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Hormônio do sono já é achado em farmácias de manipulação

Uma empresa ganhou o direito de comercializar a melatonina, conhecida como hormônio do sono, em farmácias de manipulação. Para quais males ela seria útil?

Por Theo Ruprecht - Atualizado em 6 set 2018, 17h46 - Publicado em 2 nov 2016, 17h30

No ano passado, um juiz da 3ª Vara Federal do Distrito Federal autorizou a Active Pharmaceuticals a importar e comercializar, em farmácias de manipulação, a melatonina — isso apesar de ela não ter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na prática, a decisão facilitou o acesso ao hormônio do sono para fins terapêuticos, uma vez que, até então, o paciente precisava importá-lo, mesmo se tivesse receita médica.

Meses depois dessa medida, uma “versão industrializada da melatonina” – o ramelteon – foi autorizado a ser comercializado no cenário nacional. De qualquer forma, vale a pena investir no tal hormônio do sono?

“Antes de tudo, estamos falando de um hormônio naturalmente produzido pelo organismo”, ressalta José Cipolla-Neto, professor da Universidade de São Paulo (USP) e um dos maiores especialistas nos efeitos dessa molécula. Entre outras tantas funções, a melatonina incita a sensação de sonolência e é fabricada em larga escala quando estamos em um ambiente escuro (por isso que temos mais vontade de dormir à noite e, por outro lado, maior dificuldade de adormecer ao ficar mexendo em dispositivos que emitem luz).

“Sua utilização está referendada internacionalmente para distúrbios do sono e dos ritmos biológicos”, garante Cipolla-Neto. “Ela é prescrita corriqueiramente para tais condições”, completa. Certos tipos de insônia, por exemplo, poderiam ser amenizados com uma reposição adequada desse hormônio.

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Fora isso, alguns pacientes cegos se beneficiam das aplicações de melatonina justamente por não conseguirem se ajustar ao ritmo do dia. Vítimas de distúrbios neurológicos que abalam a qualidade das horas dormidas, como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, são outros potenciais beneficiários de suas doses. Até aquela sensação de jet lag após uma longa viagem aérea e a mudança provocada pelo horário de verão chegam a estimular os profissionais a prescrever a substância.

Agora, a melatonina costuma ser muito empregada para objetivos estéticos. “Há evidências experimentais indicando que seu uso poderia melhorar a pele do idoso”, afirma o especialista da USP. A pele é inclusive um dos tecidos humanos com maior concentração do hormônio. Lá, ele confere resistência contra danos oxidativos, contribui para a hidratação e ajuda a manter a integridade como um todo.

Hoje em dia, há pomadas à base de melatonina que são utilizadas diretamente na cútis. Mas há uma ressalva fundamental: a melatonina entra na circulação com extrema facilidade. Logo, como mexe com o ciclo do sono, o horário de aplicação como creme precisa ser considerado para não bagunçar completamente a rotina de uma pessoa. “Ela só poderia ser aplicada à noite. De dia, seu uso é totalmente contraindicado”, arremata Cipolla-Neto. Usar sem o aval e as orientações de um profissional? Nem pensar.

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