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O Futuro do Diabetes Por Blog Carlos Eduardo Barra Couri é endocrinologista e pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), além de autor do livro O Futuro do Diabete (Ed. Abril). Aqui ele mapeia os cuidados e os avanços para o controle do problema

Diabetes: inovações estão aí, mas precisamos resolver o básico

Pâncreas artificial, células-tronco e insulina inalável são avanços marcantes na luta contra o diabetes. Mas a realidade em nossos postos de saúde é outra

Por Carlos Eduardo Barra Couri 26 nov 2021, 10h11

O título desta coluna é “O Futuro do Diabetes”. O objetivo é sempre dividir novidades, perspectivas, lançamentos e estudos que despontam sobre a doença no mundo. Mas, no Novembro Azul – Mês do Diabetes, resolvi dar dois passos atrás.

Noticiamos aqui pesquisas com células-tronco, pâncreas artificial e lançamento da insulina inalável no Brasil, mas, em vários postos de saúde, faltam insulinas – e das antigas. Em diversas cidades não há caneta para a aplicação desse hormônio, e sim as velhas seringas.

Como pensar em controle da glicose sem picadinhas se, em inúmeros bairros, faltam tiras reagentes para medir a glicose na quantidade adequada?

Como controlar a epidemia de diabetes se 50% das pessoas com a doença desconhecem o seu diagnóstico por falta de acesso a exames ou ausência de informação?

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Como falar de saúde e bem-estar em diabetes se temos milhares de casos de amputações, cegueira e necessidade de hemodiálise devido aos altos níveis de glicose no sangue?

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Como falar dos novos medicamentos que controlam a glicose e, ao mesmo tempo, previnem doenças cardiovasculares, se a grande maioria dos brasileiros sequer sabe da relação entre diabetes e infarto, derrame cerebral e insuficiência cardíaca?

Ah, se tivesse uma vacina contra todos os tipos de diabetes…. Mas, infelizmente, não temos. Não há vacina contra maus hábitos alimentares e sedentarismo.

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E engana-se quem pensa que o Brasil gasta pouco com diabetes. Na verdade, o País parece um cachorro querendo morder o próprio rabo: em vez de investir em políticas de prevenção e tratamento efetivos, desembolsa muito dinheiro no tratamento das caras sequelas.

Para piorar, o diabetes é silencioso, sorrateiro…. E é um problema de toda a nossa sociedade, já que um em cada dez brasileiros convive com a doença.

Sem urgência para resolver as pendências que temos hoje, nunca poderemos sonhar vigorosamente com um futuro melhor.

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