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Opioides para dor elevam risco de infecções graves como meningite

Essas substâncias – usadas em certos remédios contra incômodos mais fortes – podem favorecer bactérias por trás de doenças graves

Os remédios com opioides, comumente receitados para controlar dores fortes, devem ser tomados com muito critério. Cientistas do Centro Médico da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, descobriram que o uso indiscriminado dessas substâncias (a morfina é um exemplo) pode levar a infecções severas, como é o caso de meningite e pneumonia.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores cruzaram dados públicos da prescrição dessas drogas com a de internações por causa de bactérias perigosas. Aí veio o resultado: quando comparados a não usuários de opioides, aqueles que receberam esse tipo de tratamento apresentaram um risco 62% maior de sofrer com a bactéria Streptococcus pneumoniae.

Apesar de o nome sugerir que só cause pneumonia, essa inimiga da saúde deflagra diferentes enfermidades, a exemplo da meningite. A taxa de mortalidade por ela vai de 5 a 20%. Não é pouca coisa.

De acordo com os pesquisadores responsáveis pela novidade, o risco é especialmente alto ao ingerir opioides mais potentes e em altas doses. Subtipos dessa substância que, em estudos com animais, mostraram uma capacidade de suprimir o nosso sistema imune, conferem um perigo adicional.

Aí que está: embora o estudo em si não tenha avaliado a justificativa para essa associação, uma hipótese é a de que tais fármacos atrapalhem o trabalho das nossas células de defesa. Com isso, uma bactéria oportunista teria mais espaço para provocar estragos.

Os estudiosos consideram o experimento relevante pela influência que o resultado pode ter na decisão de médicos. Os opioides exigem prescrição, mas são cada vez mais usados, principalmente nos Estados Unidos.