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O HPV aumenta o risco de infecção por HIV

Novo estudo revela que o HPV, e em especial alguns subtipos dele, facilitaria a infecção pelo vírus da aids

Por Maria Tereza Santos Atualizado em 8 dez 2020, 14h52 - Publicado em 31 out 2018, 13h28

Principal doença viral transmitida pelo sexo, a infecção pelo papilomavírus humano (HPV) pode não apenas causar câncer, mas facilitar a infecção por HIV. É isso o que diz um estudo feito por cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

“Apesar de muitas pesquisas mostrarem uma conexão geral entre os dois vírus, nossos achados ilustram uma forte relação entre tipos específicos de HPV e o contágio por HIV”, afirma Brandon Brown, professor da faculdade de medicina da universidade e líder do estudo, em comunicado à imprensa. Pois é: o HPV conta com diversos subtipos – alguns estão relacionados ao câncer, enquanto outros causam mais verrugas genitais.

Os cientistas investigaram essa ligação em homens homossexuais e mulheres transgênero em Lima, no Peru. O trabalho contou, inicialmente, com a participação de 600 pessoas de 18 a 40 anos, recrutadas em bares, clubes, quadras de vôlei, um centro de saúde local e mídias sociais. Do total, 530 eram portadores do HPV.

Os requisitos para participar da pesquisa eram dois: não carregar o vírus da aids antes do início do experimento e ter feito sexo anal com homens da cidade nos 12 meses anteriores.

Durante dois anos, todo esse pessoal era examinado fisicamente e respondia questionários sobre suas relações sexuais. Além disso, a cada seis meses, eles realizavam um teste para detectar a eventual presença do HIV.

Dos 571 indivíduos que permaneceram até o fim da investigação, 73 adquiriram o vírus da aids (12,8%). Entre eles, 97,3% carregavam também o HPV no corpo, contra 87,6% dos que não possuíam o HIV. Note que as taxas de infecções pelo papilomavirus humano são altíssimas em ambos os grupos, porém há uma diferença considerável aí.

Além disso, 79,5% dos indivíduos que contraíram o HIV tinham mais de um tipo de HPV circulando pelo organismo – sim, é possível ser infectado por diversas versões desse inimigo –, ante 58,2% da outra turma.

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Os especialistas identificaram ainda a presença de tipos de HPV de alto risco (com potencial cancerígeno) em 72,6% dos participantes que posteriormente foram diagnosticados com o vírus da aids. Já entre os que escaparam da invasão do HIV, esse número era de 51,4%

Por fim, os cientistas descobriram que o risco de desenvolver aids é maior em quem foi atacado pelo HPV dos tipos 16, 18, 31, 33, 35, 52 e 58. Com exceção do 35, todos os outros fazem parte do pacote de proteção da vacina nonavalente (ela ainda não está disponível na rede pública brasileira).

O motivo por trás de tantas associações? Ainda não se sabe ao certo. Mas, por precaução, o ideal é se prevenir.

A importância da vacina contra o HPV

Usar camisinha e evitar ter muitos parceiros até ajudam a evitar essa encrenca. Entretanto, a vacina é realmente a maneira mais eficiente de lutar contra o HPV.

No Brasil, ela é oferecida gratuitamente nos postos de saúde para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, até porque o ideal é que as doses sejam aplicadas antes da iniciação sexual.

Porém, segundo Brandon Brown, mesmo que o imunizante não seja recebido antes da primeira transa, ele ainda assim é benéfico. Isso porque protege contra doenças associadas a uma eventual infecção e, de quebra, afasta diferentes subtipos do vírus, como já dissemos.

“Sabemos que essa é a infecção sexualmente transmissível mais comum. O que precisamos agora é enfatizar que a vacinação é o melhor caminho para preveni-la. Nos Estados Unidos, ela é menos aplicada que outras vacinas e, nos países em desenvolvimento, sua procura é baixa ou ausente”, conclui o professor.

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