Glitter, suor e sol: combinação pode agredir a pele. Saiba como se proteger
Produto pode gerar microabrasões e dermatite de contato. Além disso, estudos já encontraram metais pesados em alguns glitters
Cores vívidas, fantasias e o calor intenso são elementos definidores do Carnaval no Brasil. Para dar um toque a mais na fantasia, é muito comum que foliões apelem ao pó de glitter e maquiagens que incluem o produto. Mas a mistura, um clássico dessa época do ano, também pode render alguns problemas na pele se os foliões não tomarem o devido cuidado.
A exposição solar é apenas uma das preocupações: a combinação de fatores, que incluem o suor e a própria irritação da pele com os materiais do glitter, podem ocasionar dermatite de contato.
Veja o que a ciência já sabe e como reduzir danos.
Sol, glitter e suor: combinação que agride a pele
A maquiagem colorida, a tinta facial e os materiais sintéticos raspando contra a pele molhada podem favorecer ou desencadear a dermatite de contato, problema que causa irritações, coceira e ressecamento. O glitter, ainda, é um material abrasivo que raspa contra a pele e pode criar microlesões.
Outro problema reside no material: o glitter é composto, majoritariamente, por uma combinação de compostos, como o polietileno, policloreto de vinila (popularmente chamado de PVC), ou misturas de resinas e tintas à base de metais.
Misturados ao suor, esses elementos podem até provocar uma degradação da tinta, gerando o risco de que os metais pesados presentes nela sejam absorvidos.
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Embora essa liberação não costume apresentar grandes riscos do ponto de vista toxicológico, ainda assim é possível ter reações alérgicas. Além disso, nem todo glitter é igual: no caso do produto de cor vermelha, alguns estudos sugerem que o titânio presente nesse glitter pode acabar sendo liberado em um limite superior ao indicado pela Anvisa para produtos dermatocosméticos.
Um ponto que justifica mais cuidados é que os estudos envolvendo os riscos do glitter são recentes. Isso significa que muitos impactos à saúde ainda não são totalmente conhecidos: dependendo da marca, é possível até haver impurezas danosas à saúde. Alguns estudos avaliando os efeitos toxicológicos do glitter detectaram até a presença de amianto, comprovadamente cancerígeno se inalado.
O risco também muda conforme o local no qual o glitter é usado: no caso de batons, por serem utilizados na boca, há a possibilidade de ingestão. Na região em torno dos olhos, o glitter pode causar irritação se acabar entrando em contato com o globo ocular, um ponto de atenção extra para quem usa lentes de contato: caso ele fique preso entre a córnea e a lente, gera risco de infecções.
Quais cuidados tomar?
Se a ideia for um bloquinho sossegado e sem irritações, certas atitudes diminuem o risco sem abrir mão das cores.
O ideal é sempre optar pelas maquiagens corporais e cosméticos dermatologicamente testados e que estejam dentro do prazo de validade. Deixe de lado o glitter de papelaria.
Ao apostar nas maquiagens de cores vibrantes, o cuidado não para nisso: sempre verifique o selo da Anvisa. Ele garante que o produto foi testado e possui segurança para humanos. Tanto maquiagem quanto protetores solares de procedência duvidosa podem contribuir para irritações na pele e reações alérgicas.
Evite passar na região dos olhos. E, caso tenha utilizado o produto e note seu olho vermelho e coçando muito depois do bloquinho, procure um oftalmologista, já que o quadro pode evoluir para infecções, como conjuntivite e úlcera de córnea.
Para não acabar tendo uma surpresa desagradável no dia da folia, a regra de ouro é testar produtos novos alguns dias antes de comparecer aos blocos: veja como sua pele reage à maquiagem e, em qualquer reação adversa, suspenda o uso.
O mesmo vale para o glitter solto, caso você insista em utilizá-lo. Além disso, para diminuir a abrasão, um hidratante por baixo da purpurina também é uma boa pedida.





