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Black das Blacks com preço absurdo

“Viver em um mundo neurotípico é difícil”, diz mulher que descobriu autismo aos 42 anos

Em novo livro, autora compartilha os desafios de quem está no espectro autista

Por Larissa Beani Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
29 nov 2025, 08h07
Livro aborda dificuldades de pessoas autistas enfrentando um mundo pouco aberto à neurodiversidade (Ricardo Davino/Veja Saúde)
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O que é ser normal? Ser capaz de estudar em salas barulhentas e lotadas, tornando-se insensível aos estímulos? Ou, então, não ter interesses especiais e conhecer superficialmente um pouco de tudo?

Como a jornalista sueca Clara Törnvall aponta com perspicácia, ser “normal” (ou neurotípico) não necessariamente é ser melhor ou especial.

Diagnosticada dentro do espectro autista aos 42 anos de idade, a comunicadora questiona o que são limitações e virtudes nesse mundo concebido sem considerar a neurodiversidade.

“Todo mundo tem pontos fortes e fracos. Mas os autistas têm pontos fortes e fracos diferentes dos neurotípicos”, escreve em seu livro O Universo Autista (clique aqui para comprar), recém-lançado pela editora Latitude. 

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Manual de sobrevivência

Livro reúne relatos e orientações para que pessoas do espectro autista se sintam mais acolhidas 

Amizades

Aproximar-se de outras pessoas autistas e levar suas experiências e conselhos em consideração é a primeira das dicas de Clara Törnvall para tornar a vida mais leve e inclusiva.

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Não se compare aos neurotípicos. Eles operam em uma frequência diferente”, avisa. Conseguir expressar quem realmente é para não ter que se adaptar a situações desconfortáveis é a pista de que você está construindo boas amizades.

O número de amigos não importa — escolha bem e mantenha por perto aqueles que te ouvem e te entendem. Quem faz piadas, comentários depreciativos ou acha que o autismo recebe atenção exagerada não deve entrar no círculo.

Amores

Namorar não precisa ser uma obrigação nem um tormento. “Tente encontrar uma pessoa carinhosa, que valorize os seus pontos fortes”, orienta a autora.

Não importa se ela é neurotípica ou autista também, o essencial é haver conexão e tolerância para algumas dificuldades que alguém dentro do espectro possa enfrentar.

É bom deixar algumas condições alinhadas. Quando a pessoa quer ficar sozinha, não é sinal de que ame menos. Ela também não está sendo preguiçosa quando deixa algo por fazer.

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O reality Amor no Espectro, disponível na Netflix, acompanha casais autistas que são uma grande inspiração. Para facilitar a busca por um parceiro, aplicativos como o Hiki e o Autism Date podem ajudar.

+ Leia também: Afinal, o que significa ser neurodivergente?

Escola

No Brasil, alunos autistas têm direito à matrícula em todo tipo de colégio, à adaptação do ensino e ao apoio pedagógico. Quando comprovada a necessidade, mediante laudo médico, pode ser solicitado um professor auxiliar em sala de aula para suprir as demandas.

O jovem também tem direito ao Plano de Ensino Individualizado (PEI), que adapta o programa de acordo com a necessidade de quem tem alguma deficiência, transtorno do desenvolvimento ou altas habilidades.

Se nada disso for respeitado, a solução é mudar de escola. “Quando a única opção é continuar em uma disputa inútil, que prejudica todos os envolvidos, é melhor se retirar”, diz Törnvall.

Rotina

“Viver em um mundo neurotípico é difícil”, admite a autora, que tentou se adaptar às normas, mas só encontrou paz ao descobrir o diagnóstico e reconhecer suas qualidades e dificuldades enquanto uma pessoa no espectro autista.

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“Se você tentar suprimir seu autismo e competir nos termos dos outros, sinto muito em lhe informar: você vai perder.”

Para Törnvall, é importante não reprimir estereotipias, aceitar as próprias características e diminuir a intensidade da rotina e torná-la a mais previsível possível.

Fazer terapia é fundamental, mas é preciso encontrar o profissional certo, que realmente ajude a pessoa autista a florescer. 

+ Leia também: Autismo: cientistas identificam 4 subtipos do transtorno

Estímulos

Parte de se conhecer e abraçar as suas características é aprender a ouvir o seu corpo e impor limites aos outros para que respeitem a sua hipersensibilidade a estímulos. Isso é um desafio quando tudo, mesmo as formas mais comuns de cumprimento e celebrações, incluem toques e barulhos altos.

Ter um bom par de fones ou abafadores de ruído pode salvar o seu dia em um ambiente neurotípico. Em relação a abraços, apertos de mão e olhares, o lance é aprender a lidar com os códigos de conduta escondidos no mundo neurotípico.

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“É uma linha tênue para a gente navegar”, conclui a autora no livro.

O Universo Autista, de Clara Törnvall

livro-universo-autista

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