Ele é o maior serial killer do país
Nova edição de VEJA SAÚDE joga holofote sobre o maior assassino de vidas no Brasil: o acidente vascular cerebral (AVC)
Nem crime, nem ataque do coração, nem câncer. O que mais mata no Brasil, segundo os atestados de óbito reunidos pelo governo, é o AVC. Eis o codinome do acidente vascular cerebral, esse atentado que, quando não rouba a vida, deixa sequelas.
São mais de 85 mil vítimas fatais por ano, sem falar nos milhares que herdam restrições de locomoção, comunicação e cognição. Um bandido de alta periculosidade porque sua quadrilha pode agir na surdina por anos até disparar o tiro — um entupimento ou a ruptura de uma artéria no cérebro, o que leva à destruição de grupos mais ou menos extensos de neurônios.
É caso de polícia, de hospital, de saúde pública. E, não à toa, o AVC protagoniza uma operação envolvendo médicos, cientistas e demais profissionais para caçá-lo muito antes que plante a bomba na cabeça.
Nesse roteiro, que envolve investigação e uma série de ações, é preciso flagrar e prender os comparsas de crime — lista longa da qual fazem parte a pressão alta, a obesidade, o diabetes, o tabagismo —, esclarecer a sociedade sobre os sinais do ataque e o que fazer diante deles quanto antes (pois tempo é cérebro, dizem os neurologistas), bem como municiar os serviços públicos e privados com os recursos necessários para o diagnóstico e o tratamento adequados.
Não falamos de uma missão fácil — nenhuma perseguição a um malfeitor desse porte é, mas trata-se de uma agenda prioritária. Questão de vida ou morte, literalmente.
Se por um lado a medicina não mede esforços e tecnologias para impedir os novos passos do criminoso, como mostra a reportagem de capa assinada pela jornalista Larissa Beani, por outro o poder de desarmá-lo começa em casa.
Sim, depende da conscientização e do engajamento de cidadãos e famílias nas mudanças de estilo de vida e na adesão ao tratamento prescrito pelo médico — medidas inescapáveis para evitar a eclosão de um AVC.
A família, nesse sentido, pode inclusive servir de amparo e estímulo, não importa se o objeto do cuidado sejam pais, avós, tios, irmãos, primos, até filhos, pois, infelizmente, os episódios de acidente vascular cerebral têm crescido entre adultos jovens.
Mas a gente sabe que nem sempre se vive em um lar, doce lar. E é por isso que também trazemos nesta edição uma reportagem para lá de reflexiva sobre as repercussões sociais e psicológicas das criações, vivências e trocas familiares.
Família é tudo igual? Para o bem ou para o mal? A resposta a essas questões tampouco é singela, e o repórter André Bernardo entrevistou dezenas de experts para esboçá–la. Porque o berço do trauma é aquele que também pode se tornar a fonte da cura — e alimentar transformações capazes de prevenir dissabores e delitos ao corpo e à alma.
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