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Escitalopram: bula, para que serve e como tomar

O nome completo desse medicamento é oxalato de escitalopram, e ele é utilizado no tratamento de depressão e ansiedade. Veja os prós e efeitos colaterais

Por Lucas Rocha
Atualizado em 24 jan 2024, 16h06 - Publicado em 24 jan 2024, 16h06

O oxalato de escitalopram é um medicamento utilizado no tratamento de depressão e de ansiedade. O fármaco atua no ajuste de concentrações inadequadas de neurotransmissores, como a serotonina, que estão associadas aos sintomas desses transtornos.

A medicação é de uso controlado – logo, deve ser utilizada somente com prescrição médica. Além disso, assim como a maior parte dos antidepressivos, leva um tempo para que os efeitos possam ser percebidos. Por isso, o acompanhamento da terapia por um psiquiatra é imprescindível.

“O medicamento não causa dependência, mas é de tarja vermelha, com uso controlado”, afirma o psiquiatra Bruno Pascale Cammarota, da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. “Infelizmente, sabemos que o remédio é vendido de forma clandestina. O risco de tomar o escitalopram sem acompanhamento está ligado aos efeitos colaterais, inclusive o de alimentar ideias suicidas em pessoas que já tenham esse indício”, complement.

Saiba mais sobre como funciona o medicamento.

+ Leia também: Antidepressivos e perda de libido: o que você precisa saber

O que é o escitalopram?

O escitalopram é um medicamento antidepressivo da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), que são amplamente utilizados devido ao seu perfil de segurança e efeitos colaterais mais leves.

Ele age diretamente sobre o cérebro ao inibir a recaptação da serotonina. Assim, o fármaco induz um aumento da disponibilidade desse neurotransmissor para os neurônios.

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Com isso, ao longo do tempo, a terapia busca reduzir os impactos dos sintomas e aprimorar o estado de humor do paciente.

Para que serve o medicamento?

Apesar de fazer parte da classe dos antidepressivos, o escitalopram não serve apenas para o tratamento da depressão.

“Ele é utilizado também para tratar e prevenir a recaída ou recorrência de diversos outros quadros mentais, como os transtornos de ansiedade”, afirma a psiquiatra Naiayde Monte, membro do Programa de Transtorno Bipolar da Universidade de São Paulo (Proman/USP) e da comissão científica da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata).

O medicamento é indicado ainda para o manejo do transtorno do pânico e do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

+ Leia também: Insônia nunca mais: os caminhos para superar o problema

Formas de administração e a posologia do escitalopram

A medicação está disponível em duas versões: na forma de comprimido e também na apresentação líquida, ambas para serem tomadas via oral. A dosagem recomendada varia de acordo com o transtorno associado à necessidade do tratamento, e da da resposta de cada pessoa ao tratamento.

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Nesse contexto, a condição de saúde e os benefícios da terapia devem ser reavaliados periodicamente a critério do psiquiatra. “A depender do caso e da doença, também determinamos por quanto tempo o paciente precisará utilizar a medicação”, complementa Naiayde.

A seguir, listamos algumas indicações (lembre-se de que elas são apenas referências, que necessariamente precisam passar por uma individualização com o psiquiatra):

Depressão: tratamento e prevenção da recaída ou recorrência

A dose recomendada normalmente costuma ser de 10 miligramas (mg) ao dia. Dependendo da resposta individual, pode ser aumentada pelo psiquiatra até o máximo de 20 mg ao dia. Após a remissão dos sintomas, o tratamento em geral é mantido por pelo menos seis meses.

Transtorno do pânico

Dose inicial para a primeira semana seria de 5 mg ao dia, aumentada a seguir para 10 mg diários. Pode ser aumentada até o máximo de 20 mg, sempre a partir de avaliação médica. O tratamento é de longa duração.

+ Leia também: TDAH: o que é, como diagnosticar, e quais são os tratamentos

Transtorno de ansiedade social (ou fobia social)

A dose comum é, em geral, de 10 mg ao dia. O ajuste pelo médico pode tanto reduzir para 5 mg quanto aumentar ao limite de 20 mg. Nesse caso, o tratamento mínimo recomendado costuma ser de três meses.

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Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

Muitas vezes o tratamento começa em 10 mg ao dia. A dose pode ser elevada até um máximo de 20 mg ao dia. Para consolidação da resposta, o tratamento costuma perdurar por ao menos três meses.

Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)

A dosagem inicial fica, na maioria das vezes, em 10 mg diários. Ela pode ser aumentada até o limite de 20 mg, a critério médico. Por ser uma condição crônica, o tratamento do TOC se prolonga, em geral, até o desaparecimento dos sintomas.

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Escitalopram pode ser utilizado no tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) (Foto: Freepik/Divulgação)

Quanto tempo leva para o escitalopram fazer efeito

Um dos principais desafios na administração de antidepressivos é o exercício da paciência, visto que os benefícios podem demorar um tempo para aparecer.

“No caso do escitalopram, a medicação começa a fazer efeito em torno de duas a três semanas“, diz a psiquiatra.

Além disso, a sua eficácia depende da adesão correta e da continuidade do tratamento, de acordo com o período e a dosagem determinados pelo psiquiatra.

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Quais são as contraindicações?

O uso de escitalopram não é recomendado para crianças e adolescentes menores de 18 anos. Para idosos acima de 65 anos, a orientação é iniciar o tratamento com metade da dose mínima usualmente recomendada.

Como orientação de praxe, o uso deve ser evitado por pessoas alérgicas a qualquer um dos componentes da fórmula (veja a bula abaixo).

Também não devem tomar o escitalopram indivíduos que usam remédios conhecidos como inibidores da monoaminoxidase. A lista inclui selegilina, para o Parkinson, o antibiótico linezolida e o antidepressivo moclobemida.

Por fim, também é vedado o uso de pacientes que já tiveram algum episódio de arritmia cardíaca ou que usem fármacos que podem afetar o ritmo do coração.

Efeitos adversos do escitalopram

Como todo medicamento, o escitalopram pode provocar efeitos colaterais. “As reações adversas mais comuns são náuseas, boca seca, coriza, aumento ou diminuição do apetite, redução da libido, sonolência ou insônia, sudorese e tremores”, pontua Naiayde.

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No caso específico de pacientes com transtorno bipolar que se encontram na fase de depressão, durante o tratamento pode acontecer uma virada para a fase maníaca. Ela é caracterizada por mudanças incomuns e repentinas de ideias, além de sentimentos como alegria exagerada ou inapropriada e atividade física excessiva.

Alterações significativas no padrão de comportamento devem ser comunicadas ao médico, que pode decidir pela melhor forma de contornar o problema.

Por ser um antidepressivo, a mudança na posologia ou a interrupção do tratamento por conta própria representa um risco significativo à saúde.

“Podem surgir sintomas de descontinuação, tais como tontura, dor de cabeça, tremores, irritabilidade, ansiedade e insônia, e retorno precoce dos sintomas dos transtornos mentais para os quais o medicamento vinha sendo usado”, alerta a psiquiatra.

Bula do escitalopram

A leitura da bula é indicada antes de se utilizar qualquer medicação, especialmente no caso de medicamentos controlados, como o escitalopram. O documento reúne informações detalhadas sobre modo de usar, posologia, armazenamento, possíveis efeitos colaterais e contraindicações.

Acesse a bula do escitalopram disponibilizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aqui.

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