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Síndrome da boca ardente: o que é, principais sintomas e tratamento

De origem desconhecida, esse quadro costuma causar dor e queimação na cavidade oral. Investigamos o que se sabe sobre ele

Por Thaís Manarini
Atualizado em 26 jul 2021, 16h03 - Publicado em 26 jul 2021, 12h34

Muitas condições de saúde ainda estão envoltas em certos mistérios. É o caso da síndrome da boca ardente, cuja causa exata segue desconhecida. A nossa leitora Edna Maria de Freitas Morais nos escreveu um e-mail pedindo uma reportagem sobre o tema.

Para esclarecer os pontos mais cruciais sobre a doença, fomos atrás da otorrinolaringologista Maura Neves, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF). Acompanhe:

Surgimento enigmático

Como adiantamos, ainda não se sabe quais motivos levam ao aparecimento da síndrome da boca ardente. “É uma doença pouco entendida”, resume Maura. “Muito provavelmente é causada por múltiplos fatores associados, entre físicos e psicológicos”, especula a expert. O início do problema pode ser súbito.

Os principais sintomas

A situação provoca, como o próprio nome indica, um incômodo do tipo queimação. “A dor se localiza, geralmente, nos dois terços anteriores da língua. Mas pode atingir a boca toda”, conta Maura. “Definimos como síndrome da boca ardente, ou glossodinia, quando a alteração ocorre, no mínimo, durante quatro a seis meses”, explica.

A médica nota que o termo “síndrome” é usado em alusão a outros sintomas que podem acompanhar a tal ardência, a exemplo de boca seca, modificação na função salivar e mudanças de percepção de paladar.

De acordo com Maura, estatísticas apontam que a alteração no paladar e até sensações “fantasma” de gosto ocorrem entre 11 a 69% dos pacientes. “As descrições são, normalmente, de intensificação da percepção dos sabores azedo e amargo e redução da assimilação do doce. Já a compreensão do salgado pode aumentar ou diminuir”, descreve a especialista.

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No dia a dia, alguns hábitos podem piorar essas manifestações, como uso de enxaguantes bucais com álcool, ingestão de bebidas alcoólicas e consumo de alimentos muito quentes, condimentados ou ácidos. “Alguns pacientes relatam piora quando estão muito cansados ou estressados”, lembra Maura.

Tratamento dentário e doenças associadas também podem disparar os sintomas.

Quem são as principais vítimas

Dados apontam que a síndrome afeta mais as mulheres, especialmente as que estão na pós-menopausa. “Mas pode acometer mulheres jovens e homens”, pondera a médica.

“Aparentemente, a frequência aumenta conforme a idade avança, tanto no sexo masculino como no feminino”, esclarece.

Existe tratamento?

Como a causa do problema é desconhecida, não há um caminho específico a seguir em termos de tratamento. No entanto, compensa muito buscar ajuda. “Normalmente, todo médico otorrinolaringologista está apto a fazer esse atendimento. Porém, há a área da estomatologia, que é a mais especializada”, ensina Maura.

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Segundo ela, o primeiro passo é avaliar o paciente globalmente, investigando, por exemplo, alterações nos níveis de vitaminas e minerais, doenças endocrinológicas e reumatológicas, uso de remédios e até câncer. Uma questão fundamental aqui é a presença de distúrbios psicológicos. “Eles estão presentes em 85% dos pacientes com síndrome da boca ardente”, revela a médica. Falamos de ansiedade, depressão, insônia e hipocondria.

“O exame físico também é fundamental para excluir infecções e outros problemas bucais que possam gerar esses sintomas”, completa a otorrino. Se necessário, o médico ainda pode solicitar exames de imagem.

“Vale sempre a tentativa para achar algo que possa aliviar o problema. É muito ruim viver permanentemente com dor”, finaliza a médica.

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