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Sim, traumas de infância interferem na saúde mental dos adultos

Vivências negativas nessa época, de acordo com pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), patrocinam distúrbios como transtorno de ansiedade anos depois

Por Giovana Feix Atualizado em 23 ago 2019, 18h12 - Publicado em 3 out 2017, 14h18

Dita em voz baixa, calma e até um pouco enigmática, a frase “Fale-me sobre sua infância” é provavelmente a primeira que vem à cabeça de quem imagina um psicoterapeuta. E essa pergunta acaba de ganhar mais um reforço da ciência: uma tese de mestrado defendida na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) determinou a importância da primeira infância (até os 6 anos de idade) para a saúde mental dos adultos. E mais: relacionou os diferentes tipos de trauma dessa época a males mentais específicos que desenvolvemos mais adiante na vida.

Para isso, foram analisados 120 indivíduos de 26 a 42 anos — 30 eram saudáveis, enquanto o restante possuía transtornos de ansiedade ou de estresse pós-traumático. Essas condições costumam ter um sintoma em comum, que também foi avaliado atentamente: o chamado déficit de discriminação ambiental. Ele consiste na dificuldade de interpretar o meio social em que o indivíduo está inserido. Pode ser na família, no trabalho ou na faculdade, por exemplo.

Causa e consequência

Pesquisadora responsável pelo levantamento, a psicóloga Vanessa Fernandes Fioresi descobriu que a maioria dos que sofriam de transtornos pós-traumáticos tinha passado por experiências chocantes de cunho mais geral durante a primeira infância. São situações de violência, por exemplo, ou desastres naturais — e geralmente acontecem de forma abrupta.

Já os participantes com transtorno de ansiedade generalizada tendiam a ter passado por traumas mais emocionais que os demais quando crianças. Isso envolvia desde abusos sexuais até a percepção de não ter valor como pessoa. Na hora de reconhecer os sentimentos no rosto de outras pessoas, boa parte deles tinha mais facilidade do que o comum para identificar a expressão do nojo.

Por outro lado, não foi possível relacionar a fobia social a eventos na infância. A psicóloga por trás das descobertas explica que, para o surgimento essa condição, o mais determinante é ter uma personalidade com traços de neuroticismo. Características como impulsividade, instabilidade emocional e baixa tolerância à frustração, portanto, estão relacionadas à encrenca.

Com o diagnóstico de transtornos de ansiedade se multiplicando a cada dia ao redor do mundo (principalmente no Brasil, que lidera o ranking da Organização Mundial da Saúde), é provavelmente o caso de voltarmos nossas atenções para a qualidade de vida proporcionada a nossas crianças. Não é mesmo?

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