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PMMA: o que é e quais são os riscos da substância usada em preenchimentos

Morte de influencer após preenchimento acende mais um alerta para os procedimentos estéticos feitos por pessoas não habilitadas

Por Lucas Rocha
Atualizado em 5 jul 2024, 14h51 - Publicado em 5 jul 2024, 09h52

A realização de procedimentos estéticos por profissionais não habilitados com graves consequências retorna ao centro das atenções. Desta vez, o caso envolve a morte da influenciadora digital e modelo Aline Ferreira, de 33 anos, moradora de Brasília, após implante nos glúteos de polimetilmetacrilato, mais conhecido pela sigla PMMA.

A vítima foi submetida ao procedimento em uma clínica estética de Goiânia. Alguns dias depois, teve febre e foi internada. Faleceu em 2 de julho, por causas não divulgadas. A Polícia Civil de Goiás informou que a dona do estabelecimento foi presa na quarta-feira, 3, suspeita de crimes contra as relações de consumo.

A mulher foi autuada em flagrante por induzir o consumidor a erro, uma vez que se apresentava como biomédica sem ter formação, por execução de serviço de alta periculosidade contrariando autoridade competente e por exercício ilegal da medicina. A polícia vai instaurar investigação para averiguar se houve lesão corporal seguida de morte.

Diante do episódio, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) emitiu uma nota alertando que procedimentos estéticos invasivos devem ser feitos por médicos habilitados e com situação regular no Conselho Regional de Medicina (CRM).

“Procedimentos que usem a substância PMMA devem ser indicados e realizados por médicos, pois podem produzir resultados imprevisíveis e indesejáveis, incluindo reações incuráveis e persistentes”, destacou a SBD em nota.

+ Leia também: Entre a beleza e o perigo: os riscos dos procedimentos estéticos

O que é e para que serve o PMMA?

O polimetilmetacrilato (PMMA) é um componente plástico com diversas funções na área da saúde e em outros setores produtivos.

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A aplicação da matéria-prima varia de acordo com as formas de processamento do produto. A substância está presente em itens como lentes de contato, implantes de esôfago, cimento ortopédico, entre outros.

No contexto de procedimentos estéticos, o recurso é útil para o preenchimento cutâneo, com uso específico por profissionais habilitados. Nesse caso, o PMMA é utilizado em microesferas, numa forma semelhante ao gel, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

+ Leia também: Peeling de fenol: 5 passos para garantir a segurança do procedimento

Vale destacar que o produto não é recomendado para fins estéticos generalizados por diversas entidades médicas.

A SBD frisa que a substância é um recurso importante para o tratamento de pacientes que apresentam perda localizada e significativa de gordura, quadro clínico conhecido por lipoatrofia severa.

As causas do problema incluem componentes genéticos, uso de medicamentos, agravamento da aids, traumas e inflamações crônicas.

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Procedimentos estéticos invasivos devem ser feitos por médicos, alerta SBD (Ilustração: Jonatan Sarmento e Estúdio Coral/SAÚDE é Vital)

+ Leia também: Sociedades médicas destacam os riscos do chip da beleza

O uso de PMMA é autorizado pela Anvisa?

No Brasil, esse tipo de material precisa ser registrado na Anvisa, sendo considerado um produto de uso em saúde da classe de risco máximo. De acordo com a agência, há registros de produtos para essa finalidade há mais de dez anos no país.

Entre as autorizações de aplicação, estão casos como:

Ajuste de lipodistrofia: condição que leva à concentração de gordura em algumas partes do corpo.

Correção volumétrica facial e corporal: tratamento de alterações, como irregularidades e depressões no corpo.

A concentração de PMMA em cada produto varia. Além disso, existem indicações específicas dos locais do corpo onde podem ser feitas as aplicações.

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Por isso, a utilização requer avaliação prévia de saúde e não pode ser desvinculada do atendimento médico em local adequado. “Vale destacar que a realização de tratamentos devem ser feitos em estabelecimentos de saúde, como consultórios médicos, clínicas e hospitais, locais onde é possível observar os quesitos de biossegurança dos procedimentos”, pontua a SBD.

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Quais os efeitos colaterais e riscos do PMMA?

O uso da substância pode causar reações imediatas ou em curto prazo, tais como:

  • inchaços locais
  • processos inflamatórios
  • reações alérgicas
  • formação de caroços na pele, também chamados de granuloma.

Em nota, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) alerta para o aumento de procedimentos com o material no mundo. “Com a invasão de profissionais não médicos e novas áreas de tratamento, observa-se um aumento no número de casos de necrose de pele, perda de visão, alterações neurológicas e até morte”, diz o texto.

A entidade reforça a recomendação de procurar médicos especialistas para o uso de injetáveis com segurança.

“Os preenchedores definitivos, como é o caso do PMMA, por serem substâncias estranhas ao corpo, podem causar formação de biofilme e inflamação local crônica, além de aumentar a possibilidade de infecção, que, se não tratada adequadamente, pode levar a complicações mais graves”, explica o cirurgião-plástico Fernando Amato, membro da SBCP.

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A cirurgiã-plástica Patrícia Marques, que também integra a SBCP, explica que, uma vez injetado, o material se espalha pelo tecido e não pode ser facilmente retirado, como uma prótese de silicone, por exemplo.

“O PMMA é bastante procurado por não ser absorvido pelo corpo, mas pode causar reações imprevisíveis a longo prazo. Ele ‘endurece’ no local aplicado e pode causar complicações com sequelas irreversíveis, como infecções crônicas e deformidades”, alerta Patrícia.

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