idade. Ele indica uma redução de 54% na prática diária de atividade física e um crescimento de 10% no tempo de sono.

Cabe aos pais e cuidadores se adaptarem e viabilizarem a prática de exercícios, mesmo durante o isolamento social. Orientações de um profissional de educação física podem ser valiosíssimos nesse sentido.

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Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que são necessários ao menos 60 minutos de atividade física por dia, em intensidade moderada a vigorosa, para a promoção da saúde de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos.

Para cumprir a meta, circuitos no quintal ou mesmo dentro de casa, alongamento na varanda e caminhadas, polichinelo e flexões são algumas das alternativas. A falta de espaço e a de tempo não podem ser um empecilho.

  • Aos responsáveis, friso a importância de separar um período no início da manhã ou ao final do dia para orientar a prática dos pequenos. Ou — melhor ainda! — para se exercitar em conjunto com eles. Eu sei quanto o cotidiano é corrido, mas meia hora a cada dia já fará uma diferença substancial.

    Para quem vai se exercitar fora de casa (como caminhar e andar de bicicleta), considere cumprir as atividades com o uso ininterrupto da máscara, porém com controle da exaustão. Sendo a prática com máscara algo novo para todos, deve-se respeitar o preparo físico e a tolerância de cada um. A orientação é fazer desse momento uma experiência prazerosa, lúdica e descontraída.

    Além dos cuidados a curto e médio prazo para a proteção de todos, minimizar os impactos dessa parada abrupta dos estímulos em nosso corpo deve ser um propósito. Senão, o preço lá na frente será alto demais. Com segurança, vamos fazendo o que é possível.

    * Fabio Ceschini é profissional de educação física e especialista em fisiologia do exercício, mestre em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP e doutor em Educação Física pela Universidade São Judas Tadeu. É também fundador da plataforma de ensino Viajando pela Fisiologia, que capacita profissionais de saúde e educação física na prescrição de treinos, sobretudo para pacientes com doenças crônicas.

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