Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês

O que os sonhos têm a dizer sobre a sua saúde?

Estudos indicam que a fase onírica do sono dá pistas sobre problemas psiquiátricos e neurológicos, auxiliando os experts a cravarem o diagnóstico correto

Por Luiza Monteiro Atualizado em 3 Maio 2019, 11h18 - Publicado em 28 Maio 2014, 22h00

Diversas pesquisas apontam que os sonhos podem sinalizar males como Alzheimer, Parkinson e até depressão.
Ilustração: Milton Rodrigues Alves

Na Grécia antiga, encontrar o tratamento para uma doença era relativamente simples: bastava passar uma ou várias noites no templo de Asclépio, o deus da medicina, e, ao acordar, expor o que se havia sonhado a um sacerdote capaz de apontar o caminho da cura. Mal previam os gregos que práticas semelhantes começariam a ser usadas em pleno século 21 para identificar transtornos na cabeça. Mas com uma diferença um tanto significativa: agora, a leitura dos sonhos vem contemplada com uma dose generosa de tecnologia.

Exemplo disso vem de uma pesquisa das universidades federais do Rio Grande do Norte e de Pernambuco. Os neurocientistas gravaram o relato de histórias e imagens oníricas de 60 pessoas, sendo que algumas eram portadoras de esquizofrenia, outras de transtorno bipolar, e uma terceira parcela não apresentava desordens mentais. Usando um programa de computador que transformava a fala dos voluntários em diagramas – nos quais cada palavra era representada por um ponto, e a sequência entre elas, por setas -, a equipe notou que, ao narrarem o que haviam sonhado, pacientes esquizofrênicos e bipolares geravam gráficos distintos. “O discurso de ambos os grupos já era em si bastante diferente”, conta a psiquiatra Natália Mota, principal autora da investigação. Com os diagramas em mãos, foi possível diagnosticar os dois distúrbios de forma mais precisa. Um achado nada desprezível, já que eles possuem sintomas parecidos e que dificultam bater o martelo em suas fases iniciais.

Parkinson e Alzheimer

A sequência de imagens exibidas à mente enquanto dormimos também sinalizaria o aparecimento de males neurológicos, como Parkinson e Alzheimer. É o que sugere um trabalho liderado pela Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. Os cientistas perceberam que um dos seus primeiros sinais pode ser o chamado distúrbio comportamental do sono REM, no qual o indivíduo perde o marasmo completo típico desse momento e passa a vivenciar seus sonhos (muitas vezes violentos) e se debater. “Pacientes que sempre sonham com lutas e agressões devem ser avaliados nesse sentido”, alerta o neurologista Luciano Pinto, expert em medicina do sono da Academia Brasileira de Neurologia.

Já há indícios, aliás, de que outras encrencas cerebrais – tais quais depressão e enxaqueca – se manifestem nesses filmes a que assistimos de olhos pregados.

É preciso estudar mais

Para muitos médicos, a vocação clínica dos sonhos tem um longo caminho antes de chegar ao consultório. “Os estudos ainda não dão completa evidência de que isso possa ser usado como meio diagnóstico”, diz o neurocirurgião Antônio De Salles, coordenador do Núcleo de Neurociência do Hospital do Coração, em São Paulo. À espera de novos dados e respostas, talvez já valha a pena dar mais atenção ao que se passa na nossa cabeça na hora do sono. Afinal, apoiada em ciência de ponta, a medicina dos sonhos parece estar na rota certa para virar realidade.

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação confiável salva vidas. Assine Veja Saúde e continue lendo.

Impressa + Digital

Acesso aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias e revista no app.

Acesso ilimitado ao site da Veja Saúde, diariamente atualizado.

Blogs de médicos e especialistas.

Receba mensalmente Veja Saúde impressa mais acesso imediato às edições digitais no App, para celular e tablet.

a partir de R$ 14,90/mês

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos no site e ter acesso a edição digital no app.

Acesso ilimitado ao site da Veja Saúde, diariamente atualizado.

Blogs de médicos e especialistas.

Acesso imediato ao app da Veja Saúde, com as edições digitais, para celular e tablet.

a partir de R$ 9,90/mês