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5 perguntas e respostas sobre castração

Conheça as vantagens, as técnicas, a idade ideal e os cuidados na hora de mandar seu pet para o bisturi

A castração é considerada essencial para evitar futuros abandonos e a exposição dos gatos e cachorros a doenças. Abaixo, você tira as principais dúvidas sobre o procedimento:

1. Por que a castração é tão importante?

Em primeiro lugar, para evitar que nasçam possíveis vítimas do abandono humano. As superpopulações de cães e gatos contribuem, por sua vez, para o alastramento de epidemias como raiva e leishmaniose, a maior zoonose do país. Mas o controle populacional é apenas uma parte da questão.

Em termos de bem-estar animal, a castração reduz o risco de câncer de mama e infecção no útero para as fêmeas, assim como diminui a propensão a câncer de próstata entre os machos. Os animais também ficam mais tranquilos, brigam menos e não têm os descontrolados impulsos sexuais dos adultos em idade reprodutiva.

O procedimento ainda facilita a vida dos tutores, porque reduz a demarcação de território com urina pelos machos, acaba com o sangramento vaginal das cadelas e evita os miados excessivos das gatas no cio. A castração também pode ser vista como uma boa solução financeira para quem não pode arcar com os custos de uma ninhada depois da outra.

2. Como é o passo a passo?

Antes de mais nada, é preciso fazer os exames de sangue para ver se o animal está apto a ser castrado. A triagem também inclui uma avaliação da condição cardíaca e de fatores como idade e raça. Se o animal estiver pronto para o procedimento, ele deve ficar 12 horas em jejum de comida e água antes de tomar a anestesia. Depois, é sedado e tem os pelos na região pubiana raspados para a cirugia.

Feita a intervenção, há um breve período de recuperação até que ele recobre a consciência e o veterinário avalie seu estado de saúde. De volta para casa, deve usar as roupas cirúrgicas ou os colares para evitar que coce o local da incisão.

“O autotraumatismo é uma das principais complicações no pós-operatório”, aponta a veterinária Mariana Talib, do Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo.

São receitados também antibióticos, analgésicos e anti-inflamatórios. O período de alta normalmente demora de sete a dez dias, quando são removidos os pontos.

Quanto custa?

O preço da cirurgia muda de acordo com a espécie, o tamanho, o sexo e a técnica adotada, entre outros fatores. Na capital paulista, por exemplo, a castração de um gato macho pode custar de 120 a 800 reais; e a de uma fêmea, de 200 a mais de 1 mil reais.

Os valores e a variação de tarifa são semelhantes para cães machos abaixo dos 10 quilos. Já para cadelas pequenas, o procedimento fica entre 300 e 1 500 reais. Nos animais de porte grande, a esterilização pode ultrapassar os 2 mil reais.

Uma opção para quem não tem condições de pagar é recorrer aos mutirões de castração gratuita de ONGs e prefeituras. Entidades como a Arca Brasil, ONG especializada em proteção animal, indicam, em seu site, veterinários que oferecem castrações a preços mais acessíveis.

3. Existe idade certa para fazer?

A castração em animais jovens é mais tranquila e rápida do que nos adultos. O tamanho e o peso corporal são menores, o que facilita o trabalho dos veterinários. Também fica mais fácil visualizar os testículos e os ovários, diminuindo o sangramento e o tamanho das incisões.

No caso dos felinos, pode ser feita depois dos 6 meses, quando eles já têm um porte físico mais desenvolvido. O procedimento também pode ser realizado em cães com até 1 ano de vida, dependendo do porte do animal. Raças menores, por exemplo, atingem a maturidade sexual por volta dos 8 meses; as maiores, aos 12 ou 14 meses.

Para as fêmeas, o certo é esperar o primeiro cio, entre o oitavo e o décimo mês nas pequenas e até o 12º mês nas maiores. Cadelas não castradas ou castradas depois do terceiro cio têm 26% de probabilidade de desenvolver tumores mamários, que podem virar câncer. Essa porcentagem cai para 8% nas que são castradas logo após o primeiro cio.

Nas gatas, a ameaça de tumores, benignos ou não, é de 89% para as que só são operadas entre o primeiro e o segundo ano de idade. Essa probabilidade é reduzida para 14% nas castradas antes dos 12 meses.

4. Quais são as técnicas mais usadas?

Para os machos, o método clássico é a orquiectomia. As variações dessa técnica dependem do lugar em que é feita a incisão e das estruturas costuradas.

Nos cães, o corte costuma ser na região anterior ao escroto. Cada testículo é retirado de sua capinha interna, como se fosse o conteúdo de uma uva. O cirurgião remove os testículos e faz a costura em algum dos tubinhos por onde passam os espermatozoides com um nó das próprias estruturas ou fio cirúrgico. Nos gatos, a diferença é que a incisão geralmente é feita diretamente no escroto.

Nas fêmeas, o principal método é a ovariossalpingo-histerectomia, a OSH. O procedimento-padrão inclui uma incisão no abdômen, cortes e costuras nos ovários e a ligadura das trompas. Outra alternativa menos invasiva é a técnica do gancho, que faz uma pequena incisão na pele e outros três cortes acima das artérias laqueadas.

“Esse método, praticado hoje nas clínicas e prefeituras de todo o Brasil, permite realizar dezenas de cirurgias em um único dia, tornando o procedimento mais acessível”, observa Marco Ciampi, presidente da Arca Brasil.

5. A castração pode deixar sequelas?

Toda intervenção cirúrgica pode envolver efeitos colaterais — e não é diferente com a castração. Animais castrados, tanto machos quanto fêmeas, viram mais comilões do que o normal, o que pode levá-los à obesidade. É o que mostra uma revisão de estudos publicada por uma equipe da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Segundo os pesquisadores, felinos esterilizados apresentam maior risco de diabetes em função da elevação dos níveis de insulina — a comilança pode elevar as taxas do hormônio para compensar o exagero.

Esterilizações precoces em fêmeas também estão ligadas a consequências indesejadas, como incontinência urinária e genitália infantil. Essa última ocorre por causa da diminuição antecipada dos hormônios reprodutivos, essenciais para o desenvolvimento físico do bicho, e pode acarretar inflamação na região genital.

Outras pesquisas sugerem que alterações hormonais como hipotireoidismo tendem a ser mais frequentes em animais castrados, embora não haja uma razão clara para isso.

Na maioria dos casos, os problemas são evitados realizando o procedimento na idade certa e ficando atento aos sinais estranhos no pós-operatório. A veterinária Mariana Talib garante: “A castração é considerada uma intervenção segura e benéfica a longo prazo”.

A castração dentro da lei

Em 2016, a esterilização obrigatória de gatos domésticos foi decretada pelo governo da Valônia, região no sul da Bélgica. Os bichos devem ser castrados até os 6 meses de idade e depois são registrados no CatID, base de dados que recolhe informações básicas de animais e cuidadores. Isso ajuda a identificar os responsáveis pelo gato em casos de perda ou abandono.

Para monitorá-los, veterinários autorizados implantam um microchip no lado esquerdo do pescoço. A lei entrou em vigor em novembro de 2017.

No Brasil, apesar de projetos nessa toada, ainda não há legislação que obrigue tutores ou o poder público a fazer o procedimento.