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Com a Palavra Por Blog Neste espaço coordenado pelo jornalista Diogo Sponchiato, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

Câncer de pele é uma doença séria, sim

Avanços no tratamento permitem que o melanoma, o tipo mais agressivo do câncer de pele, tenha um prognóstico mais positivo. Mas não podemos baixar a guarda

Por Antônio Carlos Buzaid, oncologista* 15 dez 2020, 10h10

O último mês do ano marca a campanha do Dezembro Laranja, que nos lembra de olhar com cuidado para o maior órgão do corpo: a pele. A iniciativa pretende conscientizar a sociedade sobre o câncer de pele. Muito se fala sobre a doença, mas nem todos conhecem o melanoma especificamente. Apesar de ser o menos incidente — são estimados 8 450 novos casos por ano —, é o tipo mais agressivo.

Prevenção e diagnóstico precoce são sempre as palavras de ordem, mas sabemos que o melanoma pode evoluir de modo agressivo e tem potencial de se espalhar para outros órgãos (metástase). Por isso, precisamos falar urgentemente sobre dois pontos: conscientização da gravidade desse câncer e a realidade da medicina personalizada.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 55 mil pessoas morrem em decorrência do melanoma todos os anos, o que representa seis mortes por hora. Esse dado alarmante mostra como é fundamental se aprofundar no assunto, além de compreender como as terapias para essa doença têm evoluído. E há boas novas nesse sentido.

O melanoma da pele tem como principal causa a luz ultravioleta. Ela produz mutações nas células que se acumulam ao longo do tempo, promovendo a doença. Presente em 50% dos casos, a mutação mais comum ocorre em um gene chamado BRAF. Para os pacientes com essa alteração, por exemplo, hoje contamos com um tratamento que integra a chamada terapia-alvo. O remédio mira essa mutação presente no código genético do tumor e, com isso, gera um aumento significativo no tempo e na qualidade de vida.

Outra opção é a imunoterapia, que não age diretamente no tumor. Na realidade, ela estimula o sistema imunológico do paciente de forma que ele mesmo destrua as células cancerígenas. O melanoma foi inclusive o primeiro tipo de câncer a contar com um remédio pertencente à imunoterapia moderna.

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Em ano de isolamento social, vale destacar que os medicamentos de terapia-alvo são administrados via oral e podem ser tomados em casa. Já quimioterapia, radioterapia e imunoterapia exigem internação e deslocamento às clínicas. Mas que fique claro: se você tiver indicação médica para esses tratamentos, não deixe de fazê-los por medo de ir ao hospital!

  • Prevenção e diagnóstico dependem de atitudes simples

    A melhor forma de prevenção é uma velha conhecida da população, porém ainda pouco colocada em prática. Sim, eu me refiro ao filtro solar e às barreiras físicas, como roupas apropriadas, chapéus e óculos escuros. Também é recomendável evitar atividades ao ar livre entre 10 e 16 horas.

    Quanto ao diagnóstico, uma maneira fácil de memorizar como identificar os sinais sugestivos do melanoma é a regra do “ABCDE”. Cada letra representa um ponto a ser analisado em pintas ou manchas:

    • Assimetria: uma metade da pinta ou mancha é diferente da outra
    • Borda: elas são irregulares, entalhadas ou dentadas
    • Cor: muitas vezes apresentam tonalidade desigual. Tons de preto, marrom e canela ou áreas brancas, cinza, vermelha ou azul podem estar presentes
    • Diâmetro: ele tende a superar os 5 milímetros
    • Evolução: uma pinta ou mancha que vem mudando de tamanho, forma, cor, aparência ou coçando ou sangrando.

    Esses sinais não significam que você esteja com melanoma, mas são um indicativo para procurar um médico quanto antes. Quando detectado nos estágios iniciais, as chances de cura do melanoma excedem 90%. Por isso o diagnóstico precoce é tão importante. Com a proximidade do verão, vale reforçar mais uma vez a importância de usar filtro solar e evitar exposição excessiva ao sol.

    *Dr. Antônio Carlos Buzaid é diretor geral do Centro Oncológico da Beneficência Portuguesa de São Paulo e membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein

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