Mpox, varíola, varíola dos macacos, monkeypox… Entenda de vez a diferença entre os termos e as doenças
Expressões que batizam a infecção com 140 casos no Brasil ainda geram dúvidas; saiba a que se referem
Com mais de 500 casos suspeitos e 140 confirmados pelo país, a mpox entrou no radar de preocupação das autoridades sanitárias e da população. Mas ainda se faz muita confusão sobre os termos que denominam a doença viral transmitida por contato próximo e responsável por sintomas como erupções na pele, febre, mal-estar e dor de cabeça.
Mpox se refere a uma infecção causada por um vírus do gênero Orhopoxvirus, da família Poxviridade. É o mpox vírus (MPXV). Ele pertence ao mesmo clã de outro vírus famoso e devastador na história da humanidade, o da varíola, que felizmente foi erradicado por meio da vacinação em 1980.
O parentesco entre eles também é delatado pelo nome. Como explica o virologista e colunista Paulo Eduardo Brandão, varíola, em inglês, é smallpox, termo originário de pox, que, por sua vez, vem de pocc, palavra em inglês antigo para “pústulas”. Ora, as pústulas, essas bolhas por vezes desfigurantes na pele, são a principal característica visível da varíola – e também podem dar as caras na mpox.
Mpox que vem de monkeypox devido ao animal em que se identificou pela primeira vez o patógeno do surto atual, os macacos. Por causa da descoberta entre primatas, o vírus ficou conhecido como o causador da varíola dos macacos. Mas ele não vem de macacos, daí a rejeição científica à expressão.
Confuso? Vamos explicar por partes.
Varíola
Uma das maiores chagas da humanidade durante séculos, a doença viral de alta letalidade e por trás de inúmeras sequelas se originou de uma zoonose, isto é, um micro-organismo que “saltou” de uma espécie animal para outra. Ela chegou entre os homens e aprendeu a ser transmitida entre a gente, propagando-se desenfreadamente por meio do contato próximo.
A varíola foi a primeira doença alvo de uma vacina, ainda no século 18, e, graças aos esforços massivos de imunização, também a primeira infecção humana erradicada da face da Terra, em 1980. Hoje ela não é propagada por aí e os patógenos só existem em laboratórios de alta complexidade para estudo.
Varíola dos macacos e monkeypox
Na década de 1950, cientistas dinamarqueses descobriram um novo vírus integrante da família do agente responsável pela varíola. Um parente do patógeno da smallpox.
Ele foi identificado em macacos que eram objeto de pesquisa em um laboratório escandinavo. Por isso, foi denominado monkeypox, traduzido como varíola dos macacos.
Só que se desvendaria que o nome e a origem da moléstia estavam equivocados. Pois o hospedeiro natural desse vírus são roedores que habitam florestas da África Ocidental e Central.
Esse micróbio também tem raízes zoonóticas e aprendeu a “pular” de humano em humano, ainda que não tenha a habilidade e a transmissibilidade de uma gripe.
Quando, no início dos anos 2020, casos da infecção se multiplicaram na população mundo afora, a expressão “varíola dos macacos” logo foi evocada. Mas os especialistas correram para desfazer o mal-entendido – e até evitar que pessoas atacassem pobres primatas pela associação.
Os cientistas e as grandes entidades de saúde pública, entre elas a OMS, passaram a adotar “mpox” como uma forma mais assertiva (e menos errônea) de se referir à enfermidade que, embora não tenha potencial pandêmico, vem afetando nossa espécie continuamente.
Mpox
Com os termos “monkeypox” e “varíola dos macacos” deixados de lado, a palavra “mpox” ganhou circulação, assim como o vírus no início deste ano no Brasil.
A doença é transmitida após contato próximo ou íntimo com alguém infectado e costuma gerar febre, dores de cabeça e pelo corpo, sensação de mal-estar e as pox, as lesões em formato de bolha que podem se estender pela pele.
O Ministério da Saúde computa, por ora, 140 casos confirmados, sendo que mais de 90 se concentram no estado de São Paulo. A prevenção envolve isolamento de pacientes suspeitos e uso de uma vacina para grupos de maior risco.
Não houve mortes por causa da mpox no Brasil neste ano. A maioria dos casos apresenta manifestações leves ou moderadas. Mas o acompanhamento médico continua decisivo, pois, a depender do estado de saúde, a infecção pode evoluir para complicações, por vezes até fatais.







