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Com a Palavra Por Blog Neste espaço coordenado pelo jornalista Diogo Sponchiato, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

Check-up cardiológico para nossos futuros atletas

Médica explica a importância da avaliação cardiológica de crianças e adolescentes, sobretudo para aqueles que ingressam no mundo do esporte

Por Isabela Rangel, cardiologista pediátrica* 24 jul 2021, 11h33

Ao contrário do que muita gente pode pensar, o check-up cardiológico não é importante apenas na vida adulta. Crianças e adolescentes também deveriam fazê-lo, mesmo sem apresentar sintomas de doenças cardiovasculares. A avaliação cardiológica, além diagnosticar arritmias e anomalias estruturais do coração e dos grandes vasos, também tem como objetivo identificar fatores de risco nessa população.

E por que isso é relevante? A cada mil nascidos vivos, dez são portadores de uma cardiopatia congênita. O desenvolvimento cardiovascular anormal é responsável por um longo espectro de patologias, com grande variabilidade de expressões clínicas, desde sintomas graves até a ausência de manifestações.

Não é à toa que as cardiopatias congênitas e as adquiridas devem estar no escopo de visão dos pediatras. Pacientes com alguma mudança nos exames, mesmo apresentando avaliação cardiológica anterior normal, devem ser sempre reavaliados.

Isso ganha ainda mais importância se pensarmos que frequentemente recomendamos a prática de atividade física para crianças e adolescentes. Os benefícios dos exercícios desde a infância estão mais do que estabelecidos, inclusive por reduzir o risco de várias doenças, entre elas as cardiovasculares, ao longo da vida.

Mas é essencial saber se há algum impedimento ou recomendação específica para a prática esportiva. Por isso, antes de iniciar qualquer atividade, são prudentes a consulta e o check-up cardiológicos.

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Há vários casos de jovens atletas que descobriram problemas cardíacos congênitos ou adquiridos no auge da carreira, sem nenhum sintoma prévio. Além do risco, muitas vezes fatal, o diagnóstico tardio leva ao término da carreira, gerando uma frustração.

Com o objetivo de prevenir o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e detectar precocemente enfermidades causadoras de morte súbita, tanto a Associação Americana do Coração como a Sociedade Europeia de Cardiologia hoje endossam a triagem médica pré-participação esportiva, embora haja certas divergências sobre a melhor abordagem. Cabe lembrar que muitos atletas iniciam sua trajetória ainda na adolescência.

No Pro Criança Cardíaca, no Rio de Janeiro, fazemos o protocolo de acordo com a idade e a categoria (amador ou profissional). Todos são avaliados clinicamente e realizam o eletro e o ecocardiograma, além do exame de sangue. Aqueles que forem seguir como atletas profissionais irão realizar também o teste ergométrico e, em alguns casos, o holter 24h.

Crianças ou adolescentes que praticam atividade física amadora, mas que apresentam alguma alteração, podem necessitar prosseguir avaliação com mais exames. Sempre recebemos em nossa instituição crianças e adolescentes para avaliação cardiológica visando à liberação para a atividade física, notadamente atletas ligados ao futebol.

Recentemente, o Pro Criança Cardíaca e o Instituto Reação firmaram uma parceria para oferecer aos jovens atletas um atendimento cardiológico completo, a fim de que possam competir com mais segurança. Esse tipo de cuidado pode e deve ser replicado Brasil afora. Pelo bem dos mais jovens e dos nossos futuros atletas.

* Isabela Rangel é cardiologista pediátrica e diretora médica do Pro Criança Cardíaca (RJ), instituição social sem fins lucrativos que cuida há 25 anos de crianças cardíacas carentes

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