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OMS cria metas para eliminar o câncer do colo de útero

Os tumores cervicais são evitáveis com a vacinação do HPV, mas seguem vitimando centenas de milhares de mulheres no mundo. Como acabar com isso?

Por Chloé Pinheiro - 28 ago 2020, 15h42

Apesar de prevenível com vacinação e detecção precoce do HPV e de ter uma chance de cura que beira o 100% se flagrado em estágios iniciais, o câncer de colo de útero ainda é muito comum e perigoso. Esse tumor, o quarto mais frequente no público feminino, matou 300 mil mulheres só em 2018.

Pensando nisso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou recentemente um guia para acabar com esse câncer até 2030. A entidade considera que ele estará eliminado quando todos os países mantiverem uma taxa de incidência menor do que quatro casos em cada 100 mil mulheres.

Por aqui, são 151 brasileiras com a doença para cada cem mil — cruzando os dados da nossa população do IBGE com informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca). São estimados 16 590 novos casos e cerca de 6 500 mortes ao ano. No Brasil, ele é o terceiro câncer mais comum no sexo feminino e o quarto que mais mata.

Vacinação contra HPV precisa aumentar

A estratégia da OMS se baseia em três pilares: prevenção pela vacinação do HPV, rastreamento de lesões pré-cancerosas e tratamento e assistência com cuidados paliativos às portadoras de tumores de colo de útero invasivos (que já se disseminaram para outras camadas do órgão ou partes do corpo).

Pra quem não sabe, o HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo — a sigla remete ao papilomavírus humano, intimamente ligado ao câncer cervical. Após invadir o organismo feminino, ele pode promover alterações no DNA das células do colo do útero que, com o tempo, fomentam um tumor.

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A maioria das mulheres já entrou em contato com algum tipo de HPV, alguns deles mais cancerígenos que outros. Embora a camisinha reduza bastante o risco de infecção, ela não o zera. Mais um motivo para tomar a vacina.

Esse inimigo da saúde pode ser flagrado com um teste de HPV. Já as primeiras lesões que ele provoca são detectáveis com o Papanicolau, um exame simples, feito no consultório do ginecologista. Com diagnóstico precoce, dá para remover essas lesões antes mesmo de elas virarem um câncer.

Para eliminar o câncer de colo de útero como um problema de saúde pública, a OMS acredita ser necessário vacinar 90% das meninas de até 15 anos contra o HPV até 2030. No Brasil, o imunizante está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2014 e é indicado para meninas dos 9 aos 14 anos e para meninos de 11 a 14, entre outros públicos.

O fato é que ainda estamos longe de atingir esse objetivo. Pouco mais de 40% das adolescentes no país recebeu as duas doses recomendadas, segundo as estimativas mais recentes do Ministério da Saúde, de 2018.

Além dos 90% de cobertura vacinal, estão entre as metas da OMS fazer exames de rastreamento em 70% das mulheres até os 35 anos e tratar 90% das diagnosticadas com lesões pré-cancerosas ou malignas até 2030. Em troca, 62 milhões de mortes seriam evitadas até 2120, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

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