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foto de Maisa Kairalla Chegue Bem Por Blog Você pode (ou melhor, deve) se preparar para um envelhecimento saudável. A geriatra Maisa Kairalla, da Universidade Federal de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, ensina como

O lugar onde você mora conta pontos para viver mais e melhor

O ambiente a comunidade onde estamos inseridos podem ajudar a chegar aos 100 anos com saúde, autonomia e alegria. Nossa colunista explica os porquês

Por Dra. Maisa Kairalla 25 ago 2020, 16h57

Não é de hoje que sabemos que o meio em que vivemos interfere com a nossa saúde. Mas temos cada vez mais evidências de que o ambiente e a comunidade onde estamos inseridos são um forte pilar para alcançarmos (ou não) uma boa longevidade.

A nova prova vem de um estudo interessante da Universidade do Estado de Washington, nos Estados Unidos. Pesquisadores analisaram índices como gênero, raça, nível educacional, vizinhança, meio ambiente e taxas de mortalidade na população acima de 75 anos desse estado americano. E concluíram que fatores como uma comunidade amigável, maior percentual de pessoas trabalhando e maior nível socioeconômico estão diretamente associados à probabilidade de se tornar um centenário.

O estudo reitera a noção de que há múltiplos fatores, muito além dos aspectos genéticos ou hereditários e dos cuidados clássicos com a saúde, que impactam em um envelhecimento saudável e sustentável. O contexto socioambiental é fundamental para que o idoso tenha mais chances de integrar o grupo dos longevos.

No Brasil, há muito a melhorar nesse sentido. Precisamos conscientizar a sociedade e as autoridades para que nosso país seja pensado e estruturado para o envelhecimento populacional. Isso passa por mudanças na esfera ambiental e social e por um trabalho contra o preconceito direcionado aos mais velhos.

Cidades preparadas e adaptadas para as especificidades dos idosos, que prezam pela mobilidade, autonomia e assistência à saúde, contam pontos para alguém passar dos 75 anos com qualidade de vida. É o que também comprova o trabalho de Washington, que constatou que mulheres, brancos e pessoas com maior poder aquisitivo e nível de escolaridade tendem a viver mais — e aqui vale sublinhar a desigualdade de renda e acesso à saúde gerando uma desigualdade nos níveis de longevidade.

Os pesquisadores americanos apontaram, no mapa do estado de Washington, as áreas mais propícias a esse envelhecimento ideal. Eles as chamaram de “zonas azuis”, em referência a um conceito aplicado às regiões com maiores índices de longevidade do planeta, caso de Okinawa (Japão), Sardenha (Itália), Nicoya (Costa Rica), Icária (Grécia) e Loma Linda (Estados Unidos).

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Em Icária, por exemplo, um em cada três habitantes dessa ilha grega no Mar Egeu vive pelo menos até os 90 anos. Seus moradores têm menos casos de demência e tendem a viver uma década a mais antes de desenvolver doenças cardíacas ou câncer.

À luz da ciência e dos comportamentos observados entre quem mora nas zonas azuis, podemos perceber que poucos locais no Brasil estão preparados para dar à sua população condições propícias a uma maior expectativa e qualidade de vida. Alguns pontos são nevrálgicos aqui, como a falta de assistência à saúde e a questão da mobilidade, sobretudo nos centros urbanos.

Ainda não estamos preparados para a nova realidade demográfica no nosso horizonte, em que a maior parte da população será composta de idosos. Idosos que podem ser funcionais, independentes e produtivos. Pesquisas, feitas inclusive no Brasil, demonstram que, quando se sentem mais ativas, as pessoas vivem mais e melhor.

Para mudar o cenário antes que seja tarde, a solução é pensar na velhice antes de chegar aos 60 anos. Isso vale para o plano individual mas também para o coletivo. Educar para envelhecer e construir um ambiente adequado a isso deveria começar bem mais cedo.

Os estudos das zonas azuis, corroborados pelos achados de Washington em muitos aspectos, revelam os segredos para obter uma longevidade saudável. São eles:

  • Manter-se física e mentalmente ativo
  • Ter um convívio social
  • Adotar uma alimentação equilibrada
  • Costurar vínculos com a família e os amigos
  • Manejar o estresse
  • Cultivar propósitos de vida
  • Cuidar dos sentimentos e sentir-se bem

Se você reparar, são medidas simples e possíveis. E a verdade é que muitas vezes passamos a vida esperando soluções mágicas em vez de entender que o poder de envelhecer está bem em nossas mãos.

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