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A vida sexual de quem tem TDAH

Expert destaca como o déficit de atenção e hiperatividade pode complicar o sexo - e aponta caminhos para resolver o problema

Por Theo Ruprecht Atualizado em 20 fev 2020, 10h31 - Publicado em 25 jan 2018, 17h01

Pessoas com TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) têm um risco duas vezes maior de contrair uma doença sexualmente transmissível. Elas ainda possuem uma probabilidade três vezes maior de fazer sexo sem preservativo – e as meninas têm um risco 3,6 vezes maior de engravidar entre 12 e 15 anos.

Esses dados foram apresentados pela psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, durante um seminário no fim do ano passado. SAÚDE aproveitou para conversar com a especialista sobre os desafios que os pacientes com TDAH precisam superar para desenvolver uma vida sexual saudável. Veja abaixo:

SAÚDE: Por que discutir a sexualidade no contexto do TDAH é importante?

Carmita Abdo: Não dá para definir um perfil único do indivíduo com esse problema. Alguns sofrem com hiperexcitação, outros deixam de transar pelo incômodo de não conseguirem se concentrar no ato em si… Mas o fato é que estamos falando de pessoas que desenvolvem mais comportamentos de risco. Elas apresentam uma chance maior de ter doenças sexualmente transmissíveis ou uma gravidez precoce. Falar do assunto ajuda o paciente a contornar suas dificuldades mais íntimas.

Há um tabu até no consultório?

Em alguns casos, sim. E isso é uma pena, porque discutir a sexualidade ajuda a fazer um diagnóstico mais completo. Vários dos sintomas iniciais do TDAH podem se manifestar pelo sexo. O paciente nem sempre fala sobre o tema por vergonha ou por achar que é irrelevante para o tratamento. Daí a necessidade de o psiquiatra perguntar sobre sexo, nem que seja só para mostrar que ele pode ser abordado ali. Não à toa, o Conselho Federal de Medicina passou a considerar a sexualidade também como área de atuação da Psiquiatria.

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Os medicamentos para transtornos psiquiátricos também interferem nas atividades sexuais?

Sim, e esse é outro motivo para debater o assunto. Vários remédios podem reduzir o apetite sexual. Se não falarmos abertamente sobre isso, a pessoa às vezes para de seguir o tratamento sem sequer consultar o profissional. E há alternativas para esses casos.

Tem como melhorar a relação dos pacientes com o sexo?

Certamente. Temos várias técnicas e exercícios. Agora, o mais importante é começar a falar do assunto, inclusive no ambiente familiar. Com a ajuda do profissional, pais e mães devem conversar com o jovem que tem TDAH para ver se algo relacionado ao sexo o está incomodando.

Outras doenças psiquiátricas também afetam o sexo?

Um dos primeiros sinais da esquizofrenia é a falta de interação sexual. Em geral, um adolescente busca o sexo com frequência. Se há uma falta de motivação, podemos pensar em psicose, embora vários outros fatores entrem em jogo aqui.

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