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Em meio à pandemia do coronavírus, não podemos esquecer da dengue

Entenda os hábitos do mosquito e formas de transmissão do vírus para se prevenir; aproveite para aprender a diferenciar sintomas da dengue e da Covid-19

Por Fabiana Schiavon 6 out 2021, 18h32

Com o coronavírus, aprendemos a importância do esforço coletivo contra uma doença. Podemos usar essa lição para diminuir a incidência da dengue, doença que pode ser prevenida ao controlar o Aedes aegypti, mosquito transmissor do vírus.

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o Brasil registrou cerca de 1,5 milhão de casos de dengue em 2020. O Ministério da Saúde aponta que os números continuaram a subir nos primeiros meses de 2021, em diversas regiões.

Só a cidade de São Paulo teve 6 408 casos entre janeiro e maio, o triplo do mesmo período no ano passado.

Entender os hábitos do mosquito é uma das armas para impedir a sua proliferação. Mortes também podem ser evitadas ao se procurar atendimento na hora certa e receber o diagnóstico correto. No contexto atual, é importante entender as diferenças entre os sintomas de dengue, gripe e Covid-19.

Horário da picada do Aedes aegypti

Com quase um centímetro de comprimento, o Aedes aegypti se assemelha a um pernilongo comum, mas tem uma característica notável. “Facilmente vemos as listras brancas na região do abdômen, na porção mais final do corpo do mosquito e pernas zebradas, listras brancas”, explica a bióloga Patricia Jacqueline Thyssen, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

+ LEIA TAMBÉM: O que é a dengue?

Ele não é o mosquito que vai te incomodar à noite. “O Aedes não tem hábitos noturnos, essa é a principal diferença. A maior frequência de picada ocorre logo ao amanhecer e durante a tarde. Ele se esconde nos horários mais quentes porque tem pouca tolerância ao sol, e, quando anoitece, para de agir”, explica a bióloga.

Além de transmitir a dengue, o Aedes também é vetor dos vírus causadores de zika, chikungunya e febre amarela.

No verão, a proliferação é maior por conta da temporada de chuvas intensas. “O mosquito precisa da água limpa para completar seu ciclo de reprodução – são de 60 a 120 ovos em cada fecundação”, explica a bióloga.

Mas o cuidado deve ser mantido ao longo de todo o ano. O mosquito circula menos no inverno, mas aproveita para se reproduzir durante a estação. É que os ovos sobrevivem em local seco por até um ano. Ao ter contato com a água, as larvas passam a se desenvolver.

Livrar-se dos focos de água parada e manter o ambiente limpo são atitudes que ajudam a evitar a multiplicação do Aedes. “É muito importante que as pessoas se reúnam em grupos, façam inspeções em suas casas e áreas comuns. O acúmulo de entulhos na cidade, onde pode haver focos de proliferação, é um dos problemas que são esquecidos”, alerta a bióloga da Unicamp.

Como a dengue é transmitida

A transmissão começa quando o mosquito pica uma pessoa infectada. “O vírus fica alojado nas glândulas salivares e no aparelho digestivo do Aedes. Quando ele ataca outra pessoa, passa a doença. A larva se espalha pelo corpo, cai na circulação e começa a causar uma inflamação”, explicou o médico Drauzio Varella durante evento promovido pela marca de repelentes SBP.

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Algumas pessoas podem não ter sintomas, mas servem de transmissoras. “De cada quatro pessoas que são picadas, uma não sente nada, por isso, entende-se que o número de casos pode ser muito mais alto do que o registro oficial”, avalia o médico.

Sintomas da dengue

Para evitar casos graves e mortes, é importante entender os sintomas da doença e não confundi-la com outros quadros. A principal diferença entre a dengue e a Covid-19 é a febre alta repentina.

“Não se trata daquela dor no corpo que depois vai evoluindo. Nesse caso, a temperatura sobe bruscamente, depois vem as dores do corpo, nas costas, além daquela dor típica atrás dos olhos e a presença de alterações digestivas e náuseas”, explica Varella.

+ LEIA TAMBÉM: Covid-19 e dengue: quais as diferenças e semelhanças?

Por volta de três dias, a pessoa pode se sentir um pouco melhor, mas é quando a doença engana o corpo, podendo evoluir e se tornar perigosa. “A alegria dura pouco. Voltam os sintomas, as dores, e vem um cansaço absurdo”, explica Drauzio.

“Surgem ainda as petéquias, pequenos vasos que vão arrebentando embaixo da pele. É preciso estar atento porque o indivíduo pode ficar em estado grave, com hemorragias nos aparelhos digestivo e urinário”, continua o médico.

Repelente ou inseticida?

Evitar a proliferação do Aedes aegypti é primordial no combate à dengue. Um cuidado extra para quem vive em áreas de risco é utilizar adequadamente repelentes e inseticidas.

“Lembramos que o repelente corporal evita a picada, por isso ele é bom companheiro quando estamos na rua ou áreas externas”, afirma Elvis Barreto, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Reckitt Hygiene Industrial.

Dentro de casa, o repelente elétrico, aquele que fica na tomada, pode ajudar a afastar o inseto. “O ambiente fica desagradável para ele, então é preciso deixar frestas para que ele não permaneça no local, desorientado”, explica Barreto.

Já o inseticida aerosol mata o mosquito. “Há ainda os larvicidas, que são úteis para utilizar em plantas e locais onde há acúmulo de água”, completa o gerente.

Dicas para prevenir a dengue

+ Não deixe acumular água no quintal, nos pratos das plantas e outros recipientes
+ Tampe bem caixas d’água
+ Piscinas devem ser limpas com regularidade, e cobertas de lona para manter o tratamento com o cloro. As bordas são um convite para as larvas e precisam estar sempre limpas
+ No verão, previna-se com repelente e inseticidas
+ Fique atento a calhas e lajes que possam servir de reservatório de água
+ Cuide bem do lixo. Não deixe resíduos a céu aberto e denuncie entulhos abandonados nos bairros

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