Clique e assine VEJA SAÚDE por R$ 6,90/mês

Mundo pode atingir 2,8 milhões de mortes por Covid-19 até fim do ano

Essa projeção de mortes por coronavírus traz ainda um cenário mais otimista e outro pessimista, dependendo de como combateremos a pandemia daqui em diante

Por Chloé Pinheiro - Atualizado em 11 set 2020, 10h15 - Publicado em 11 set 2020, 10h10

Se as políticas públicas de prevenção e a adesão às máscaras de agora se mantiverem as mesmas no mundo como um todo, poderemos chegar a 2,8 milhões de mortos pela Covid-19 no final de dezembro de 2020. Mas, se os governos relaxarem demais as políticas de distanciamento social, as vítimas fatais do coronavírus (Sars-CoV-2) podem subir para 3,9 milhões.

Estamos falando de números preocupantes: no dia 11 de setembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou 905 mil óbitos confirmados pela doença esse ano. Ou seja, de agora até o fim de dezembro, o planeta apresentaria um crescimento nas mortes muito superior ao visto desde o começo da pandemia. A projeção é do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde da Universidade de Washington (IHME), nos Estados Unidos.

No melhor cenário, eles calculam 2 milhões de vidas perdidas. Isso se o uso de máscaras se tornar praticamente universal e regras de isolamento forem adotadas assim que a taxa de mortalidade diária de um país superar 8 pessoas por milhão. Ao adotar essas estratégias, salvaríamos mais de 750 mil vidas até o fim de 2020.

A análise considera dados globais, inclusive os do Brasil. Aqui, se comportamentos e leis seguirem como estão, o modelo aponta 175 mil mortes de janeiro até 31 de dezembro — ou 177 mil se a flexibilização se ampliar. Por outro lado, adotar estratégias de mitigação mais rígida e a utilização maciça das máscaras pouparia 16 mil vidas no nosso território.

As limitações de um modelo matemático no caso do coronavírus

O panorama desenhado pelo IHME é chocante, mas vale ressaltar que estimativas como essa são criadas a partir de modelos matemáticos. É uma espécie de simulação que combina diferentes dados da vida real em equações.

Nessa projeção americana, foram consideradas as seguintes informações: número atual de mortes, prevalência de anticorpos contra o coronavírus na população, novos casos, taxas de testagem, mobilidade das pessoas, uso de máscara, características da população, legislações sobre distanciamento social, entre outros.

Continua após a publicidade

Projeções assim são amplamente utilizadas pela ciência, porém devem ser interpretadas com cautela. Tratam-se de estimativas que sofrem interferência da qualidade dos dados regionais disponíveis, dos parâmetros utilizados pelos pesquisadores e por aí vai. No Brasil, os números da pandemia não são tão robustos — há, por exemplo, subnotificação e um atraso considerável entre o momento da morte do paciente e sua inclusão nas estatísticas oficiais.

Trocando em miúdos, a projeção serve como um alerta. Ela ajuda as autoridades e a população a tomar certas decisões, contudo não é uma sentença. O próprio IHME calculou que o Brasil atingiria 125 mil mortes até o fim de agosto. Isso aconteceu pouco tempo depois, no dia 4 de setembro.

Hemisfério Norte pode viver pico de coronavírus no inverno

De acordo com essa estimativa, uma das maiores justificativas para o aumento considerável nos óbitos até o fim do ano é a chegada do inverno no Hemisfério Norte. Quando a pandemia de Covid-19 começou a explodir no mundo, em março, Europa e Estados Unidos estavam no fim dos meses mais frios do ano, época em que as infecções respiratórias virais se tornam mais frequentes.

Nas projeções mais pessimistas do IHME, o mundo pode chegar a 30 mil mortes diárias em dezembro. O recorde até agora é de 8 mil, em abril. O cenário estipula, se tudo ficar na mesma, cerca de 960 mil óbitos nas Américas (maior parte nos Estados Unidos) e mais de 1 milhão entre Europa e Ásia Central.

Como não chegar lá

Para Christopher Murray, diretor do instituto, é fácil se perder nesses números tão elevados. Mas ele entende que a análise reforça como as máscaras e a implementação de medidas de distanciamento social rápidas são importantes e eficientes.

O cálculo evidencia ainda como é perigoso buscar o controle da pandemia pela chamada imunidade de rebanho por meio da infecção natural — ao invés de nos protegermos e aguardarmos uma vacina eficaz e segura.

“É uma oportunidade de destacar o problema da imunidade coletiva, que ignora ciência e ética, permitindo que ocorram milhões de mortes evitáveis”, alerta Murray.

Continua após a publicidade
Publicidade