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Diazepam: o que é, para que serve e como funciona

Usado para tratar ansiedade e convulsões, o diazepam exige muito cuidado pelo risco de dependência e graves efeitos colaterais. Saiba mais sobre o remédio

Por Maria Tereza Santos Atualizado em 3 Maio 2021, 10h21 - Publicado em 27 abr 2021, 16h41

O que é o diazepam e para que serve

O diazepam é um medicamento ansiolítico da classe dos benzodiazepínicos, administrado via oral ou por injeção. Ele é usado principalmente contra convulsões provocadas por certas condições ou transtornos de ansiedade, além de atuar como coadjuvante no tratamento de problemas neurológicos.

Essa é uma droga de tarja preta, vendida apenas com uma receita médica especial que fica retida na farmácia. Isso porque, se ingerida indevidamente, traz danos sérios à saúde e dependência, como falaremos abaixo.

Como funciona o diazepam

A farmacêutica Taís Freire Galvão, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual de Campinas (FCF/Unicamp), explica que o remédio interage com receptores no cérebro que acabam inibindo a atividade das células. Ele freia o ritmo da massa cinzenta, assim por dizer.

“É por isso que o indivíduo chega a ficar sonolento. O medicamento afeta inclusive o controle respiratório e outras funções vitais”, relata.

Ao reduzir o ritmo de trabalho do cérebro, o diazepam pode acalmar a mente, o que é útil em transtornos de ansiedade. Ou conter as descargas elétricas dos neurônios, atenuando crises convulsivas.

Quais são os efeitos colaterais do diazepam?

O principal risco é a dependência, que ocorre quando utilizado por um período prolongado. Aliás, a eficácia dos benzodiazepínicos diminui quanto maior o tempo de uso.

“Ao interromper o tratamento, o paciente pode sentir abstinência”, alerta Taís. Essa fissura, aliás, é comumente confundida com uma crise de ansiedade, o que faz a pessoa voltar a tomar o diazepam, gerando um círculo vicioso. O acompanhamento próximo de um especialista no manejo das doses é fundamental para diminuir esse risco.

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Além disso, o fármaco pode gerar erupções na pele, sensação do paladar alterada, perda de equilíbrio ou coordenação motora, tontura, dor de cabeça, sonolência, euforia, sangramento, congestão e irritação nasal.

  • Quais as contraindicações

    A orientação mais importante é: nunca tome o diazepam sem uma indicação formal de um especialista. Esse remédio só entra em cena em situações específicas. Fora isso, ele não deve ser receitado para:

    • Gestantes
    • Mulheres que estão amamentando
    • Pessoas com glaucoma
    • Pacientes com insuficiência hepática, renal ou respiratória
    • Indivíduos diagnosticados com apneia do sono
    • Idosos
    • Crianças até os 12 anos
    • Alérgicos a qualquer componente da fórmula

    Quais as interações medicamentosas

    O diazepam interage com uma série de remédios e substâncias:

    • Opioides
    • Antidepressivos
    • Hipnóticos
    • Antipsicóticos
    • Anticonvulsivantes
    • Antifúngicos
    • Antialérgicos
    • Remédios usados no tratamento de HIV
    • Relaxantes musculares
    • Omeprazol
    • Isoniazida
    • Dissulfiram
    • Rifampicina
    • Teofilina
    • Vitamina C

    Certas combinações podem sabotar o tratamento, ou potencializar as reações adversas. São tantas interações possíveis que é absolutamente necessário abrir o jogo com o médico sobre tudo o que estiver consumindo.

    Quais os cuidados durante o tratamento

    Como você pode ver, há uma necessidade de atenção redobrada com a questão da dependência, das contraindicações e das interações medicamentosas. “Além disso, a ingestão concomitante com álcool resulta em sedação profunda, depressão respiratória, coma e até morte”, alerta Taís.

    A professora acrescenta que os medicamentos benzodiazepínicos dão uma falsa percepção de segurança. Isso porque, para causarem uma intoxicação grave, é necessário engolir muitos comprimidos. Mas os danos já começam a aparecer bem antes disso.

    Mais uma vez, fica o recado de não consumir diazepam ou qualquer benzodiazepínico sem prescrição médica. Não abandone o acompanhamento com o especialista e, em caso de qualquer dúvida, converse com ele antes de tomar decisões por conta própria envolvendo essa droga.

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