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Com a Palavra Por Blog Neste espaço coordenado pelo jornalista Diogo Sponchiato, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

A fadiga do Zoom e dos encontros e reuniões virtuais

O uso e abuso de ferramentas de videoconferência virou rotina na pandemia do coronavírus. Mas pode se tornar um fardo à nossa mente e ao nosso corpo

Por Luciana Lancha e Antonio Herbert Lancha Junior, especialistas em nutrição, atividade física e bem-estar* Atualizado em 18 ago 2020, 16h15 - Publicado em 18 ago 2020, 12h29

A nova realidade frente à pandemia de Covid-19 obrigou todo mundo a adaptar sua rotina e mudou o jeito de trabalhar, dar ou assistir aula, participar de reuniões e encontros familiares, curtir uma happy hour com os amigos… Agora tudo (ou quase tudo) acontece por meio de videoconferência, aplicativos de celular e programas de computador.

Ferramentas como Zoom, Google Hangouts e Skype se tornaram fundamentais para o trabalho e a vida social, mas o acúmulo de atividades nesses meios virtuais pode ser exaustivo. Não à toa, já existem pesquisas e estudiosos lá fora falando em uma nova síndrome, a chamada Zoom Fatigue, ou, em bom português, a fadiga do Zoom, em referência a um dos aplicativos mais populares para encontros a distância.

Por que ficamos tão cansados diante dessas interações remotas? Os especialistas dizem que a comunicação por vídeo exige mais atenção dos participantes para perceber sinais não verbais que acompanham as falas e que, pela tela, se mostram mais discretos. Eles se referem também a uma dessincronia provocada pela comunicação por vídeo.

Nós, seres humanos, usamos uma variedade de vocalizações devidamente sintonizadas, gestos e movimentos para nos comunicar, e contamos com respostas precisas dos outros para saber se estamos sendo compreendidos. Os cientistas chamam isso de sincronia. Se um atraso for introduzido a esse sistema, mesmo que seja de apenas milissegundos, inconscientemente nossos cérebros registram isso como um problema e trabalham para tentar superá-lo e restaurar a sincronia.

  • Além disso, nas conversas presenciais percebemos outras formas de comunicação não verbal, como a linguagem corporal, que na videoconferência saem de cena, obrigando as pessoas a se concentrar ainda mais.

    Muitos dos programas utilizados para essas chamadas e reuniões possuem a ferramenta de chat, útil na troca de informação, mas que também pode levar à distração com conversas paralelas ou ainda exigir mais atenção entre os interlocutores. Olha a fadiga chegando…

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    Tem mais: nosso lar virou academia, estação de trabalho, espaço de lazer e local em que fazemos todas as refeições. Isso dificulta separar cada uma dessas atividades e traz a sensação de que o tempo todo estamos com alguma tarefa a cumprir — o que, cá entre nós, não é força de expressão.

    Alguns hobbies (como cozinhar) viraram obrigação. Algumas obrigações, que antes eram divididas com ajuda externa, agora precisam ser assumidas exclusiva e internamente por você ou a família. O corpo e a mente podem pagar o preço.

    Como evitar que a fadiga do Zoom e de outros apps de videoconferência acabe com a gente? Vale a pena repensar e reduzir o número e o tempo de chamadas, fazer pausas entre elas, levantar da cadeira e se movimentar um pouco, sentar e posicionar celular ou computador de forma adequada… Não adianta assistir aula ou entrar em reunião deitado no sofá ou esparramado no sofá, né? Assim como nosso cérebro agradece se fizermos uma coisa por vez: pare com essa história de fechar a câmera para responder WhatsApp, ler e-mail enquanto vê uma palestra etc.

    Mais importante ainda: permita-se um horário para não fazer nada. Nada na frente da tela do celular ou do computador. Para isso, você deve organizar sua agenda e aprender também a dizer “não”. Lembre-se: dizer “sim” para todos significa, muitas vezes, dizer “não” para você mesmo.

    * Luciana Lancha é nutricionista, doutora pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em wellness coaching

    Antonio Herbert Lancha Junior é professor titular da Escola de Educação Física e Esporte da USP e colunista de VEJA SAÚDE

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