Assine VEJA SAÚDE por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Coronavírus melhorou ou piorou a alimentação? Depende do seu grupo social

Há estudos mostrando que o brasileiro passou a comer melhor na pandemia, enquanto outros apontam o contrário. Explicamos o que as diferenças significam

Por Nathalie Ayres
Atualizado em 23 fev 2021, 12h20 - Publicado em 13 nov 2020, 20h01

O coronavírus virou a vida do brasileiro de cabeça pra baixo — e a alimentação não é exceção. Só que, enquanto dois estudos sugerem melhorias nos hábitos à mesa no Brasil, outro aponta pioras. Por que conclusões tão discrepantes? E o que tirar de cada levantamento?

Comecemos pela pesquisa NutriNet, conduzida no Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP). Os experts colheram respostas sobre a dieta de brasileiros entre os dias 6 de janeiro e 15 de fevereiro de 2020 e, depois, repetiram o processo entre o 10 e o 19 de maio. Ou seja, há informações de antes e depois da pandemia.

A investigação revela aumentos pequenos, mas significativos, no consumo de verduras e legumes (de 87,3% para 89,1%), frutas (de 78,3% para 81,8%) e leguminosas (de 53,5% para 55,3%).

Essa tendência positiva é reforçada por uma enquete mais recente (feita de 22 de setembro a 6 de outubro), encomendada pela Herbalife Nutrition e conduzida pela One Poll. A “Pesquisa Global Sobre Hábitos Alimentares na Pandemia” abordou 28 mil pessoas de 30 países (mil são daqui) e indica que 50% dos brasileiros afirmaram estar consumindo mais frutas e verduras após a chegada da Covid-19. Já 45% disseram que vem ingerindo mais itens à base de plantas e 43% alegaram reduzir o espaço da carne no cardápio.

O outro lado da dieta nacional

Já um terceiro estudo, a ConVid Pesquisa de Comportamentos, traz conclusões diferentes. A partir de questionários preenchidos por 44 mil brasileiros, os cientistas notaram uma maior dificuldade de consumir alimentos saudáveis cinco vezes ou mais por semana. O trabalho, conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal de Minas Gerais, conclui:

• 33% das pessoas afirmaram consumir legumes e verduras cinco vezes ou mais na semana durante a pandemia, contra 37,3% antes dessa crise
• No caso das frutas, o número caiu de 32,8% para 31,9%
• Quanto às leguminosas, 31,9% disseram comê-las cinco vezes ou mais por semana durante a pandemia. Mas 32,8% alegaram que tinham esse hábito positivo antes do desembarque do coronavírus

Além disso, a pesquisa revela um crescimento no consumo de alimentos ultraprocessados, que são ligados a diferentes problemas de saúde:

• 10% dos voluntários admitiram ingerir congelados (como pizzas, lasanhas e pratos prontos) em dois ou mais dias na semana antes da pandemia. A taxa aumentou para 14,6% durante a pandemia
• Quando o assunto são salgadinhos de pacote, o índice subiu de 9,5% para 13,2%
• Por fim, o consumo de doces (que incluem chocolates, biscoitos e pedaços de tortas ou bolos) foi de 41,3% para 47,1%.

Continua após a publicidade

Parte dessa diferença entre os estudos pode ser explicada pela forma com a qual os pesquisadores questionaram os voluntários. Ora, métodos diferentes trazem dados diferentes.

Mas outro ponto importantíssimo é o perfil dos entrevistados — e daqui podemos tirar ensinamentos. O próprio relatório do estudo NutriNet, da USP, admite que o trabalho da Fiocruz selecionou um grupo de respondentes com características sociodemográficas mais representativas de toda a população adulta do Brasil.

No caso da NutriNet, 78% do público analisado era composto por mulheres e quase 80% morava no Sul e no Sudeste. Conclusão: estamos falando de um grupo mais feminino e rico do que a média nacional.

Isso sugere que as mulheres podem se cuidar melhor em tempos de pandemia e que o dinheiro é importante para manter a alimentação saudável, especialmente numa crise que afetou a economia.

Continua após a publicidade

A habilidade feminina de não deixar o coronavírus sabotar a dieta parece ser confirmada por outro estudo da USP — esse conduzido pela Faculdade de Medicina da instituição. Focado apenas em mulheres (74,5% da região Sudeste), ele coletou respostas de 1 183 participantes entre junho e setembro de 2020. Os dados mostram que elas estão cozinhando mais, abandonando dietas radicais e reduzindo a ingestão de álcool.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

A saúde está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA SAÚDE.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou

Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.