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Novo capítulo para a perda de peso

Edição de VEJA SAÚDE mostra como uma abordagem mais empática aliada às últimas recomendações da ciência faz toda a diferença diante da obesidade

Por Diogo Sponchiato 18 jun 2021, 14h36

Tratar de sobrepeso e obesidade — seja como jornalista nestas páginas e telas, seja no consultório de médicos, nutricionistas e companhia — é pisar num dos terrenos mais complexos e desafiadores do universo da saúde. Falamos, para recorrer a um termo infelizmente batido, de outra pandemia que não parece ter fim. Pelo contrário: os números do excesso de peso seguem em ascensão.

E a Covid-19 veio pesar na balança. VEJA SAÚDE encomendou uma pesquisa à Toluna, que ouviu 826 brasileiros e constatou que seis em cada dez engordaram com a crise do coronavírus. É uma epidemia alimentando a outra… O que parecia uma rota cheia de percalços e ciladas se transformou num labirinto com saídas ainda mais difíceis.

No livro As Metamorfoses do Gordo (Editora Vozes), o historiador francês Georges Vigarello explica que, nos ares cada vez mais individualistas do século 20, a obesidade passou a revelar o “fracasso em se transformar”. É uma das vestes estigmatizantes que a condição carrega ao longo do tempo: do glutão medieval ao sujeito moderno que, com tantos recursos e informações na palma da mão, não tem força de vontade para mudar.

Se há 500 anos a sociedade reservava certo prestígio a algumas pessoas acima do peso (reis, nobres, clérigos…), a era em que vivemos costuma destinar a esses indivíduos o cantinho da derrota e da exclusão. Talvez o fracasso a que o professor se refere se aplique hoje à própria “batalha” contra a obesidade, professada pela mídia, por profissionais de saúde e pelas redes sociais.

E a ironia histórica é que, se no passado homens ricos ostentavam seu poderio também em forma de gordura, no século 21 são os trabalhadores e os pobres que exibem quilos demais — resultado do acesso a um padrão de vida mais calórico, sedentário e barato. Sim, a obesidade é democrática.

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Essa pesada reflexão vem à tona para falar de uma mudança de capítulo na história do ganho de peso. Cientes de que o estigma e a culpa só tornam as rotas do emagrecimento mais pedregosas, os especialistas buscam agora unir uma abordagem mais sensível e respeitosa ao paciente com as últimas recomendações científicas — que englobam alimentação, exercícios, remédios etc.

Não podemos deixar de ver a obesidade como doença crônica, mas isso não significa nutrir rótulos e padrões de magreza nem cair na gordofobia. São esses novos rumos ao encarar a perda de peso que a jornalista Thaís Manarini aborda na nova edição. Não há receita de bolo (diet!). Os caminhos e as saídas passam por bom senso, respeito, ciência e empatia.

  • Um capitão parte para outras águas

    Eu costumo dizer que o editor Theo Ruprecht é o capitão do barco que reformulamos e aperfeiçoamos para navegar nos mares virtuais. Pois esse jornalista paulistano protagonizou a transformação digital de VEJA SAÚDE, ampliando e aprofundando nossa atuação com site, vídeos, podcasts e redes sociais.

    Isso depois de mais de uma década cobrindo um rol extenso de temas na revista, com especial apreço pelas pautas ligadas a estilo de vida, atividade física e saúde pública. Os mares ficaram ainda mais revoltos com a pandemia da Covid-19, mas o capitão manejou o leme e, formulando conteúdos contextualizados e baseados em estudos, colocou nosso portal entre os com maior audiência e relevância no segmento. Agora o capitão deixa o barco com outra missão no horizonte. Obrigado, Theo! Bons ventos o guiem!

    Troféu para VEJA SAÚDE

    Faturamos um dos prêmios mais cobiçados do mundo do design jornalístico: nossa revista foi reconhecida no internacional SND 42, The Best of Print News Design Creative Competition, pela série de infográficos sobre a Covid-19. No pódio, subimos ao lado de The New York Times, Boston Globe e National Geographic.

    Parabéns à editora de arte Letícia Raposo, que supervisionou a obra toda, e aos demais autores: Eduardo Pignata e Laura Luduvig (design); André Moscatelli, Rodrigo Damati, Guilherme Henrique e Filipe Campoi (ilustração); e André Biernath e Chloé Pinheiro (texto).

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